13 novembro 2016

uma vez mais...

um liberal que não tolera e não reconhece na iniciativa de outros qualquer possibilidade de acerto ou que não procura o espaço da mediação e do diálogo parece, ao velho que sou e estou, uma contradição de termos, um ser sem liberdade substantiva a seguir. A empatia e a simpatia sempre foram atributos muito importantes aos defensores da justiça, do livre mercado e das liberdades humanas, é possível aqui evocar Smith, Rawls ou Sen e uma longa lista de gigantes. 
Vemos no atual momento um embaralhamento das ideias e uma radicalização pela negação do outro, do ato de resistir do outro, da forma de protestar do outro, Temos sido amadores na apreciação das virtudes morais ao negarmos ao outro a possibilidade da virtude e  ao nos negarmos, a priori, a ouvi-los, sabe-los ou te-los em nossa companhia para um diálogo. Impomos de forma danosa  a nossa lógica, "se ocupas, não terás diálogo ou conversa". Já praticamos essa educação pela intolerância, "com choro não há conversa", isso, sabemos, é insatisfatório, insuficiente, precário. 
Sim, sim podemos ouvir os que erram, se errados eles estiverem, não sabemos, sim podemos nós também estarmos errados, sim, somos humanos imperfeitos e, muito e absolutamente, por isso mesmo, devemos, velho e normativo que sou, ouvir, conversar, dialogar, respeitar, tentar entender, e devemos praticar isso seguidamente, reiteradamente, novamente,,,

26 junho 2016

@leonardomonastério

ainda devo explicações ao Leonardo Monastério, pois por lá escrevi, abre aspas, Além do mais, a ideia de IO não é meritocrática num sentido de Lucas, isso também é bem enfatizado no capitulo 3 do Roemer (1998), o que deixa espaço para mais possibilidades que incluem responsabilidade e sorte ou , enfim, preferencias são afetadas por elas.., fecha aspas. gentilmente, ele, o Leo, comentou que não entendeu e que eu poderia explicar aqui ou entre pilhas de cervejas. Sinceramente, prefiro a segunda opção, mesmo assim, atrevo-me a confundi-lo ainda mais seguindo a primeira sugestão. Voltemos, então, à analise da frase, se bem observado, ainda. não começamos a análise, propriamente dita.
"Além do mais, a ideia de IO não é meritocrática num sentido de Lucas" aqui aludo a sútil diferença entre meritocracia em sentido estrito e usual, do fazer bem feito, ser melhor em algo, que, sim, refere-se a um componente usualmente chamamos de talento e que, portanto, tem sim um grande componente de sorte porque podemos nascer já bem aquinhoado para uma determinada tarefa ou bem fazer, ou o contrário, podemos naiscer, para que o Leonardo bem compreenda, sem nenhuma aptidão, no meu caso, bem digo, dentre as muitas incapacidades que não são poucas, lógico, relato duas, assimétrica habilidade de coordenar o corpo que me impede, por exemplo, de fazer um polichinelo básico e com contagem consistente. Ainda sofro de completa falta de gps locacional, supondo que exista outro, e me perco ao atravessar a rua em qualquer cidade e principalmente na Brasilia do nosso herói. 
"isso também é bem enfatizado no capitulo 3 do Roemer (1998), o que deixa espaço para mais possibilidades que incluem responsabilidade e sorte ou circunstâncias" nesse ponto aludo à diferença apontada por Roemer(1998) entre mérito, e merecimento [deserve] que decorre do empenho e esforço dedicado ao realizar uma dada tarefa para alcançar uma dada meta, algo deliberado, portanto e de responsabilidade, da responsabilidade de quem cometeu o esforço, e que por isso merece, mérito pelo esforço e não pela sorte ou talento. Contudo, mesmo aqui cabe ressalvas, porque as escolhas de esforço são elas mesmas influenciadas pelas circunstâncias adversas ou não, aqui, num longo paragrafo Roemer (1998) exemplifica usando a evasão escolar e as circunstancias negativas de crianças nascidas em famílias com baixo background, não poderíamos culpa-las, elas, as crianças, por optar por seguir outro caminho do que o da assiduidade na sala de aula se as circunstâncias a impedem de ter uma opção mais favorável, isso é o que vem, ou deveria vir, na frase final ' enfim, preferencias são afetadas por elas [as circunstâncias]..." 
O melhor fica para o final, combater essas desigualdades de oportunidades não significa se entregar a um jogo de dados da mãe genética, tem muita obra do ambiente e humana que privam a muitos de uma vida digna e é disso que o bardo fala ou falava. Por óbvio, a falta de cervejas atrapalhou a analise frasal e o uso adequado de exemplos edificantes, mas é o que tenho...



05 junho 2016

o uso da avião da FAB, sério?

o governo interino aprovou  reajuste salarial dos servidores públicos depois de aprovar uma nova meta fiscal para o ano corrente com rombo previsto de R$ 170 bilhões, no mesmo pacote foram criados 14 mil cargos novos no serviço público federal. Em sua defesa os interinos alegaram que o acordo do ajuste já estaria fechado e que já viria embutido no rombo fiscal e que os cargos criados não representariam pressão orçamentaria porque os concursos não seriam realizados. Interinos são assim mesmo, hipócritas? 

Enquanto isso, em Porto Alegre, uma das cidades mais ricas do país, os assaltos diários na calçada da universidade federal no campus centro, levaram alunos a plantarem placas com dizeres alusivos a cuidados porque ali seria uma "zona de assalto". Em outros bairros ou por todos os bairros da mesma Porto Alegre escolas públicas de ensino fundamental e médio, estão ocupadas por alunos em protesto e professores estão em greve. Insegurança, falta de educação de crianças e jovens e irresponsabilidade fiscal são a nossa atual conquista de infortúnios para várias gerações, uma tragédia de insensatez e de robusto descaso com o país. 

Desnecessário dizer que todos perdem nesse arranjo, porém é preciso alertar, sempre, que os maiores perdedores são e serão as famílias mais pobres na hierarquia social e econômica, famílias essas onde a maioria dos membros estão desempregados e com dificuldades para acessar o seguro desemprego e que convivem com uma inflação alta e persistente.

Um estrangeiro que visse a cena toda ou lesse o relatório de perspectivas de indicadores sociais não interinas, não teria dúvidas em discordar do reajuste proposto ou da cadeia de eventos que se sucedem com sentido lógico notório. Um país que gastou quantias expressivas para sediar uma olimpíada e uma copa do mundo, mas que não tem escolas ou creches para crianças, e no qual os hospitais públicos fornecem atendimentos deploráveis e que não possuem antibióticos ou remédios básicos para procedimentos ambulatoriais simples. 

Não contente com a descrição dos horrores o mesmo estrangeiro fica sabendo que nos estados federados, em boa parte deles, os governos não conseguem pagar os salários do funcionalismo em dia e que a comovente discussão nas redes sociais é sobre o uso ou não dos aviões da força aérea pela presidente impedida. Os interinos estão errados não só porque são interinos, estão errados também nas suas escolhas e práticas e no arranjo que estão desenhando até aqui....

20 maio 2016

A capa

a manchete de capa, melhor dizendo, de capa da folha de são paulo do dia 18/05/2016 estampa três atrizes e o diretor do, aplaudido em Cannes, Aquarius, nome do filme, não do diretor. Todos seguram cartazes onde acusam que "no Brasil está havendo um golpe" , mesmo estando manifestadamente contra o impedimento da presidente, por uma série de razões que não vem ao caso, não endosso a tese de golpe, é um erro, mas não é um golpe. Contudo, o que me incomoda na foto é que todas as  atrizes estão sorrindo e com ar de felicidade na referida foto de capa, como se, elas mesmas, não acreditassem no que acusam, Imaginem um golpe de Estado acontecendo e elas lá sorrindo, impensável para qualquer arranjo crível. O governo da presidente Dilma tem muitos aliados e ideólogos no meio artístico, militantes de carteirinha, mas a inteligência escreveria um roteiro mais circunspecto e menos farsesco para essa grande cena....

17 maio 2016

Sem resoluções

queridos e queridas, deve ter começado assim, ou no já desgastado, companheiros e companheiras, a resolução do PT, que não li, com as crítica do PT à presidente Dilma e ao próprio PT, essa é uma nova forma de superego, um partido que crítica a si mesmo e ao seu governo depois de perder o rumo no campo ético, de avacalhar a economia do país e quase quebrar as maiores estatais do país e de quase perder o poder totalmente. 

Pessoalmente, não esperava outra atitude, não foi da humildade e da noção ética de reconhecer erros que o PT construiu sua  reputação, sem entrar nos detalhes dos erros e acertos do partido, foram muitos, acho deplorável que, nesse momento que o país atravessa, um partido se coloque nessa posição tão soberba como se algo mais do que o seu próprio umbigo fosse desprezível.

Espero, que em algum momento no futuro próximo novas lideranças surjam e salvem o partido dos trabalhadores dessa arrogância crônica e, de quebra, modernizem a sua visão de mundo, principalmente em economia, a ciência moral e nada lúgubre. Essa minha torcida é movida pela melhor das intenções, é uma reconciliação e uma apelo à tolerância e ao diálogo e uma forma, a minha, de seguir em frente, sem resoluções...

15 maio 2016

ilusão

falta qualificar a ilusão, cognitiva, de ótica, política, ideológica, impedida? Leio muitos acordes, mas nenhum alcança o possível, são, todos, frases apropriadas para outro governo, aquele que vem depois de eleitos e consagrados. Não há como um governo de transição, não eleito, portanto, reformar o que quer que seja por livre adesão e vontade de uma regra qualquer de escolha livre. 

Não é a extinção de ministérios, ou de cargos de comissão, ou a composição do próprio ministério, o que é o mais importante, tampouco é importante a definição de idade mínima para aposentadorias ou a volta da cpmf ou das privatizações ou a mudança nas regras de concessões públicas para atrair investimentos em infraestrutura, nada disso viabiliza-se se não há clareza sobre o que a maioria definiu em pleito aberto e sufragado nas urnas. Um governo pode errar por seguir preceitos errados, mas há projeto e uma clareza compartilhada em debates, propagandas e na apuração dos votos, e isso é o mais relevante para qualquer acerto ou ponto de pauta,algo que vem com as urnas e pelas urnas.

Essa é a ilusão dos que comemoram o governo Temer. O desastre do governo Dilma é a nossa conta que pagamos a preços insuportáveis por termos feito escolhas erradas e deveríamos entender que o próximo ou a próxima governante tem que ser melhor escolhido e refletido para evitarmos tantos erros como o do atual governo. 

Hoje, porém, o que temos é uma incerteza a mais e muitas  ilusões de acertos na Economia e de propostas de reforma, que não virão e que no primeiro impasse só vigorarão se abonarmos os acordos democráticos. O melhor vem dos erros e acertos do próximo pleito e não da ilusão da transição sem urnas...

08 maio 2016

Véspera

faz sol agora e a presidente recebe, sorrindo, rosas de manifestantes, Meirelles escreve platitudes na folha de São Paulo alinhavando propostas do futuro governo, o Colorado consegue levar 40 mil ao Beira-Rio para uma final contra o Juventude, mesmo jogando um futebol de segunda divisão, Aécio é entrevistado no canal fechado de noticias da Globo, a Folha de São Paulo acusa o Temer de plágio na sua capa de domingo, o Vasco, finalmente, tem chances reais de questionar na justiça o estigma de vice campeão. 

A previsão é de chuva passageira, todas são, e frio estável, sic, em termos, a vida segue na mesmice, mas se nada mudar a semana que se aproxima será o incio de um período de grandes riscos e incertezas para todos nós. No plano pessoal, o zumbido segue crescendo e a panturrilha esquerda acaba de sofrer com a falta de exercícios regulares, se nada mudar, assinarei minha desfiliação do psdb na quinta-feira e a entregarei no cartório eleitoral, se nada mudar, continuarei na oposição, mas, admito, o tempo será melhor distribuído em artigos acadêmicos, por um longo projeto de inclusão, irei preencher o Lattes testando evidências. Como John Snow seguirei tentando respirar, mesmo que tudo fique irrespirável por um longo tempo, mas, ao contrário do co-irmão, não sou imortal, 

15 novembro 2015

Pavão no telhado

a cena é real e pode ser encontrada aqui e é uma boa metáfora para a semana do colóquio Meirelles e Levy, o primeiro fazendo o papel principal, mas quem subiu no telhado foi o segundo. Novamente o ex-presidente Lula, o maior de todos os pavões na política brasileira, seria o orquestrador da queda de um, o Levy, e assunção do outro, o também pavão, Meirelles. Enfraquecidos, além do Levy, foram e estão, o real, a presidente e o ajuste fiscal e de resto toda a economia brasileira. Meirelles, não é o milagreiro para livrar o país da enrascada quase inescapável que nos encontramos, mas é sim, um forte candidato a ministro do terceiro mandato do pavão mor, ambos, aliás, deveriam se afastar da condução da coisa pública e deveriam adotar uma postura mais republicana e discreta. 

13 setembro 2015

país partido

hoje no Estadão e também na Folha de São Paulo foram apresentadas muitas receitas para sair da crise, uma boa introdução segue aqui. Realmente, é grave a crise, mas, aliada das nossas dificuldades, nunca saímos da crise, na verdade. Tivemos momentos de esperança nos dois FHCs e nos dois Lulas, é preciso dizer. Não muito mais do que isso, contudo. 
Agora todas as saídas propostas nos deixariam no mesmo lugar pré crise, um país ajustado financeiramente e que tem contas públicas saudáveis, mas que amarga resultados medíocres em questões sociais e que apresenta programas sociais tímidos, ineficientes e que inevitavelmente, nos prendem em duas armadilhas que se retroalimentam, uma de pobreza e outra de desigualdade. 
Vivemos num pais injusto, desigual, covardemente assimétrico e sempre que queremos ser bacanas sacrificamos gastos na saúde, na educação e na infra-estrutura social. Mesmo repetindo o mesmo discurso, é importante, dizer: temos que gastar mais, não menos, em saúde e educação e temos que gastar mais com e para com os mais vulneráveis e temos que faze-lo em escalas sem precedentes. 
Qualquer saída para a crise deveria considerar essa a única alternativa possível e deveríamos desenhar isso dentro de um orçamento equilibrado com perspectivas de inflação abaixo de 5% ao ano e com crescimento real acima da média mundial. 
O PT tem o domínio do discurso social, mas é estatizante no sentido militar do termo, irresponsável e para obedecer a uma ideologia caduca, o PSDB, por sua vez, ficou preso à agenda economicista e de eficiência apenas. Ambos são incapazes, se não mudarem, de impor uma agenda progressista com inclusão efetiva dos vulneráveis socialmente. Inclusão real, com gastos compensatórios para diminuir ou zerar o fardo de uma vida inteira de circunstancias negativas e sacrifícios. 
As contas públicas devem ser ajustadas para esse parâmetro e não se trata de promover populismo e irresponsabilidades fiscais e monetárias, mas sim de redefinir a agenda de prioridades, é portanto, e continuará sendo, uma proposta de centro com viés social, bem ao contrário do que temos nos dois lados da disputa em curso....

corte imposto

governo não assume o erro, não pede desculpas, não assume que mentiu e omitiu durante a última campanha, que engrupiu as contas públicas, que falseou e pisoteou no erário, no público e no privado. Seguiu uma estratégia maluca de gastança sem fim para implantar seu credo religioso e agora, no crepúsculo dos desvalidos, propõe o corte de gastos públicos para preparar o terreno para aumentar impostos, tudo isso conduzido aos gritos e sem liderança alguma. Qualquer dúvida sobre o sucesso dessa empreitada é vã ingenuidade ou má fé de carteirinha. Seremos rebaixados por mais agências e isso será um grande e doloroso final para um equivoco portentoso do grande líder, nossa presidente não deveria ter sido ungida para assumir tarefa para a qual ela nunca se preparou e para a qual ela não tem nenhuma habilidade satisfatória comprovada. Aflição e desgosto nos esperam nesses melancólicos anos antes da próxima eleição, uma a uma cairão todas as conquistas, que não foram poucas, é real...

30 agosto 2015

o debate

os bons meninos, talentosos, simpáticos e inteligentes debatem o bom do Brasil, a proposta. Um quer cortar sem resolver o impasse social o outro não quer cortar e não pensa em resolver o impasse fiscal, ambos estão errados, presos a um monologo, esquecem do básico. 
Reestruturar e gastar mais com seres humanos, com desenvolvimento humano, sem comprometer a saúde fiscal e com credibilidade, precisamos dela, aliás. Os inteligentes precisam porque não há país crível com injustiças sociais alarmantes como as nossas. Os simpáticos, precisam porque não entendem que com irresponsabilidade fiscal apenas aumentamos as injustiças sociais...ambos estão presos aos seus respectivos ponto de partida ideológico-partidário, um pouco mais, um pouco menos....

23 agosto 2015

o pode ter certeza do Lula

"Pode ter certeza o Brasil vai voltar a crescer"(Lula, 22/08/2015, 20hs15min)
essa frase é incontestável, é óbvio que o país vai voltar a crescer ainda nessa década, nesse século, ou nesse milênio, ou antes, quem sabe....?!? uma pena que nosso ex-presidente não aproveitou para apresentar algo para abreviar as incertezas da espera, preferiu uma frase grandiosa e irrefutável que não serve absolutamente para nada. 
Temos um demagogo-populista em sua performance habitual, platitudes com vaticínios inócuos, sem nenhuma concretude, um vazio narcisista e obtuso, uma velhacaria política que ainda seduz muita gente entre nós, uma verborragia para iludir, adiar, postergar, ganhar tempo, enganar e sufocar vozes contrárias. Lula é um equivoco político e é uma lástima que ainda faça sucesso entre nós, temos um candidato em campanha, que se coloca como saída para o buraco que ele mesmo construiu e com uma frase sem significado. Podemos ter certeza, essa nossa trajetória negativa é duradora e o exito eleitoral desse populismo ainda é enorme.

16 agosto 2015

jogo melado

quando quebramos um principio qualquer em uma regra o resultado fica melado, desfigurado, descaracterizado, sem o sentido exato. Essa imagem nos cabe agora, temos um jogo melado, já há evidências suficientes de que se seguirmos os fatos e as regras postas, a continuação do atual governo é um jogo melado. É também falsa a defesa da continuação do atual governo pelas realizações na área social ou para evitar o desastre maior que seria a volta da oposição ao poder, o jogo segue melado, porque perdemos a capacidade de analisar os fatos e as regras, estamos presos ao jogo do outro é o pior. 
Não, não mesmo, houve roubo, desvio, uso do poder econômico e uso de caixa dois e de recursos dos desvios na campanha, além da maquiagem das contas públicas, houve sim, negar é melar o bom jogo, das regras e dos princípios éticos e morais aqueles lá da filosofia moral, porém, a nossa ética é ideológica e essa é a pior ética. 
o que fazer diante desse quadro? Nas nossas regras temos a possibilidade do impedimento, é essa a regra, ela, porém, se sustenta em algo intangível que é o apoio político, Como construir esse apoio político se todos os envolvidos praticaram boa parte dos crimes eleitorais? ou mesmo, se já sabemos que a ética é ideológica, como construir apoio político para a boa regra? Essa via não se sustenta, mesmo porque os militantes do partido no poder, não entendem que toda essa lista de equívocos morais, éticos e toda essa corrupção é negativa ou merece ser abandonada e condenada, há uma convicção entre eles de que são superiores e imaculados, iluminados e o eles são muitos. Então, não há o que fazer por essa via. o Samuel Pessoa propõe hoje na folha de são paulo, renuncia  e novas eleições:
"A melhor saída que há à manutenção da presidente zumbi por mais três anos seria renúncia de toda a chapa, da presidente e do vice, para que um novo processo eleitoral fosse convocado e os partidos apresentassem candidaturas."(Samuel Pessoa, fsp, 16/08/2015).
essa seria uma ruptura de toda a regra, seria interromper e acabar a trajetória democrática sem a menor certeza sobre o que viria em seguida. Ela, a presidente, não vai renunciar, os militantes não vão fazer reflexão, o vice é do pmdb e isso já é bastante para indicar que esse também não renuncia ao poder. Então, essa proposta de novas eleições é a pior opção para esse jogo melado. 
Vamos nos arrastar por um longo tempo ainda nessa mesmice, o atual grupo no poder vai sobreviver, pode até ser reconduzido nas próximas eleições, será um desastre, seria, sem dúvida, um grande prejuízo para o país e, para os mais vulneráveis na escala social, seria um insofismável fim do poço, mas isso vem na função aprendizagem democrática e  um dia,  aprendidos, mudaremos para uma ética mais condizente com um principio universal e que não obedeça a slogans partidários...


02 agosto 2015

não somos a Grécia

a semana do parcelamento dos salários dos funcionários públicos e da incapacidade do Estado honrar os seus compromissos mais básicos, saúde, educação, segurança... todos públicos, todos precários e endividados, divida em papel moeda e em realidade, filas, baixa qualidade, disfuncionalidades e descuidos, crianças nas sinaleiras fingem brincar enquanto trabalham. 
Os analistas, alguns deles, vários meus amigos, nomes não digo por respeito e por amizade mesmo, comparam o nosso estado, difícil aqui definir o maiúsculo, com a situação da Grécia. Não, insondáveis vezes, não, não temos nada parecido ou equivalente com a Grécia dos gregos e da união européia, mil vezes não, não construímos insolvência sem miséria, não temos estado de bem-estar social, não cuidamos de nossas crianças e tampouco de nossos velhos, nossa renda per capita é inferior, nosso indicadores sociais, mesmo no decantado sul maravilha, não chegam aos dos gregos, nossa tragédia é nossa e única, escrita por partidos anacrônicos e ainda mais nacional-desenvolvimentista do que a ala a esquerda do Syriza, e ainda mais medíocres.
Um pseudo-qualquer coisa, que para muitos é um intelectual, um poser, afundou o estado, esse sim minúsculo, numa crise, usando recursos que não tinha para escolhas equivocadas e para conceder aumentos onde não podia, com aval unanime de todos os políticos, é verdade. Não, não somos gregos, lá a votação seria apertada e ninguém temeria dizer não.
Não, não somos gregos em sua falta de restingas e ilhas de contrastes, verdadeiras e inundadas pelo Guaíba, gente que não existe nas estatística oficiais, que não tem endereço fixo apesar do viaduto da João Pessoa e dos chocolates visíveis. Apenas 17km do centro da capital da "qualidade de vida" temos idh subsaariano e uma multidão sem água tratada por mais de 40 anos, não, não somos gregos...

26 julho 2015

modestas, é verdade...

temos pouco tempo e muito ainda por fazer, é inaceitável o arranjo que convencionamos chamar de equilíbrio social, em falhas graves, nossas virtudes são poucas e de baixa propriedade. Em muitos há um apelo para uma radicalização, os da direita, mercado, os da esquerda, estado, no meio estamos nós, os de centro, sem problemas, estado, sem problemas, mercado, mas, por favor, vamos encaminhar mais efetividade para o combate às diferenças sociais, não faz sentido um país tão desigual ou com tantos em situação da mais absoluta miséria em muitas dimensões importantes para uma vida satisfatória. 
precisamos mais, um outro estado de bem estar social, mais efetivo e de mais generosidade e solidariedade a favor dos que estão fora da nossa 'posição original'. os dois grupos acima, com os quais não me identifico, assumem ares de sabedoria suprema, ungidos pelos deuses da reforma, sabem na ponta da língua a solução, o método e como implantar o estado de bem estado social do zero de miséria e fome e de muita fartura e riqueza.
Mais modesto e assumidamente triste com minha incompetência, reconheço que não sei o caminho da salvação e nem mesmo se atravessarei o portal do purgatório, o que venho de propor e saber é pouco, é uma combinação do Sen com o Lyndon Jonhson doméstico, o do combate a pobreza, não o da guerra, mais gastos em saúde e educação, contratos melhores para proteger os menos favorecidos e mais espaço para o debate público. Ao contrário dos que querem controlar a grande mídia e a internet, mais liberdade ali, mais grande mídia e mais internet livre. 
Acabaria com as obrigatoriedades do serviço militar e do voto, o lucro seria livre e o imposto progressivo sem procedentes, substituiria o imposto indireto, gradativamente, em poucas palavras, apenas o razoável, votos distritais, reeleições, menos e mais fortes, os partidos, e um sentido absoluto de tolerância pelo diferente. Na economia, a nova bossa seria o trivial nas contas públicas, um banco central autônomo e bancos públicos com capital aberto e transparentes, sinceramente, não há como apoiar privilégios para empreiteiros ou outros amigos da casa real, se quiser existir vai ter que se justificar com resultados guiados por princípios comuns a toda a gente. é uma proposta modesta e conservadora, diriam os da esquerda, é estatizante e intervencionista, diriam os libertários, como não tenho o dom da mágica ou o entendimento absoluta dos arranjos humanos, fico feliz com essa avaliação, errarei pouco, todavia.

19 julho 2015

o bardo e a feira

ontem fomos numa feira comunitária, em frente de um prédio velho que abriga uma loja que vende objetos usados "em bom estado de uso". Na realidade a feira era promovida pela loja, nesse dia, não há papel moeda, apenas troca-troca. Em Caruaru, no Pernambuco, e em Teresina, no Piauí, também funcionam feiras semelhantes, sem moeda, apenas troca. Contudo, o pedaço da troca da feira que fomos ontem no bairro industrial da cidade, não precisava levar algo para a troca, simplesmente, o convidado pode pegar o que quiser nas caixas e tendas em um espaço grande o suficiente para permitir livre circulação de pessoas. Havia de tudo um pouco, prataria, cristais, louças, caixas de guardar fichas acadêmicas, videos de computador, máquinas datilográficas com os respectivos manuais, TVs, pratos, talheres, canecas, roupas, até um "rabo quente" foi encontrado, tudo em condições plena de uso. 

Em um canto mais afastado livros diversos, fitas cassetes, cds e vhs, tudo espalhado ao livre alcance das mãos, sem restrições, os trabalhadores da feira ficam do outro lado, atualizando as bancas do pega lá sem trocas e ainda oferecem sacolas usadas para levar o que escolhestes.
A população da feira era de pobres num sentido bem especifico do termo, nossa classe média talvez seja uma identificação mais apropriada. Muitas línguas, crianças, velhos, sim, muitos brinquedos, patins, quebra-cabeças e instrumentos musicais para crianças, baralhos de encartes para estudar o vocabulário e bonecas de pano coloridas, caixas de música... 
Confesso o meu constrangimento, como assim, pegar algo se não tenho nada para dar em troca, se não trouxe nada? Em pouco tempo, percebi que a indelicadeza seria não participar, "como assim, não precisas, quem não precisa?" Timidamente me aproximei das tendas dos livros, a princípio não consegui me empolgar, livros em alemão sobre quase tudo e muito best-seller, nada relevante, 
Encontrei perdido numa caixa fora da tenda um Auster, em alemão, com receio olhei e resolvi ficar, até ali, não tocava nos livros. Todos olham, pegam, alguns resmungam e enchem caixas ou sacolas, ficamos atrás em silêncio, a pessoa da frente avança a esquerda ou a direita, entramos e estamos no jogo. Percebi depois de uma hora nesse ritual que os tesouros estão lá: matemática e estatística, Thomas Mann, Naipaul, uma pequena biografia de Menuhain e Rilke, em pouco tempo recebi três ofertas de sacolas, estava de mão cheias. Entendi que estava me empolgando, fiquei só com aqueles e taças de chopp do século dezenove. A feira continuou lá por todo sábado, em frente um parque com gansos do pescoço longo e brancos...

13 julho 2015

semanas decisivas

a cada nova semana uma expectativa, lava-jatos, odebrecht, redução da maioridade, reforma política, previdência e o impedimento, vetos presidenciais e ajustes fiscais, contas de campanha, lavagem de doações ou o contrário, tce e tse, stf, os gregos, merkel e os gregos do oxi, nein, o tsipras e o euro, fmi, irã e os eua, cuba, a embaixada, delações e outros tapas na mesa, semanas de tudo vai acabar na próxima semana ou recomeçar. Vivemos uma recessão e os indicadores sociais pioram, o desemprego aumenta, a violência urbana aumenta, os roubos aumentam, a essa altura até o Gini acordou, no entanto, o único  noticiário é sobre a 'semana decisiva'. perdemos a capacidade de diálogo, a oposição esqueceu o bom senso em nome de uma aposta arriscada e de uma, moralmente questionável, aliança com o pmdb do cunha e do renan. 
por uma semana menos decisiva e a volta ao trabalho e ao diálogo. Vamos ter eleições novas apenas em 2018, até lá temos que cuidar da inflação, desemprego, e todos os problemas sociais do mundo. Decisiva mesmo só a semana do colorado, mas aí é futebol... 

07 junho 2015

a dupla dinâmica

"Essa recessão vai durar o quanto for necessário para recuperar a indústria. A indústria sofreu o efeito dramático da política cambial. Todos os estímulos foram incapazes de compensar o prejuízo de valorizar o câmbio para controlar a inflação. Nunca faltou demanda para produtos industriais. O que faltou foi demanda para produtos industriais feitos no Brasil."(Delfin Netto, na fsp, 07/06/2015)
O Delfim Netto é muito educado e cuidados no uso das palavras desde a época dos militares (esse é um comentário para não esquecermos de quem estamos falando, mas não deve contribuir para o argumento). Uma interpretação livre e possível da entrevista: ele está mandando uma mensagem para o Governo e para a própria presidente, afinal ele é um dos conselheiros da presidente, informal, o que é outro ponto que deveria ser criticado, mas fiquemos com o relacionado a industria no Brasil. O argumento é engenhoso e é o idêntico ao do Bresser, só que melhor articulado e mais sútil e gira em torno do mesmo ponto: há desindustrialização no Brasil e para proteger a indústria nascente temos que fechar novamente a economia e deixar o cambio flutuar para o lado certo, ou seja, deixar a desvalorização real do real atingir o ponto da impossibilidade do que é externo em produtos. È a penúltima fase do modelo substitutivo a fase Bresser-Delfim o fim do mundo. 
Nenhuma palavra sobre o que deveria ser feito para que a industria brasileira consiga produzir o melhor e o mais inovador produto no mundo com qualidade, baixos custos e sem subsídios ou protecionismos, uma peça dura e difícil de elaborar, mas mais interessante do que o atalho proposto pela dupla dinâmica, que se resume a intervencionismo dependente e irresponsável.

31 maio 2015

Sem poder

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos deputados, lembra outros presidentes do legislativo no Brasil, inexpressivos, mas ardilosos, costumam prosperar quando o presidente do executivo é fraco ou quando a base aliada não é muito aliada e tampouco base, eis o caso. 
O governo vem sofrendo derrotas seguidas, a própria eleição de Cunha uma delas. Junte-se à mediocridade de uma pauta confusa a um ambiente econômico e social de indefinições e oportunismos prosperam. Nesse ambiente, mesmo temas e propostas não tão absurdas assumem ares de absurdo em mãos tão inapropriadas. 
Denunciado pelo procurador Janot, ele, Cunha, deveria ter sido afastado da presidência da Câmara por cautela e bom senso. Não há a mínima chance desse congresso atual aprovar algo legitimo quando os presidentes das duas casas estão sendo investigados, vale o mesmo para o executivo, não há mínima chance de um governo tão fraco conduzir reformas importantes. Perdemos tempo com essas supostas reformas. A oposição e a situação deveriam construir um acordo e afastar os dois suspeitos das respectivas presidências e concentrar esforços na governabilidade e na preservação da saúde econômica do país. 
Esse é um desabafo ingênuo e inócuo, mas alguém vai entender ou aceitar que a reeleição acabou numa legislatura conduzida por Renan e Cunha e durante o mandato de Dilma, a Roussef?? O mais sensato seria cuidar de arranjos mais simples para retomar a credibilidade e o dinamismo da economia e resolver questões complexas nos próximos congresso e governo,

25 maio 2015

moleira plena, o bardo.

 descemos para o centro para caminhar por ruas novas (sic), logo na primeira rua, calçadas largas e mesas com gente de todo lugar do mundo, 'mira' e o característico agradecimento local, italianos  e risadas sonoras, mais, muito mais, do outro lado da rua uma barbearia com o título convincente de "hair´s design" e uma variante árabe do mesmo nome. A barba desproporcionalmente grande desde o inverno passado e o voo dos patos no córrego ao lado da cervejaria, foram decisivos, entramos, a hora é agora.
Levei alguns segundos para entender que deveria sentar e esperar aproximadamente 20 minutos.  Escolhi um sofá grande nos fundos em frente a um barbeiro jovem de óculos moderninho e relativamente baixo, que lembrava muito um lateral esquerdo fluminense, provavelmente árabe. Entre duas guris, filhas do senhor à minha direita, e de vários fortões, um deles com uma clássica de salto alto no colo, aguardei ansioso.
Acompanhei o corte de cabelo dos fortões, em silêncio e com uma expressão corporal de fadiga, o barbeiro seguia sempre o mesmo roteiro, com a máquina raspa tudo atrás, depois molha o que sobrou na moleira, remodela com a tesoura, e, não satisfeito,  passa a navalha atrás. O resultado era sempre o mesmo, uma combinação de Ronaldo fenômeno contra a Turquia e moicanos do Guarani de Sobral...
Passados 15 minutos e três cortes iguais, comecei a desenvolver manias persecutórias, lembrei que as gurias riram quando entrei, comecei a elaborar o porquê. Eu era, afinal, o estranho naquele lugar e já imaginavam meu cabelo no formato moleira plena. Imaginei um plano de fuga, na minha contagem, seria o próximo, tarde demais para desistir, perguntei ao vizinho se todos os cortes eram no mesmo formato, ele respondeu, 'sim, você poderá ser atendido por qualquer um', pelo nível de comunicação seria o corte mais definitivo  da minha vida e seria o alvo de piadas no seminário das terças, e, provavelmente, teria que adiar meu retorno, já me via preparando uma carta formal solicitando mais prazos, sem revelar integralmente os motivos.
Chegou a minha hora, solicitei barba e cabelos curtos, mas cuidado com a máquina, mostrei uma foto de 10 anos atrás no celular, o lateral do fluminense não gostou muito e disse em alemão curto, 'não precisa mostrar mais  o celular', e assim fomos, em dado momento o meu vizinho da resposta se aproximou para ajudar na tradução, agora eram três línguas locais e a minha, 'muito bom' disse com voz tremula, 'agora o mesmo para a barba... mais, por favor'. Insisti que um lado estava assimétrico, e denso na frente, ao final tentei perguntar quanto era, nada de acordo, levaram-me até o caixa e paguei doze pila, uma quantia justa para um belo trabalho.
'O senhor esqueceu a mochila..',  dizia o meu interprete e personal-estilista já na calçada, agradeço efusivamente, atravesso a rua e vou comemorar o voo dos patos e a  não navalhada...