12 janeiro 2009

da série manchetes alternativas

efeito bumerangue: presidente brasileiro em posicao de desagravo

milicia taliban agride a imprensa livre

100 mil mortes na guerra sem fim

indignação com a guerra do iraque é motivo de chacota na costa do marfim

presidente engraçadinho provoca constrangimentos

casseta e planeta lança novo hit: a sapatada do barbudo

o Sapato era da Ministra





10 janeiro 2009

Aqui jaz

a viagem a Aquiraz no Ceará só ilude quem nao quer ver a realidade, a natureza, generosa e delirantemente bela, turva a visão do viajante, mas, certamente, os efeitos sobre a população local da agressiva ocupação urbana e do total descaso dos governantes com a limpeza pública, pavimentação e coleta do lixo, para ficarmos apenas no que é aparente, não deve ser algo agradável para a vida naquele paraíso. Impiedosamente, casas dos sonhos contrastam com o descaso, uma população simples e sofrida convive com carros de câmbio livre e muitas nacionalidades. Certamente, o problema não está no projeto arquitetônico ou na área construída das belas casas, o que assusta é a não existência de respeito ao espaço público, à via pública, o que pode beneficiar muitos não é prioridade. O doloroso é perceber que esse quadro acaba definhando a economia local, que depende de uma indústria turística sem infra-estrutura e de um comércio de temporada, um real desperdício considerando-se as belas praias, uma temperatura constante na casa dos trinta e sem nenhuma poluição. O resultado não poderia ser outro, a desigualdade aumentou nos últimos vinte anos e a cidade, ocupada às pressas ganhou uma via de acesso de 4 pistas, um roteiro dos sonhos direto do aeroporto para Aquiraz, sem escalas. Saia de casa com os olhos tapados, retire a venda diante das dunas, do mar ou do rio que bordeja as dunas, e não veja a jangada ancorada nas ondas, enquanto jazeias.

29 dezembro 2008

2009

28 dezembro 2008

mundo impossível




nas entrelinhas uma pequena pala da fala oculta, minha cidade não suporta o livre arbítrio, canhestra, sucumbe à fala demagógica da obscura idéia, enquanto isso, na rua dos bares, desenhos tortos são alinhados para, no entanto, resistir, enquanto podem, ao lugar comum, no ano que se aproxima, seremos todos vítimas de velhos demíurgos e suas teorias salvacionistas, veremos estradas obliteradas pela burocracia, vidas postas de lado, sem megafones, os gritos da urgência, sufocados por uma avalanche conservadora, mesmo assim, as perspectivas mudam e a vida escapará, matematicamente, diria o empalhador de lagartos.

Tecnicamente o marcador do tempo não se deixa contaminar por essa onda, segue a perspectiva paradoxal do cubo ao lado, sem poliedros simétricos, seremos vitimizados por uma onda de clichês, os objetos inanimados serão usados contra o contribuinte, mas a vida, essa deusa nosense, seguirá o seu rumo, esperando o fim da tormenta.

23 dezembro 2008

Ainda aquela vertente sonhadora

sonhos

18 dezembro 2008

na casadovivente


no ano colorado, a árvore despeja o tapete vermelho na entrada do prédio, vermelho é o dia, a praça, a rua, a saída para o aeroporto, a vizinha casa, a honorável comunidade que aluga apartamentos no condomínio, o padre da quermesse, os onibus da lotacao, a guarida e o cartão...todos vermelhos de glórias centenárias....

12 dezembro 2008

rio das árvores


no meio das árvores há uma cidade, uma peleja, desigual para a primeira e para o escrevente, corre rumo sem vento, apertado entre blocos, os passaros pousam nas sacadas dos prédios, atônitos e desarvorizados, desenraizados, como o olhar dos que ainda buscam a cidade baixa, ortogonal, vestal e levemente fragmentada, mas povoada de idilios, sons oblíquos e filhos da mae natureza.

07 dezembro 2008

achaques

acabou o campeonato, esse é um momento terminal, acabou, com esse jogo, o ano, todas as referências futuras serão eclipsadas por uma rede de notícias sobre quem vai e quem fica, e sobre como será o plantel da próxima pré-temporada, enquanto isso, os comentaristas vão encontrar as desculpas para o fracasso e as virtudes dos vitoriosos, por aqui, entre nós, a lição é óbvia, é preciso arranjar craques, isso não é suficiente, mas é necessário, times de jogadores esforçados e bem intencionados, operários da bola, não conquistam títulos, mesmo fazendo belas campanhas. Na undécima hora, prevalece o talento a disposição tática para o ataque orquestrado e o toque de bola que surpreende, envolve, empolga e apaixona, na vida, como no campo, pouca coisa se dispõe de pé sem inteligência criativa e sem visão aguda, nada de improvisos ou de marcação cerrada com jogadores desprovidos de habilidade, de técnica e capacidade de criar, esses times sucubem ao seu próprio ambiente e morrem na praia, invariavelmente. Não que um grupo recheado de craques seja um colateral imune a crises, nada é imune a crises, mas essa fórmula de mutiplicador linear e de curto prazo, conviverá sempre com a mediocridade dos empates ou de vitórias sem mérito, somar pontos nao conquista campeonatos quando o adversário sabe jogar.

04 dezembro 2008

me engana, vai...

a falta de um discurso claro só não é maior porque a conveniência permite essas acrobacias verbais, diz-se que esta na pauta, mas eu discordo, afinal sempre fui contra tudo que era novo e interessante para o país e que confrontava interesses corporativos arraigados, nossa agenda conservadora, prefere perdoar dívidas, cometer emprestímos para financiar amizades ideológicas, aumentar a despesa corrente e ampliar o tamanho do estadosquo, nada como uma retórica de aluguel para preservar a corporação, enquanto brinco com o futuro da nação de olho no calendário eleitoral. Tristes trópicos, terra brasilis, que pegou carona no atraso e conforma uma agenda sem méritos e completamente equivocada e cheia de truismos e sofismas, empurra o país para o interior da cratera, sempre a mesma liturgia maniqueista, simplista e de ameaça revolucionária[diz-se de quem aposta no atraso para confirmar suas crenças na beatificação do poder total].

29 novembro 2008

danos




a orla seminua não entende o poeta que observa a flor no cascalho brigando com a sina, viver entre pedras sob a areia da praia. Minas nao sabes onde fica, moras em porto alegre, vives na quimera, sonhas com arvóres centenárias do meio-norte, assim como vítimas da cegueira canibalizam a crise, a estátua inerte sofre danos no meio da noite. A idéia de celebrizar o modernismo com bronze e concreto não encontrou apelo nos anseios do povo, uma por uma, arrancamos a viseira do bardo, para atingir o insólito no calçadão. Deixem o poeta em paz, tolos e bestiais senhores de gravata da câmara baixa.


24 novembro 2008

boa noite

fuga do calendário, assim termina o dia de viagens, reuniões sem objetivo claro, e poucas leituras, tirando-se o blog do leitor único, e as traquinagens do mister obama, que acaba de indicar uma equipe econômica quase continuista, [digo pelo que leio não pelo que sei], ficou a impressão de que o verão vai ser longo e seco e que a corrente humana vai seguir seu destino, inapelavelmente, continuaremos a sofrer com rupturas unilaterais, com a insensatez da oposição, com a insensibilidade dos que partem e com a mímica da autoridade que tenta convencer o pobre consumidor a aumentar sua dívida mesmo sem garantias de renda futura, outro tanto, seria motivo de comemoração as vitórias emblemáticas da oposição na terra dos bolivares, [sempre aparece uma luz nas trevas, mesmo que tênue e esqualida a democracia continua a florescer], já entre nós, só a alegria antecipada com o provável reencontro dos amigos para "quebrar" algumas garrafas de espumantes na rua principal da república dos sonhadores, oxalá, tenha a tal greve terminado, os sinos dobrados e a rua, luminosa e povoada, como sempre, receba a todos sem parcimônias.

21 novembro 2008

cidade real...


18 novembro 2008

esquinas na praça


12 novembro 2008

dos oportunismos


comportamento oportunístico é racional, mas ter senso de oportunidade pode ser sinônimo de empreendedorismo e visão articulada das oportunidades do momento. Nenhuma nem outra são atitudes insensatas, porém devem obedecer a um crivo moral, sem dúvidas, mas todas, a seu modo e a seu tempo, são representativas do momento de crise, como sempre, desgasto-me com essas manifestações, mas reconheço a sua racionalidade, eis uma lista de impropérios:
marx e a crise, os fundamentos já estavam no capital
keynes ressurge com impeto e forca
obama e o new deal, o importante é nao cometer o mesmo erro de F.D.R e gastar estupendamente mais no curto prazo
desensolvimentismo no Brasil: 1930-2008(sic)
o mercado não é eficiente como já dizia Aglieta, o Estado, ah!!! o ESTADO!
a crise é a pá de cal nas reformas neoliberais da década de noventa
o declínio do império americano- 19- remake
blábláblá....

08 novembro 2008

improvisos


o mestre sem peias esqueceu na "bulé" o chapéu de pescador, rumo incerto trouxe-o até esse esquecimento, mero acaso, insistem as suas cismas, enquanto caminha de volta para casa. No horizonte, uma fuga, uma garganta seca e aspera, uma vontade de sofrer a dor da alegria sem pausas, sem mediações, apenas aquietar as pernas, também doloridas, repousar, enfim, depois de tantos quilometros na estrada, redefinir o alvo, apurar os sentidos para ouvir o grito roco dos quero-queros defendendo a ninhada, nada eufórica essa distração das horas, apenas uma rede a balançar na sacada movida pelos pés que apoiam-se no peitoril, ainda é cedo para o fim da tarde, adormecem os ditongos, poemas esparramados na lembrança, um debater-se sem contas, uma resma de palavras postas de costas para o mar, interior.

05 novembro 2008

Liberal


"na realidade, como sabemos, tudo é sempre muito diferente." (Sebald)
O antiamericanismo acaba de sofrer um golpe terminal, regojizo-me com a democracia, a máquina velha emperrou na hora da eleição, mas funcionou plenamente durante 50 anos initerruptos. O sinal claro das urnas: chega de intolerâncias e discursos radicais, o centro agora é, além de plural, multiracial, e emblematicamente livre, parabéns aos democratas, e ao povo americano, sim, nós podemos acreditar nos arranjos humanos.

03 novembro 2008

a visita


a motivação para mais uma feira do livro, apesar de muitas voltas e muitos livros, nao se confirmou, atende por Sebald, mas poderia apenas compor o balaio de qualquer sebo ou livraria, o motivo, é o que menos importa afinal é mais um livro que será lido, relido e comentado com os demais, mas tem sido assim, um desejo inesperado por um livro qualquer e lá vamos nós, descumprir a promessa de nunca mais visitar, etc, também como sempre, acabamos comprando o livro que nao procuravamos, no caso, a compra, ou seria autocompra, se justifica, porque é mais uma obra do breviário do escrevente, um artigo, num livro de autores, organizado pelo Paiva e publicado pela edunisc, acertou quem palpitou que lá vem mais um artigo sobre convergência com cadeias de markov, a novidade é a competência do co-autor, que empregou diligência e método nessa empresa, aliás a tarde e noite de autografos será nessa quarta de olho na bombaneira, irei à praça, pela segunda vez no terceiro dia feira.







02 novembro 2008

livro das citações


"intervenções do Estado no domínio econômico [tudo entre aspas] têm mais chances de funcionar quando feitas por gente que acredita em mercados e vê a intervenção como exceção, não como regra." Gustavo Franco.

"a economia de mercado tem mil anos de serviços prestados ao passo que os experimentos sob os auspícios de Marx, Lênin, Stálin, Fidel e Chávez, são nada menos que trágicos." Paul Samuelson, by Gustavo Franco.

"a heterodoxia econômica aproveita-se da confusão para sair do armário. Pior para o contribuinte." Carlos Eduardo Soares Gonçalves(CESG).
"não há evidência empírica robusta de que maiores gastos do governo tragam alento à atividade econômica no caso de economias em desenvolvimento e com nível de endividamento não trivial"(CESG)
"Em resumo, o choque externo reverteu as condições que permitiam o crescimento rápido da demanda doméstica com efeitos inflacionários mitigados (não eliminados) pela disponibilidade de importações. Insistir em manter a demanda doméstica acelerada só há de trazer mais depreciação cambial e inflação." Alexandre Schwartsman
"na prática, se os consumidores cortassem gastos, o Fed responderia reduzindo os juros, o que ajudaria a evitar a recessão e levaria a um aumento no investimento. Então, a virtude é virtude [o ato de aumentar a poupança por parte dos consumidores], salvo se o Fed não conseguir impedir a queda nos gastos do consumidor." Krugman


01 novembro 2008

oportunidades reais

base angular, sobrepeso na conta de chegada, uma leve carga na algibeira, um destino a mais, sem vaga-lumes na noite das apostas, sempterno, sombrio é praia, mesmo corte lateral, vigas mestras do classico enredo, nostalgia da mediúnica previsão, todos "santos guerreiros contra o dragão da maldade", citas, mas não acertas, erras por ideologias mortas, por passagens obscuras de livros idem, porventura, ousas pensar em outras possibilidades??? Na feira livre os livros repousam nas caixas de papelão, enquanto isso, a cidade dos holofotes repisa as suas tradições, ocas midias reprisam o teatro das pandorgas, mesmas falas em chavões, lugares comuns, clichês surrados na festa dos sebos, sem graça os passáros abandonam as arvóres à própria sorte, com medo da cidade vazia de livros e de idéias, a mesma crise, com a mesma sugestão de respostas dos manuais agastados pelo tempo, reproduzem idéias mortas do século das dores, sem dissimular o regojizo e a felicidade com a mesmice, velharia velhaca, apenas, implora-se, deixem os livros em paz, desocupem a praça e esqueçam a letra dos inocentes pombos da alfândega....