01 junho 2009

boteco news


Não que eu consiga, mas é possível tentar, por aversao ao risco sistêmico, evitar os corredores, as ruas, as esquinas onde todos que passam sabem o teor da conversa de botequim, em temos inesquecíveis, tudo começava na floresta e terminava na bahia, ou o contrário, sempre na veia poética ou nas ladeiras depois ou na contorno, um dia que outro na liberdade, de passagem para savassi vindo de goitacazes ou timbiras, pouco importa, seus castelos pavimentados por um império de palmeiras, no coreto uma pausa para descansos, uma que outra subida na afonso, desciamos curitiba, na volta, depois do obelisco da praça sete, estamos em boa viagem, desce e sobe rumo aos cavalos brancos de sabará e, noutro canto, ouro preto, minas nao sai da cabeça...

30 maio 2009

Bicicletário


não trafegas na mesma rua, tua manifestação contemporânea, tua autocontemporaneidade, como diz Cicero sempre aos sábados- é bom que se diga - nao vicejas lamber as feridas das ruas sem sinal, ruas movimentadas por linhas tortas, minaretes na vertente norte, sonhos esquecidos na corda que alinha o esgoto, vertigens sem fio, minimas expressões musicais, afinação temática, pura horda de maltrapilhos, tortos, a amiga que liga, o teatro dos malandros fora de hora, o presságio de vômitos, das dores, espirras enquanto porfias, nada mais, nessa cidade das provincias, contemporanemante marcada pela melodia de uma viola da gamba, em cerro largo, em algodões, tragados pela água que represas...

29 maio 2009

uma breve pausa

sonhos e uma nova série...

28 maio 2009

poenoite


O Catador de pregos

Um homem catava pregos no chão.

Sempre os encontrava deitados de comprido,

ou de lado,ou de joelhos no chão.

Nunca de ponta.

Assim eles não furam mais – o homem pensava.

Eles não exercem mais a função de pregar.

São patrimônios inúteis da humanidade.

Ganharam o privilégio do abandono.

O homem passava o dia inteiro nessa função de catar pregos enferrujados.

Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.

Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.

Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.

Garante a soberania de Ser mais do que Ter.

Manoel de Barros

27 maio 2009

A lenta agonia, apesar da bela música.



Insidiosa corporação vai proteger outra corporação, aquela dos contratos dúbios e das contas reprovadas pelo tribunal das contas, assim, como está, os quixotescos oposicionistas do congresso, vão tomar um vareio e ainda correm o risco de virarem vilões perante a opinião pública que, na terra de cabral, é guiada por uma certa imprensa que segue a máxima, para uns a regra da lei, para os queridos o editorialista tem autonomia, os demais calam, diz=se de quem escreve jornal como um cidadão orsoniano, nesses momentos, a velha dama, a dona dos meus sonhos mais alegres, a democracia, fica vulnerável e sofre de atentados patrulhadores e de aparelhamentos do espaço público por partidos ou por coisas menos nobres, que alguns chamam de terceiro setor, mas que seria sensato, nao generalizar e apenas indicar que os que assim agem, sao oportunistas velhacos, nada mais...

26 maio 2009

eu também senti...

mexeu e, como quem levanta uma plataforma de bons momentos, silenciosamente deslocou as emoções, os sorrisos inocentes dos amigos distantes, gargalhadas soltas entre uma baforada e outra do bom coiba, sopesando uma dose generosa de conhaques da terra, saudades audíveis na outra serra, gaucha, mas já do mundo...naquele momento vibraram os que hoje souberam que os meus amigos sentiram a outra vida que ajudaram a sonhar, afinal, somos, humanamente, esperança e lida, idéias de arquipelagos, ligados por abstrações, equações e um sopro de poesias compartilhadas com os pais da bia.

levemente outono

Cai chuva do céu cinzento
Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.


Quem eu pudera ter sido,
Que é dele?
Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse
menos!


Fernando Pessoa

24 maio 2009

a barca


ainda em apuros, os naufragos agarram-se a uma pequena esperança, o fim rápido da tormenta, que ainda não se formou completamente no horizonte, a segunda fase, dizem, agudiza a dor, prospera em dor, sufraga a intriga e semeia a dissidia, minudências atiçam a imaginação, o cerebro primitivo dos seguidores do grande líder, e ele próprio, ameaçam a tripulação com o mote salva-vidas: perpetuaremos o poder na undécima hora, mudaremos a regra e continuaremos, indefinidamente reeleitos. Nada que os humanos já não saibam, afinal na vizinhança todos mudaram a constituição das regras ad referendum...

22 maio 2009

conversare e invitare

x. fale-me da sua dor de cabeça.
y. é uma dor sinuosa, doem os olhos e, em determinadas posições, o incomodo cresce, mas nao é o tempo todo forte, apesar de persistente, já dura quase 12 horas.
x. e o dólar, hein?
y. pois é, como tudo, nesse país, a culpa é dos juros altos, diz que baixando um o outro sobe, sem pestenejar, é uma relação inversa perfeita, não sei como não pensei nisso antes. Baixar os juros e correr para o abraço, teremos resolvido a falta de segurança, as balas perdidas, a má distribuição de renda, a nossa falta de educação e os maus costumes, diz que até o grêmio vai começar a jogar futebol...
x. seu tom é meio irônico, afinal, o grêmio...
y. reconheço que é uma alegoria, mas até a petrobras, agora que ameaçam abrir a caixa preta, começou a descobrir petróleo em toda esquina, em qualquer campo minado, dizem que até em poço artesiano na sombra do coqueiro. A regulação do senado parece que é mais efetiva do que anp, ou melhor, gabriela subiu no telhado, dizem que vai privatizar, digo, pular.
x. e os juros?
y. como nao sei o que dizer sobre causaçao reversa e nao entendo muito de nao lineariedades, prefiro ouvir as notas do acordeon: jurosdescem, jurosreais, desconjuros, deuscomjurospune, com inadiplentes falas, com deliquentesprosperas
x. confuso, nao é?
y. simples assim, baixa os juros, melhor, faz um referendo e estatiza o cidadão, assim mesmo, facil e sem sabor.

20 maio 2009

previsões

assim como desce, sobe, agora, o governo, leia-se, o seu articulista mor, resolve tomar uma dose de sinceridade e falar um pouco mais abertamente sobre a realidade ignara, menos mal, porém, seria melhor que o governo tomasse um porre de sinceridade e falasse toda a verdade, afinal as contas públicas e o astronômico gasto com folha de pagamentos e previdência são uma bomba relógio montadas nesse governo em nome de uma visão ultrapassada e grosseira de condução da coisa pública. Na próxima serenata vão admitir que estão falidos e que não há como honrar os gastos permanentes sem aumentar impostos e emitir moedas podres.

19 maio 2009

o alfaiate recortado


tarde ainda, volto ao portão para conferir a tranca, mesmo sabendo que já havia fechado, não há porque lembrar os tons daquela voz, nitidamente, nao captas, nao captura a essência daquela forma, espelhos partidos, fístulas cardiopáticas, no horizonte, uma tarde como outra qualquer, sem apuros, retomas leituras nos intervalos das assinaturas, a lenta agonia, mais um dia sem brilhos, apenas a pele morena dos retratos de degas e a expectativa das dores, sem atenuantes...

Pedro, o grande.

17 maio 2009

ph ácido

o segundo gênio da raça, na opinião, nada isenta, de um deputado do mesmo partido, o nosso homemholofote, condena uma investigação sobre as contas da estatal do petróleo, diga-se, no mesmo tom, que o mesmo partido, persegue no rio grande, diz-se de quem mantém com tenacidade ferina uma única tecla, melhor, três, cpi, sobre qualquer coisa, a qualquer preço e usando qualquer método investigatório. Exigir coerência de quem briga pelo poder é uma impossibilidade lógica, nao passará, e se passarem, eu, certamente, estarei fora, go out, em tradução livre. Particularmente, prefiro discutir idéias e suas consequências, lá como cá, assusta-me o denucismo e a falta de opiniões sobre uma alternativa ao bolsa família e o bolsa pra tudo, assusta-me a gastança e o inchaço da máquina pública, a falta de regulação ética dos lixões na rampa da enseada, assustam-me os cachorros soltos nas ruas do meu bairro, a falta de livros na cultura e a insensatez da esquerda latina, o radicalismo na zona rural em marcha lenta para o espaço urbano, a insistência de velhos temas na academia brasiliana, a secura na garganta, em brasilia, os embustes na entrada das cidades administradas pelo fbapê, a rua suja na cidade turística do nordeste, a vida sem sentido no planalto, a fome na tradução do drummond, a dor abdominal, a volta de uma estúpida ditadura-retórica...

Castelos


"Os seres humanos são minúsculos centros de consciência no vazio que só dispõem de seus corpos frágeis para proteger-se do infinito que os pressiona - criaturinhas que crescem e constroem em oposição ao aniquilamento do espaço do mundo inorgânico." (Edmund Wilson)

14 maio 2009

Cometas


sem sono, o cometa, rábula, de gosto estóico, convencido de que "nunca antes", esteve por aqui, passou a debulhar a sua cansada e surrada gramática, poucos suportaram a cantilhena,lamentos acompanham o seu, nosso, final de noite, mas vale o relato, afinal, "cometas que passam perto do sol perdem a cauda", manchete de jornal populista do sul. Enquanto isso, o meu ritmo segue em estribilho, sem folgas, na estrada, agora a 110km de Curitiba, Ponta Grossa, é a graça do lugar, a trabalho, always, querendo ocoupar todas as horas para nao lembrar do dia e suas manchetes, marchas forçadas contra a democracia, acusações sem o benefício da dúvida próreu, execuções sumárias na praça da matriz, cambaleante e jorrando lágriamas, o bom senso e a democracia, pior é a poupança e seus números cabalísticos, pronto, se o candidato a caudilho concorrer ao terceiro mandato, farei campanha pela volta do real e seu líder, farei isso e uma viagem ao santuário da ilha do bananal, devidamente aboletado na carcunda de um místico jegue de petrolina, vale de lágrimas, apesar da comicidade dos lugares, gestos e slogans...

13 maio 2009

Saudades

12 maio 2009

Papo furado


doidivanas contumaz, repito, em meu documentário sobre a vida selvagem, uma porção do título de outro blog, esse, melhor, aquele, no entanto, de teor e conteúdo didáticos e sérios, não esse, agora sim, que apenas atende ao capricho das dores, e reproduz em pequenas doses, o dia-a-dia de uma vida celineana, sem prolegomenos ou aditamentos, afinal, desde mui tenra idade se sabe soletrar as vermelhas poesias vermeeninas, ao contrário da outra odete, literária e vogal na comarca de soutomayor, sitio repleto, aliás de boas maneiras da paris de um outro poeta asmático, melhor assim, diria o selvagem documentado, melhor render votos ao mundinho sincopado da provincia, onde, as azaléias nao enchem os olhos do idealista ou de um sonhador...Nesse instante, em poucas palavras, os homens rompem a sua impossibilidade, assimetria endógena na corcova do herário, ministros despoupam os que poupam, bolsas tropeçam na incerteza das democracias latinas, américanas, as casas, suspendem os contratos com os fornecedores que esperam na fila do lado de fora da chuva que nao veio, mínimas lembranças de um dia cansativo e sem graça...

11 maio 2009

È fila!!!!

10 maio 2009

number one

Fazendinha...


Funeral de um lavrador
Nesta cova em que estás, com palmos medidos
É a conta maior que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe neste latifundio
Não é cova grande é cova medida
É a terra que querias, ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto pouco
Porém mais que no mundo te sentiras largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifundio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho, que estavas no mundo
Mas a terra dada não se abre a boca
É a terra que querias ver dividida.

(João Cabral de Melo Neto)

04 maio 2009

Descampado

viagens, uma sequência delas, brasilia by contribuinte, mas legitimamente conquistada, nao tenho padrinhos na esplanada, nem posses na algibeira, uma falta e outra, obriga-nos a cumprir o tema, dessa vez no descampado, na grama seca do altiplano, nas cercanias do brejo, na cidade alheia de desenho artificial e, miseravelmente, sem sentido, numa dessas paragens do brasil dos tres poderes, miscelanius, diria o senador de aluguel, filho e neto de coronéis, vice-rei da maracutaia e do caixa dois, ministro em chefe dos bilrros na calcada alta, mitigadamente, nao bebo bebidas amargas, sem açucar, a saber, meto-me em trajes de passeio a cata da corte das ideias poucas e das ruas largas e eixos monumentais, irei, mas nao ficarei por lá....

03 maio 2009

02 maio 2009

Non cooperative Games



John Nash Jr.

01 maio 2009

Lancamento do pré sal



"Isso é uma coisa mais velha do que a descoberta do Brasil",

"Eu não acho correto, mas não acho um crime um deputado dar uma passagem para um dirigente sindical ir à Brasília"

"Qual é o crime de um deputado levar a mulher para Brasília? Graças a Deus nunca levei um filho meu para Europa, vocês dão dimensão demais a uma coisa que pode ser corrigida pela própria mesa do Congresso"

"Eu não vejo onde está o tamanho do crime que as pessoas estão vendendo"
(Luis Inácio, 2009/05/01)

Meditabundos

30 abril 2009

Imagens sonoras



Toca o sino pequenino
Sino de Belém,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora tem.

É Natal, é Natal,
Vamos sem demora,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora adora

29 abril 2009

Uma pequena milonga missioneira


Mitongos, tu tangas

Milhagens no cartão precisam de crédito,
juros não caem de amores pelo descrédito,
palavras são ameaças vazias,
fiscal é o ajuste do orçamento
para consecução do investimento,
parreiras no outono são quitandas,
chuvas só no inverno,
ladainha é mudança abrupta,
la ninha, a mesma coisa, com exatidão,
misangras, lamento dos charcos, chuvas,
sublime é a expressão da vida,
sucumbes....

O rei de Frigia e seus tentáculos


Górdio é nó, sem sombras, esse infeccioso vírus, vilão da barafunda, instala-se nas dissecadas mentes teológicas, e sem saber, repete, como um mantra, a sua ladainha, em outos tempos, seria melhor esmagar o carro com a retroescavadeira e desabar sobre o precipicio a fúria de latarias e outros desmanches, por agora, aceito o argumento, todos estão certos, todos estão errados, no fundo isso é real, mas como o diz o refrão:
"Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim..."(Paulinho da Viola)

26 abril 2009

Arapucas

instrumento de caça, armadilha de origem indigena para pegar pequenas presas em descompasso, pois é, mesmo imprecisa e incompleta, essa definição, serve para o que proponho, e, assim como equilíbrios de baixo nível, deves evita-las, no Brasil, como em qualquer outra parte do mundo, essas conviclções macroeconômicas prosperam, e, ao relata-las, mesmo querendo diminui-las, acabas por legitimar um debate inócuo e sem sentido, deixe-os todos com suas crenças, afinal o importante é usar bayes com alguma precisão e supor que o jogo é repetido, afinal, mesmo com uma funçao aprendizagem linear e com poucas conexões sinápticas, é possível pensar em vida inteligente nas nossas fronteiras, ao tentar colocar o debate em um nível racional acabas solidificando o nó, é mais ou menos, como esticar a corda para tentar desata-la, acabamos eternizando as posições rígidas, com perdão da redundância....

25 abril 2009

sábado a tarde



um leve soco, sem traumas, apenas um aperto de mão, uma falta de expressão no olhar, a pena leve sobre a pilha de papeis sem datas, mas, em todas as direções empilhados, morre-se assim, acumulando papeis rabiscados aos montes, efeitos autoreforçados de um pastoreio nas margens daquele rio, semprevivas, lembranças, saudadesdadescidanamontanhadasonças, pintadas de verde as arvores, redes armadas em varios niveis, arapucas na descida para o riacho, andorinhas, juritis e uma pedra rolando ao som dos gravetos quebrados...

23 abril 2009

abóbada

sua excelência deveria respeitar meus termos, afinal eles nao estao aqui para se defender da injuriosa calúnia que ora proferes...nesses termos, de caso pensado ou nao, poderia começar a fanfarra dos sabichões, arautos da malidicência, registro impecável da articulação insidiosa em outras paragens, diria o meu amigo dos povos, não me relevem a importância da manifestação contra os arbitrários desmandos nos campos e pradarias...seja como for, nao vai, nao dessa forma, bem a nossa vontade de ser livre e civilizadamente um povo, ou um arranjo mais estável, entristecedoramente lamentável, diria o bomsenso reclamando das suas aflições, e pensar que nessa colunata, naquele ricão, estão doutos de tremenda estampa, fina, não sabemos ser, afinal, os dias sempre revelam o que não queremos saber, pachorra na masmorra, ou palhaçada no picadeiro, metaforicamente, é óbvio, afinal...

22 abril 2009

película

protejam-se, grita o capitão de guardas, diante do ataque surpresa das bolsas, passagens são emitidas a revelia das cotas, vale tudo, passe livre, alguns viajam a passeio para "zeuropa" com a familia, amigos, gatos e cachorros, turismo nas asas do eixo monumental ou plano piloto, outros, mais espertos justificam as passagens da companheira, sic, outros falam de companheiros de ideologia que viajam em suposta antecipacao da campanha, outros ajudam amigos e vizinhos, ou um conhecido, afinal cumprem, com o dinheiro do contribuinte, o mandato federal, alma gêmea das garsas, abutres sobrevoam o plano piloto, sem cerimônias, viajam na estacão das térmicas em planador do herário, pelo menos usam energia limpa, já o manuseador de palavras, vive de dores nas costas, falta de sono e de apetites...

20 abril 2009

Andrés Segovia



minuetos, serenos enlevos de uma noite de outono na ilha dos acores, vista de longe parece pacata e pacifica, de perto a realidade se impõe, sem mediadores nortenhos a vida da cidade baixa é o único feixe de luz pacificadora...

mineiridade da rua da bahia

novostempos


"Jamais foi sugerida uma explicação moral coerente para abandonar um sistema que fornecia capacidade valiosa de inovação, pesquisa, solução de problemas, crescimento pessoal. Os socialistas e os corporativistas jamais ofereceram um modelo alternativo de boa vida." (Edmund Phelps, 19/04/2009, fsp)

19 abril 2009

a bailarina e a outra pessoa.

polifonica e madrigal, ela, a bailarina, nao sabe o que dizer enquanto gesticula com o nariz, a mao espalmada tenta acalmar as narinas num gesto delicado mas de efeito real, feiticeira de faixas, divertida e inteligente, como todas as fadas, mas nao sabe o que quer dizer o seu sobrenome alemao, de gestos largos, e frases curtas de efeito tepido como a agua de banho daquela queda dagua em melbourne, ou em mangaba, outro tanto, sua vida em codigo nao revela, seguidamente, ainda moram na mesma rua, na mesma casa separada, mas em dias, irao ter, em anedoticas bebedeiras, uma grande e inusitada noite de alegrias, diz que dança, mas eu nao sei....

17 abril 2009

cenográfico, o muro, não o significado da sua tragédia


a notícia, em tempos de banalizações, chama-se de noticia qualquer martir da inocência, mas suponha que a aplicação do termo mereça uma nota, nesse caso, do muro, da queda do muro, ergue-lo, mesmo que cenograficamente, fere qualquer sentido mínimo de dignidade, nos corredores da cidadela suja e obscura, muitos foram mortos e perseguidos apenas e tão somente porque discordavam do leviatã sombrio, frio, calculista, gosmento e pragmático para ceifar vidas e prender qualquer expressão livre nas artes, na música, na ciência, na política, nas zilhões de formas de ser humano. Lugubre e soturno, ele, o muro, esconde a miséria dos que mandaram/mandam ergue-lo em nome de uma idéia, que no diminutivo chamamos de ideologia...

Princípios de justiça distributiva


(1) Todas as pessoas têm igual direito a um projeto inteiramente satisfatório de direitos e liberdades básicas iguais para todos, projeto este compatível com todos os demais; e, nesse projeto, as liberdades políticas, e somente estas, deverão ter seu valor equitativo garantido.
(2) As desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer dois requisitos: primeiro, devem estar vinculadas a posições e cargos abertos a todos, em condições de igualdade equitativa de oportunidades; e, segundo, devem representar o maior benefício possível aos membros menos privilegiados da sociedade. (RAWLS, p. 47 e 48, 2000)

16 abril 2009

"é bobagem achar que vou voltar"

"Vai de uma vez não volte mais
Vai porque eu não vou voltar atrás
Eu vou me acostumar
Não quero mais
Ninguém pra me enganar
Eu vou me acostumar
Não quero mais
Ninguém pra me enganar
Sei foi bom demais nossos momentos
Mas, foram momentos e nada mais
Vai, não volte nunca mais
O que eu falei
Não vou voltar atrás
Vai, não volte nunca mais
O que eu falei
Não vou voltar atrás
O que eu falei não vou voltar atrás
Não quero mais ninguém pra me enganar
O que eu falei não vou voltar atrás
Não quero mais ninguém pra me enganar. "

Epitáfio


"A superfície da vida que (Joyce) viveu parece sempre errática e provisória. Mas seu sentido central dirigia-se tão conscientemente quanto sua obra. A habilidade com que escreveu seus livros foi a mesma com que forçou o mundo a lê-los; a afeição sorridente que eestendeu a Bloom e seus outros personagens principais era a mesma que dava aos membros de sua familia; seu desinteresse pela parcimônia e convenções burguesas foi a esplêndida extravagância que o capacitou na literatura a transformar uma selva intratável num novo estado. Em tudo que ele fizesse, seus dois interesses profundos - sua família e seus escritos - mantiveram seu lugar. Essas paixões nunca cederam. A intensidade da primeira conferiu à sua obra a sua simpatia e humanidade; a intensidade da segunda deu à sua vida dignidade e nobre dedicação." (Richard Ellman, palavras finais da monumental biografia do Joyce.)

formigas no serro

Exausto



Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Adélia Prado



(xxx)


Dia



As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.
Adélia Prado

15 abril 2009

no sequitur

tenho agora, cá nesse mundo das palavras tortas e de significado nebuloso, um seguidor, trata-se de rapaz distinto, de saberes medonhos e de gostos dúvidosos, afirma isso seu caráter assumidamente seguidor desse blog, mesmo sendo, e assumindo ser, ele nao segue o blog, sempre desatualizado, prefere assistir novelas e "contracenar" com os galãs da globo, alegadamente do mesmo sexo, penso que ao não revelar sua preferencia pelas beldades do belo sexo ele poupa-se da inevitável explicação dos recemcasados, "vixe, nao sabe que prefiro as morenas", ou algo do genero, tudo pronunciado no seu, tambem ele, indefectivel sotaque oeirense da antiga capital...Peço perdão aos outros dois leitores, mas um seguidor que não ler já é uma grande conquista, afinal nada do que por aqui passa vale o que lerdes, ou algo assim.

14 abril 2009

cornucopia


devo está errado, é uma cisma sem peia, algo da minha cabeça, afinal, reduzir o superavit primario tirando a petrobras da base de calculo nao é uma estratégia oportunista para liberar a caixa das gastanças, nao, é, antes o contrário, uma sensata decisao para evitar o agravamento da crise, afinal, transparencia e sincera competencia nao faltam ao governo e aos diretores da senhora do petroleo brasileiros, sessentona madura, ja atravessou a ameaça de concorrencia dos leiloes competitivos e dos precos liberados, agora quer voltar ao monopólio deslavado e pleno e ao controle de precos com cheque em branco para gastar, nao, eu devo está enganado, vejo pelo em casca de ovo, vejo castelo nas nuvens, poeira nas lombadas dos livros de macro sujeira nas criticas de lucas, vejo até mesmo a volta da insignia lugubre na calada da noite do planalto, tormento siberiano, isso passa na primeira lufada de danos ao poder aquisitivo real, ou do real, diriam uns, mesmo assim, precisava exorcizar essa duvida, afinal que poderes tem os ministros da fazenda no meio da tormenta, senao pregar o que ja estava no economia politica de meados dos cinquenta?!??

13 abril 2009

quinze minutos....

ainda nao chegou a hora de marcar o tempo em minutos, mas ha uma inquietacao no ar, sufocas o ar puro, com tuas pilulas de sabedoria, uma leitura inacabada do roterio da boa prosa, uma pressa de nao pegar onibus, uma luz ainda por apagar, sinais de calor no outono, vitimas fatais no transito, livro em capitulos a espera do escrevente, ser somente leitor e repudiar a praga solitária nos campus de solimões, maneirismos verbais, nada mais....

12 abril 2009

clausura


"Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade." (Rainer Maria Rilke - Carta a um jovem poeta)

11 abril 2009

cenadoméstica

o breve dialogo entre o anaculeto e o doutor limpol, na saida do super:
segue firme o meu proposito de decodificar todos os passos da limpeza, em agua fria, dos instrumentos da mesa, uma por uma, as tacas e os pratos da festa serao revisados em cores e formas e alinhados em sitio apropriado, sequencia lógica e ritual preparatório, disparou o ansioso anaculeto, do outro lado, o doutor limpol mostrava-se distante e despreocupadamente evasivo, aboletado no carro de compras, mesmo assim, esbocou uma reacao, "use bastante espuma e nao esqueca de desligar a agua enquanto espalha os meus predicados na esponja, esponja essa que tem dois lados, um macio e de superficie menos resistente a friccao e outro mais apropriado para sujeira densa, crosta de fundo de panelas, e materiais mais sujeitos aos caprichos da força, quando calhar, apele para o meu primo, o palha de aco, ele ajuda no trabalho de restaracao do brilho e desbloqueio do trafego porém, o esseencial é distrair-se, esqueca o que está fazendo e acompanhe os encantos da espuma levemente alimonada, inebrie as narinas, discretamente, além disso, ajuda sempre, nesse processo de alheamento do lugar, uma boa música, mas tenha a paciencia de saber dividi-la com os inevitaveis barulhos da agua em pedra dura, velho ditado, mas de sentido apropriado para essa empresa..." Entendo, respondeu o ja euforico anaculeto, agora é só atender a pressao da hora ou ao chamado, nao menos inoportuno, das obrigacoes domésticas do fim de semana, palha, esponja, doutor limpol e uma sessao terapeutica para esquecer os dissabores da crise, a falta de tempo para leituras adiadas, a algebra dos hiperplanos separadores e a ida ao cinema grantorino, ou algo de sonoridade próxima...Perfeito, podemos começar, a ampulheta ja foi virada, e, se de todo nao funcionar, sempre podemos apela para quimica dos chocolates ou para o futebol no campo de pradaria agreste, ou algo mais forte para casos mais agudos de tédio.

10 abril 2009

Joyce, Hustons, e os dublinenses

noutrafreguesia


Belo Belo

Belo belo minha bela

Tenho tudo que não quero

Não tenho nada que quero

Não quero óculos nem tosse

Nem obrigação de voto

Quero quero

Quero a solidão dos píncaros

A água da fonte escondida

A rosa que floresceu

Sobre a escarpa inacessível

A luz da primeira estrela

Piscando no lusco-fusco

Quero quero

Quero dar a volta ao mundo

Só num navio de vela

Quero rever Pernambuco

Quero ver Bagdá e Cusco

Quero quero

Quero o moreno de Estela

Quero a brancura de Elisa

Quero a saliva de Bela

Quero as sardas de Adalgisa

Quero quero tanta coisa

Belo belo

Mas basta de lero-lero

Vida noves fora zero.

Manuel Bandeira (Petrópolis, fevereiro de 1947)

09 abril 2009

meditabundos- os sofistas e seus poemas


"o acrobat pdf que está sendo usado nao pode abrir uma pagina na web, feche-o para prosseguir na sua busca..." Mais ou menos assim deveria ser a pagina do policy maker, meu!!, teu modelo nao funciona, troca o programa ou procura algo compatível com uma economia próspera e dinamica, simples assim, não é, nunca será, mas valeria a pena buscar tal empenho, afinal que podemos nós depois das tantas decisoes erradas deles, os caras que tornaram a máquina pública insustentável no médio prazo? um colega tentou argumentar com a lógica do endividamento para atravessar a crise, algo como, nao tenho receita mas posso aumentar o passivo para azeitar a maquina de fazer dinheiro e recuperar as forcas da empregabilidade. Tao facil, quanto mudar de assunto no calor do debate e evitar uma rusga com pessoas amigas, mesmo no cenario improvavel de uma conversa de bar, nao funcionaria, agora imagina, quando o equivoco fiscal ja é uma realidade, melhor torcer para que a solucao externa seja rapida ...

08 abril 2009

Mutatis mutandis status quo ou algo do genero


no amago da questao reside a velha controversia que povoa a cabeca dos garcias e cias, como reverter a crise em oportunidade para cumprir a agenda do lider sindical radical? Paradoxos a parte, mudar o juros de instituicao bancaria como o banco do brasil por determinacao do presidente da republica é uma irresponsabilidade que vai gerar consequencias, sobre a instituicao, sobre a pratica democratica e sobre as contas publicas. Funciona, mais ou menos assim, um gestor público assume uma estatal e resolve baixar precos para atender a demanda demagogica do calendario eleitoral ou para aplainar a crise que se abate sobre economia, tudo isso por ato intempestivo e sem consulta aos custos reais, ao realismo fiscal e às contas e compromissos da instituicao que ate entao era publica, pelo menos era sustentada com dinheiro publico....vai o mal o que se anuncia, mistura de populismo com incompetencia continuada.

07 abril 2009

jogo dos sete erros...


TABACARIA (15-1-1928 )
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

05 abril 2009

lamentos de final de noite


"É como se enchesse minha cabeça de idéias, só não sei exatanente quais são." (in Aventuras de Alice, by Pinker, 2004)

04 abril 2009

porto alegre vermelha


Discurso na tribuna dos colorados:
sem saber o que dizer, caminho em direcao ao microfone, ha um clima de expectativa,afinal sao palavras ditas com emocao, mesmo sem querer, um pigarro, um morder de labios e um olhar perdido na multidao. "bom dia a todos, somos pela paz e acreditamos em contratos, bons amigos, na honra da palavra cumprida, nos vemos como quem sonha acordado, mirando o cavalheiro descendo a inclinada montanha em busca de conquistas e lutando em prol da boa causa, justica e trabalho, sem celebracoes, corremos os noventa minutos atentos e focados, dispostos a entregar a alma pelo resultado que nos glorifica, jogar bem, o belo espetaculo, de forma leal e com talento, privilegiando uma marcacao por zona e sempre valorizando o passe, a esgrima, a bela bola passada com elegancia e um drible sem piedade no adversario e na adversidade, nao reclamamos do juiz, somos virtude e sonho, esperanca e folego, sem discriminacao de cor, classe ou opcao sexual, vencemos porque acreditamos no que fazemos, lutamos pelos menos favorecidos, mas incentivando os mais criativos, brilhantes e talentosos, nosssos gols sao de placa e nossas faltas, sim cometemos faltas, obedecem ao principio da lealdade e da defesa de nossas conquistas, nosso adversário nao é um inimigo a ser abatido, é um aprendiz que deve ser goleado pelo irresistivel toque de bola e pela determinacao das boas causas. Mesmo agora que as pedras ainda insistem em rolar...parabéns!!!

29 março 2009

O melhor jogo do ano....



o gol do nilmar lembrou que ainda podemos sorrir, apesar das anedóticas noticias da corte, do senado em tiras, da faixa azul nos olhos do presidente que sofre de asia literária, da falta de chuvas regulares nos pampas, das dores abdominais e da falta de recursos para universidade pública, do bolsa familia, que não é bolsa, não muda a realidade local e empurra para debaixo do tapete a dignidade humana, além de manter intacta a armadilha de pobreza de regiões inteiras do país...mesmo assim, o "ópio do povo" ainda precisa de talentos e esse gol lembra que ainda podemos sonhar.

28 março 2009

27 março 2009

blue eyes....



meus avós pedem desculpas, afinal, nao desejaram que , seus/meus/teus, nossos olhos, blues no céu, infelizmente, também ele, azul, compusessem, tamanha peça de constrangimento e pilhéria, meus ouvidos, indignadamente, blues, sucumbem diante de tamanha, insólita e dantesca noite, meus dedos de tão roxos ficaram azuis, como os olhos do léo, como a viga que sustenta a torre baixa do parlatório, alienados, os azuis, saem à coleta dos carros na esquina democrática, porque existem, os dias azuis, impossibilitam a vida soberana, azul e plena de alegrias.

segundo o excelentissimo, eis o culpado pela crise...

26 março 2009

tempos idos...


"Restringir importacoes ou subsidiar a produção nacional acaba por elevar as despesas para os consumidores e para quem paga impostos. Isso deixa a populacao com menos dinheiro para gastar na compra de bens e serviços.
Devemos manter nosso compromisso com o livre mercado e continuar a trabalhar para .... Acredito firmemente que as economias baseadas no livre mercado oferecem melhorias reais no padrão de vida das pessoas. Seria um erro grosseiro desisitir desse modelo apenas por causa da crise econômica." Gordon Brown, 25/03/2009.

23 março 2009

dor(mias)


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

21 março 2009

by aigor




tédio, tuas referências nao permitem escapar da loucura convencional, entao, resignadamente franco, soletramos, física a tua matemática é pura e real...

boa noite

20 março 2009

xilogravuraras


nesse dia, irrompe, pelo cano senil, a popularidade do mister lugar comum, não que já não fosse esperada, ansiedade em toldos, a ombreira já posta na bursite do mago, dizia dessa hora, dessa expectativa, o mundo das coisas pequenas, sombrio e parvo, sucumbe diante da crise e, a idéia, reforçada pela necessidade, espera o dia que teremos uma lida sem a marcação pesada e maçante da excessiva carga, tributárias, ás vezes mimetizada pela ignorância dos negócios da república dos tiranos, agora não, outras vagas sopram nas costas das terras de além mar, colônia tardia do meu sonho, destino de esperanças, afinal o discurso sóbrio e sem palavras de improviso, rumo e destino, um e outro, nas nossas ilhargas, cheias de contras a receber, viva a queda da popularidade do lugar comum, chega de urdidores de chavões, chavecos, chaves de cópias sem portas, vulgo, o que queres é poder....


18 março 2009

poemimesado


Sempre evitei falar de mim,

falar-me. Quis falar de coisas.

Mas na seleção dessas coisas

não haverá um falar de mim?


Não haverá nesse pudor

de falar-me uma confissão,

uma indireta confissão,

pelo avesso, e sempre impudor?


A coisa de que se falar

até onde está pura ou impura?

Ou sempre se impõe, mesmo impura

- mente, a quem dela quer falar?


Como saber, se há tanta coisa

de que falar ou não falar?

E se o evitá-la, o não falar,

é forma de falar da coisa?

João Cabral de Melo Neto

17 março 2009

tarde na noite

dia sem glórias, não que o contrário seja significativo, mesmo porque essa distribuição tem feições normais, mesmo assim, a informática poderia ter funcionado melhor, eu poderia ter seguido os princípios básicos da retórica e deixado passar o palpite infeliz sobres os juros, afinal, tudo no Brasil é culpa dos juros mais elevados od mundo, enfim, uma trajetória sem a sabedoria dos manuais, sem a companhia da noção elementar dos eclesiáticos. Como consolo, a boa fase do colorado, o bom humor dos guris e a academia na esteira da dona da casa, no mais desliga isso...

14 março 2009

da curvatura da luz...


Ao fazer do combate a crise, uma peça de artilharia ideológica, o governo federal acaba afundando os microfundamentos da economia, colocando em risco, dessa forma, aquilo que busca preservar. Ou seja, uma trajetória de crescimento equilibrado. No atual debate, lamento muito, não há espaço para amadorismos e para discursos midiáticos pregando o juros de um só digito como a panacéia da sequela da sequela dos males de até entao e que, por conseguinte, desautonomizando o banco das moedas, teremos a redenção e uma passagem mágica para o pós crise, não funcionará, não captas, diria o pai de um amgio meu...Não há evidências diria o cético, o sol pode dobrar a luz, mas precisas provar a tua hipótese, como fez o fotografo do eclipse do sol de 1919. Aliás, "se a hipótese não admite teste, não é ciência, é ficção cientifíca"(anônimo)

No outro front as viúvas de furtado estão com as manguinhas de fora tentando recuperar o efeito biológico das águas vivas que depois de mortas, rejuvenescem as células e rumam para imortalidade, vamos com calma, nem o grêmio é imortal, nem o jonas é jogador e, muito menos o que foi furtado será recuperado, como quer fazer crer o filme-docunetárioapologético e de culto a personalidade, e como o próprio epiteto indica, de gosto duvidoso...

poesia na tarde


Os Meus Livros
(Jorge Luis Borges, do livro A rosa profunda)

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim.
As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.


(xxx)


JAMES JOYCE
(J. L. Borges, do livro Elogio da Sombra, 1968)

Em um dia do homem estão os dias
do tempo, desde aquele inconcebível
dia inicial do tempo, em que um terrível
Deus estabeleceu os dias e agonias,
até esse outro em que o onipresente rio
do tempo terreno retorne à sua fonte,
que é o Eterno, e que se apague no presente,
o futuro, o ontem, o que agora é meu.
Entre a aurora e a noite está a história
universal. Da noite vejo
a meus pés os caminhos do hebreu,
Cartago aniquilada, Inferno e Glória.
Dai-me, Senhor, coragem e alegria
para escalar o cume deste dia.
J. L. Borges.


12 março 2009

Crônicas



" Governantes, os bons e esforçados, viram objeto de ódio de adversários cujo o interesse não é o bem da comunidade, estado ou país, , mas o insulto, o desrespeito, a violência moral do pior nível. Aliás, nesses casos o nível não importa, o que importa é destruir.

Eis o paraíso dos transgressores: a lei é a da selva, a honradez foi para o brejo, decência tem que ser procurada como fez a séculos um filosófo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro. declarou: `procuro um homem honesto`. " (Lya Luft, 11/03/2009, Veja, p. 22)

11 março 2009

termonautas


para guardar, mesmo sem querer, entender


"Nos últimos anos, o governo brasileiro aumentou muito o gasto público com despesas que não podem ser reduzidas. Aumentou salários de funcionários, criou fórmulas de ajustes de salário mínimo que impactam fortemente a Previdência, contratou 200 mil novos servidores. Isso, agora, reduz a capacidade de ampliar os investimentos públicos para reduzir o impacto da crise." (Miriam Leitão)

10 março 2009

espetáculo do crescimento


a julgar pelo realismo dos números divulgados hoje, estamos em uma recessão crônica e sem uma alternativa viável para sair do atoleiro. A sensação, digo sensação porque nao consigo acompanhar o debate sobre conjuntura econômica, é a de que fomos enganados até agora. Inicialmente tinhamos um ufanismo mal disfarçado que vibrava com a crise e apostava nas nossas receitas caseiras para dar uma lição no mundo, compreendendo-se como mundo a economia americana, depois veio o entendimento das vagas maritimas numa metafóra infeliz e sem conteúdo, por fim, bem, não é o fim, mas o prenúncio, a divulgação dos dados do último trimestre de 2008, vergonhosa realidade que os ministros esconderam da população em geral e do debate, prometendo crescer em 2009 acima dos 3%, quase 4%, discurso de palanque com uma candidata prometendo houses-free para mulheres, dinheirama do bndes para as prefeituras e a petrobras bancando o salva-vidas de usineiros. Seguir por esse caminho é morte certa do bom senso, da vida econômica e da capacidade de sair da crise com dignidade.

08 março 2009

Jazz



em tempos de tantas convicções surradas pelo obtuso ângulo da mesmice ideológica, um pouco de música para recuperar o estado de espirito...

Experimento controlado


06 março 2009

Especiarias de Goa


"Usando o exemplo da Índia nas últimas duas décadas, nós argumentamos que inovação e/ou crescimento da produtividade tem sido o principal motor da redução de pobreza naquele país. Nós também argumentamos que a nova teoria do crescimento pode jogar luz sobre aquele processo. Além do mais, isso também pode explicar porque crescimento e redução da pobreza não tem ocorrido na América Latina." (Aghion, P. & Aghion, B., 2004)
(...)

"3 ideias principais das novas teorias de progresso tecnológico endógeno:
1) Crescimento de produtividade é inicialmente dirigido pela taxa de inovação tecnológica, na forma de novos produtos, novos processos e novas maneiras de organizar a produção.
2) A maior parte das inovações são o resultado de atividades empreendedoras e de investimentos, por exemplo, investimentos em R & D , os quais envolvem risco de experimentação e aprendizado.
3) O incentivo a engajar-se em investimentos inovadores é, ele mesmo, influenciado ou afetado pelo ambiente econômico."(Aghion, P. & Aghion, B., 2004)

28 fevereiro 2009

mundo s.a


"A lateral esquerda é um problema mundial." (Comentarista da ESPN-Brasil, 28/02/2009)

"O que temos agora é um orçamento no qual se pode crer.(...)eu, pelo menos, acho dificil que o governo federal consiga cumprir suas obrigações de longo prazo sem elevar pelo menos um pouco os impostos sobre a classe média." (Krugman, NYT, 26/02/2009)

"Ainda que os governos desejem evitar a estatização de entidades financeiras insolventes, os mercados estão mais e mais convictos de que possivelmente já não existe alternativa menos custosa."(George Magnus, consultor econômico do UBS)

"Estatização, em minha opnião, é quando o governo toma o controle do banco, zera as posições dos acionistas e começa a administra-lo e a dirigi-lo. Não planejamos nada parecido. Acredito que este debate sobre estatização esteja girando em torno de considerações equivocadas." (Ben Bernanke, presidente do FED)

25 fevereiro 2009

Feriado prolongado, eufemismo para carnaval...

novamente, como nos últimos 14 anos, um carnaval em poa, nada como uma referência clássica, contraditório em termos, o melhor seria assumir a cidade como o retiro ideal para quem foge da folia, ou o que quer que isso signifique. No meu modo particular de ver as coisas, aprecio a falta de opções da cidade e a calmaria em torno dos bares, cinemas, teatros e campos de futebol, tempo bastante propicio, aliás, para bater pernas no corredor de ônibus da perimetral, mas o que ficou desse período foi um pouco de lógica matemática, o copão e os parceiros que somadas as idades nao chegavam aos 45, a expectativa com os próximos exames, mais uma endo, a visita ao novo centro de compras que, sinceramente, nao acrescenta nada à vida literária da cidade, o fim do capítulo digitado de incerteza, uma introdução, algumas ferramentas gráficas, a frustração com os ingressos esgotados do indiano oscoraziado - quem quer ser miliónario na mombain de deus, se a produção fosse inglesa o meireles teria obtido o mesmo destino, mas isso são outros trocados - e com o pífero desempenho do time do tite, naquele dia, o sol inclemente comprometeu os estudos da segunda, enfim, mais um carnaval na terra do não carnaval, esse, certamente, não vai deixar saudades e tem cara de ser um forte apelo para interromper a sequência em poa...

24 fevereiro 2009

do livro das citações


"A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque nao antevê, não planeja as consequências, não tem um objetivo em vista. No entanto, os resultados da seleção natural impressionam-nos irresistivelmente pela sua aparência de concepção, como se houvesse um relojoeiro cego, dão-nos a ilusão de concepção e planejamento." (Richard Dawkins,1986, p. 39 da tradução portuguesa)

21 fevereiro 2009

Bacoletradas


sem provas, só polvoras, vestes a túnica da dor em nome de interesses obscuros, minotauros sobrevivem na mídia, estratégias do édipo em pouse de rei, socorrem os protozoários, os mesmos que anotam na praça da estação o último batuque. Temporais em alto mar, sonhos por desafiar, miméticas sombras, das sombras, obtusos inflamam o ódio, em nome de...

18 fevereiro 2009

Populismo na AL


Folha de São Paulo

Lula não desce do palanque
Ferreira Gullar
MINHA GENTE, estou a cada dia mais perplexo com a performance do nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Não que ele tenha mudado essencialmente; nada disso, ele se comporta assim desde o primeiro dia de governo: não desce do palanque.

Às vezes me pergunto se minha crescente perplexidade decorre dessa sua insistência que já dura sete anos ou de alguma outra coisa.

Acho que são as duas: por um lado, já não aguento ouvi-lo falar pelos cotovelos, gesticular e postar-se como um ator num palco e, por outro, percebo-o cada vez mais à vontade para dizer o que lhe convenha, conforme o momento e conforme o público.

Sem nenhum compromisso com a verdade e com a postura de um chefe de Estado.

Ele não se comporta como chefe de Estado. Fala sempre em termos pessoais, ou louvando-se a si mesmo sem qualquer constrangimento ou acusando alguém, seja a imprensa, seja a oposição, sejam as classes ricas, sejam os países ricos.

Estão todos contra os pobres, menos ele que, felizmente, assumiu o governo do Brasil para salvá-los, após quatro séculos de implacável perseguição.

Do Descobrimento até 2003, ninguém sabe como o Brasil conseguiu sobreviver, crescer, chegar a ser a oitava economia do mundo, sem o Lula!

Só pode ter sido por milagre ou qualquer outro fator inexplicável.

A verdade é que, apesar de tudo, o país resistiu até o momento em que ele, Lula, chegou a tempo de salvá-lo.

Isso ele afirma com uma veemência impagável, como se fosse a coisa mais óbvia e indiscutível do mundo.

Sem rir, o que é mais surpreendente ainda, diante do olhar espantado de favelados, trabalhadores, funcionários públicos, aposentados.

Já quando o público muda, ele também muda o discurso. Se fala para empresários, banqueiros, exportadores, a conversa é outra.

Mostra-se preocupado com o crescimento da economia, com o apoio do BNDES à iniciativa privada e chega mesmo a admitir que sem os empresários o país não cresceria. E o balanço de final de ano mostra que os bancos realmente nunca ganharam tanto dinheiro como durante a gestão presidencial do fundador do Partido dos Trabalhadores, que se dizia inimigo número um deles.

Joga com um pau de dois bicos, mas dá certo. Diz uma coisa para os pobres e o contrário para os ricos, mas dá certo.

Tanto que a sua popularidade cresce a cada nova pesquisa de opinião. (cresce mesmo?)

Na última delas, o índice de aprovação de seu governo alcançou mais de 70% e a dele, presidente, mais de 80%.

Ele fala, fala, fala, viaja, viaja, viaja; o resto do tempo faz política. Há uma cumplicidade esquisita: Lula finge que governa, e o povão finge que acredita.

Mas, infelizmente, os números da estatística não conseguem cegar-me. Pelo contrário, ao ver tamanha aprovação a um presidente da República, que busca deliberadamente engazopar a opinião pública, preocupo-me. Para onde estamos sendo arrastados? Até quando e até onde conseguirá Lula manipular a maioria dos brasileiros?

Essas considerações me ocorreram ao ler o discurso que ele pronunciou, no Rio de Janeiro, na favela da Mangueira, ao inaugurar uma escola.

De ensino não falou, claro, já que não lê nem escreve. Anunciou a intenção de usar prédios públicos desativados como moradia de sem-teto.

E aproveitou para mostrar como os ricos odeiam os pobres: disse que os ricos da avenida Nove de Julho, em São Paulo, não querem deixar que gente pobre venha morar ali, num prédio público desocupado. "Mas nós vamos colocar, porque a moradia é um direito fundamental do ser humano."

Palmas para ele!

Nessa mesma linha de discurso para favelados, defendeu as obras do PAC, afirmando que a parcela mais pobre da população é que será beneficiada, e aduziu: "Quando a gente faz isso, perde apoio de determinada classe social, porque gente rica não gosta que a gente cuide muito dos pobres".

O discurso, como sempre, é atrapalhado mas suficientemente claro para que a mensagem seja entendida: os ricos odeiam os pobres, que só contam com Lula para protegê-los. A conclusão é óbvia: se o Lula é o pai dos pobres, quem se opõe a ele certamente os odeia e ama os ricos.

Assim como se apropriou de tudo o que antes combatera, improvisou o tal PAC, um aglomerado de projetos pré-existentes de empresas estatais, governos estaduais e municipais, que vai desde o pré-sal até a ampliação de metrôs e o trem-bala.

Mas o investimento do governo federal é de apenas 0,97% do PIB, menos do que investiu FHC em 2001. Se tudo o que está ali é viável ou não, pouco importa, desde que sirva para manter Lula e Dilma sob os holofotes.

15 fevereiro 2009

Momentos...



“Quem expressa esse desejo de mais soldados? Meu primo Westmoreland? Não, meu simpático primo; se estamos destinados a morrer, o nosso país não tem necessidade de perder mais homens do que nós temos aqui; e, se devemos viver, quanto menor for o nosso número, maior será a parte da honra para cada um de nós.Pela vontade de Deus! Não desejes nem mais um homem, te rogo! Por Júpiter! Não sou avaro de ouro, e pouco me importo se vivem às minhas expensas: pouco me importa que outros usem as minhas roupas: essas coisas externas não encontram abrigo entre as minhas preocupações. Mas se ambicionar a honra é pecado, sou a alma mais pecadora que existe. Não, por fé, não desejes nenhum homem mais da Inglaterra. Paz de Deus! Não quereria, pela melhor das esperanças, expor-me a perder uma honra tão grande, que um homem a mais poderia talvez querer compartilhar comigo. Oh! Não anseies por nenhum homem a mais! Proclama antes, através do meu exército, Westmoreland, que aquele que não for com coração à luta, poderá retirar-se: dar-lhe-emos um passaporte e poremos na sua mochila algum dinheiro para a viagem; não queremos morrer na companhia de um homem que teme morrer como companheiro nosso.O dia de São Crispim: este dia é o da festa de São Crispim; aquele que sobreviver a este dia voltará são e salvo ao seu lar e colocar-se-á na ponta dos pés quando se mencionar esta data, ele crescerá sobre si mesmo ante o nome de São Crispim. Aquele que sobreviver a este dia e chegar à velhice, cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é dia de São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim."Os velhos esquecerão; mas, aqueles que não esquecem tudo, lembrar-se-ão todavia, com satisfação, das proezas que levaram a cabo neste dia. E então os nossos nomes serão tão familiares nas suas bocas como os nomes dos seus parentes: o rei Harry, Bedford, Exeter, Warwick e Talbot, Salisbury e Gloucester serão ressuscitados pela recordação viva e saudados com o tilintar dos copos. O bom homem ensinará esta história ao seu filho, e desde este dia até o fim do mundo, a festa de São Crispim e Crispiano nunca chegará sem que venha associada à nossa recordação, à lembrança do nosso pequeno exército, do nosso bando de irmãos; porque aquele que verter hoje o seu sangue comigo, por muito vil que seja, será meu irmão, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que permanecem agora no leito em Inglaterra considerar-se-ão como malditos por não estarem aqui, e sentirão a sua nobreza diminuída quando ouvirem falar daqueles que combateram convosco no dia de São Crispim."