21 agosto 2009

A trinca...







Em ordem inversa, eis o roteiro da primavera em Porto Alegre, duas releituras, uma leitura nova e a volta ao equilibrio geral. dinâmico, estocástico e em contração, microfundamentos contra a alegoria estática e fantasiosa. Abertura econômica, choques, expectativas, pois sim, e arbitragem em derivativos, todos...

16 agosto 2009

Taperebá

o balde de jabuicabas do deputado, pode ser amplificado se uma análise sistemática da forma de ocupação do território nacional fosse incluída no cardápio. Com o obetivo de prepar o Estado de Roraima para proteger a fronteira, o governo, via constituição de 1988, cruz credo, implantou:

  • legalização de terras indigenas sem possibilidade de exploração econômica
  • todo o aparato estatal,
  • tribunais, ministério público, e procuradoria,
  • economia centrada nos salários dos ricos funcionários públicos,
  • avenidas largas e casas nobres, do estado,
  • artesanato indigena, do estado,
  • casas de espetáculos no coreto da praça e do estado,
  • exercito e escolas, do estado,
  • universidade federal e estadual,
  • radio e televisao, do estado,
  • transporte público,
  • igrejas e suas vertentes do e para o estado.
Apenas os postos de gasolina ainda nao sao do estado, mas os carros que sao abastecidos pertencem a frota pública ou aos funcionários públicos...enquanto isso, as terras devolutas sao vitimas de assentamento, do mst, melhor, do estado, produção nenhuma e uma população dos sep(s) (sem emprego público), na periferia dançando forró ou trabalhando nos hoteis da cidade para receber os agentes do estado, sim senhor...Melhor nao continuar, porque "mais com pouca",na forma pura e simples do dizer da gente do lugar, vem de ser estado a palavra que ousas sussurrar...

13 agosto 2009

livros


12 agosto 2009

Os sintomas,,,

Os nescios nao sabem o que recomendar, esperam o quadro piorar, mesmo protocolo, segue a minha dor de garganta, dores nas costas, cansaço e uma tosse seca, recheada de uma leve suspeita de que é comum a gripe A, mas ainda na encosta, viajei para a terra dos ventos fortes, algo paradoxal, volta para terra da infancia sem nunca ter visitado a boa vista dos dias que correm, eu, mesmo nao sabendo o que significa, aponto os mesmos sintomas em outras ilhas:
zelaya visita o presidente da república e apoia o sarney
o ministério decifrou o dialogo da caixa preta, tudo com aval da filha do ministro
as contas públicas da uniao nao sobrevivem a uma leve queda na receita em pelo menos em um dos proximos 13 anos
o pré sal é da petrobras e da turma do gabrielli
vinhetas da record na ilha das laranjas
a estônia empata com o brasil em jogo complicado
a ministra da casa civil solicita a queda da bastilha na ilha dos bois
verdes olhos acenam para o vento leste, lágrimas sobejam nas tosses
em oito anos nao fomos capazes de construir a ponte de guaribas
a vacina ja nao funciona
a fila de espera do sus é maior do que a muralha da china em extensao de mal tratos
o pais dos magistrados, procuradores e ministros do supremo, sofre mais uma derrota na omc
a venezuela fica a 120 quilomentros do tamiflu
resistir ainda é uma possibilidade....

08 agosto 2009

poema da noite sem luz


Poema trágico: Ai de Mim

"é vão

e tudo é vão

da oca-luz do brilhante

ao escuro-vazio do carvão

(...) vão-se os anéis

os dedos

vão-se, também,

as mãos

tudo o que é

escorre-se à vanidade

extinta

só sobra o nada

o sem bordas

o incolor

o vão

mesmo ele

em vão

esvai-se."

r. ponts

06 agosto 2009

a coletiva em segredo ou a lua e seus deslevos

saturno ou marte alinham-se em angulo de quarenta e cinco graus com a lua cheia, chamamos de estrela dalva essa combinação, mesmo com dados imprecisos, pode-se entoar o canto e colocar rebento no mundo que eles, com ou sem coletiva do mpf, lá estarão, porém, encerra-se o ciculo e lá estaremos nós miguantes e orfãos da beleza daquela lua e daquela estrela... mídia, abusas da tua natureza e não tens nenhuma palavra pura, jogas ao sabor dos interesses e nao apresentas uma página limpa para manifestação sintese da justiça, procuradores é o que são, mas não podem pensar numa lua tão bela como ribalta, tuas mãos estão sujas desde aquela midiática celebração da falta de ética e de pudor, o pudor da dúvida, do direito de defesa, o pudor da verdade, da vontade popular não sabem dizer, sao doutores em roupa de doutores, voz de doutores, para incriminar basta o verbo, para o demais cabe o sigilo e o rigor formal das leis que criaram, protocolos e vozes unissonas, soberba e empáfia, jargão e acento na penúltima silaba, "não haverã moleza para esses reús", para esse que atende por contribuinte, que paga os salários generosos dos doutos, que generosa e ingenuamente fazem pender o fiel da balança para uma ideologia só e para um grupo só, sem discrição ou obsequiosa busca da verdade, condenam sem apresentar provas, oxalá as provas sejam cabais e definitivas, estaremos assim privados de uma injustiça coletiva, mas isso não inocenta a barbarie midiática dessa data, cincodeagostodedoismilenove, e dizer que estamos nas terras mais ricas e civilizados da zona temperada do meio gaucho, lua nao te escondas, alumia nossos sonhos, porque nossa justiça já não é cega mas corre em segredo de justiça as provas, não os condenados por doutores do ministério, santo, espirito, nem tanto.....

02 agosto 2009

economia agônica

Graças a elas, podemos quebrar a glicose e transformar respiração em energia...poderia começar assim uma nota de rodapé sobre o papel das mitocôndrias para os seres vivos, leio também, que elas seriam nossa referência ancestral, uma espécie de fóssil da vida que já postula todas as informações para definir nossos laços de parentescos e a nossa origem, etc. Não vai longe o destino de um só, afinal, somos, todos os seres vivos, parentes, primos em algum grau, mesmo distantes, primos, parentes, vale a metafóra, energia, uma função isolada que repõe a vida e ainda registra tudo, uma pequena consciência, desagregada que seja, da nossa casa das máquinas e de como somos capazes de extrair energia do ar para impulsionar o bólido, sem rumo é verdade, mas com uma impressionante química regular e evolutivamente eficiente, nada mais, os outros arranjos humanos deveriam contemplar a beleza desses 'organelos celulares' e sopesar a arrogãncia com uma dose generosa de simplicidade e objetividade. Vale o mesmo para o mercado dos jogadores, para a vida dispersa nos bairros afastados do centro econômico e no viaduto da joao pessoa??? Sempre os mesmos indivíduos há dezoito anos, entra governo e sai governo, entramos para governos e saímos de governos, e não sabemos como propiciar que mais gente tenha a sua função energética livre e em pleno funcinamento, a cidade se desculpa, faz propagandas, até metas são propostas, mas nada funciona porque não há uma livre expressão das nossas mitocôndrias...

Domingo sem futebol

01 agosto 2009

nao deveríamos, mas...

"Tem gente tão imbecil, tão ignorante que ainda fala: 'O bolsa-família deixa as pessoas preguiçosas porque quem recebe bolsa família não quer mais trabalhar'.”Lula (31/07/2009)


Nesses termos, assim colocado, fica dificil qualquer defesa sensata do uso dos argumentos e das, tão importantes para todos nós, evidências empíricas, honestamente, torço com todas as forças que me são próprias, para que chegue ao fim esse inusitado rosário de impropérios e que acabe, do verbo vai embora sem deixar saudades, esse governo e, com ele, a lógica populista e caudilhista (diz-se de quem governa com arroubos e cretinices e que faz do país o paraíso do coitadismos), resigno-me a esperar e rogar, para que nao caiamos novamente nesse triste e demagógico conto da bolsa perdida, no final apulpos e vaias, que é o que cabe fazer um cidadão comum que honra suas limitações e respeita instituições, por fim, uma outra frase da ex- folha de são paulo, antes tão combativa, hoje omissa e conservadora, "Em particular, se nenhum de nós é
especial, o bom exemplo de cada um conta muito mais do que a percepção ingênua nos sugere" (AHA)...

25 julho 2009

Em parceria com a Cristina ou o contrário...

RESUMO
A análise da realidade sócio-econômica se torna mais realista quando se considera a ordem de ocupação geográfica que o modo de vida da população impõe. Na primeira etapa deste trabalho a Nova Geografia Econômica (NGE) é apresentada como um modelo de compreensão desta ordem. Neste modelo, escala, proximidade e liberdade econômica são elementos fundamentais para explicar pujança ou estagnação econômica. Para verificar a validade dos pressupostos da NGE para a Região Sul são utilizados dados censitários dos municípios dos anos de 1980, 1991 e 2000. O modelo econométrico aplicado é baseando em Hanson (1999). Os dados estão agrupados e foram utilizadas técnicas para isolar efeitos fixos, ou seja, características de variáveis que não mudam com o passar do tempo. Os resultados dos testes econométricos não foram todos estatisticamente significativos para todas as variáveis, por isto recorreu-se à interpretação com valores exogenamente determinados. É possível afirmar com bom grau de significância que o fator “tamanho do mercado” é importante para explicar aglomerações na Região. Para avaliar outros pressupostos da teoria novos testes serão necessários.

Palaras-chave: aglomerações, mercado potencial, Nova Geografia Econômica.
JEL: R12, O15.

Em parceria com o Cassandro, ou o contrário...

Resumo:
A utilização da frequência escolar como variável proxy para determinação do sucesso do Programa Bolsa Familia, na eliminação do ciclo da pobreza nas regiões mais pobres pode levar a resultados equivocados. A melhor variável, para este caso, e que não é diretamente observável, é o esforço empregado pelo aluno. Assim, o incentivo fornecido pelo Governo, deve incentivar o esforço e não somente a frequencia escolar, dado que as duas podem não estar perfeitamente correlacionadas. Utilizando-se a modelagem do principal-agente, entre o Governo e o aluno (representativo), analisa-se como se comporta o agente no processo de escolha do esforço a ser empregado. Os resultados mostraram, que mesmo que a haja uma correlação perfeita entre a frequência escolar e o esforço do agente, o estímulo ao aluno, no presente sistema de incentivo, gera esforço mínimo. Existe assim, atualmente, um equilíbrio de Nash sub-ótimo. No ambiente, em que a correlação entre as duas variáveis é imperfeita, o esforço máximo a ser realizado, pelo aluno, depende da influência da natureza, assim como das transferencias realizadas. Segundo os resultados, o atual sistema de incentivo gera a permanencia do aluno num equilibrio de baixo nível de capital humano. Assim, outro sistema de incentivo deve ser proposto no qual as transferencias sejam condicionadas a variáveis observáveis.
Palavras-chave: Programa Bolsa Família; Incentivos; Condicionalidades; Equilibrio de Nash.

24 julho 2009

Economia regional



Meu amigo, orientador, professor Nali, fez hoje um pequeno gesto, mas de uma importância capital, ligou para minha casa, depois para o meu celular e em seguida foi a Faculdade de Economia com a intenção única de me presentear com o seu mais novo livro, a dedicatória cobriu-me de orgulho e renovou aquela convicção que temos e as vezes não sabemos se merecemos ou se estamos a altura. Muito obrigado Nali, permita-me usar o primeiro nome, tive uma semana dificil e fui testado ao limite na minha autoestima e convicções, assim, mesmo sem ter lido ainda, gostaria de saudar o professor, o gesto e o livro, todos, lá ao seu modo, foram muito importantes para que eu conseguisse entrar naquela sala de aula e cometer modelos de crescimento endógeno com a garra de sempre, mas, confesso, com feridas graves naquele tecido esgarçado que compõe a nossa imagem no espelho e define as nossas esperanças, vida longa ao livro e ao querido professor.

23 julho 2009

Livros, segunda edição

21 julho 2009

Brasil, 21 de Julho de 2009




o estado dos outros foi tomado pelos estudantes, agora sócios, cumplices e comparsas do bem público, afastam a lógica e apoiam as dúbias palavras do líder supremo, as afinidades da turba com o mal uso da mulher do gás, a filha prodiga que salvou o partido dos correios, digo, dos bancos de emprestimos em nome das dignas leviandades da revolucão cristalizada na luta de classes, meninos tolos vestidos de turbantes antiquados e tristes, mimetizam o slogan e retumbam o lugar-comum, nas ruas da capital sombrias desinteligencias fazem o jogo do crime organizado com o aval do mec, meninos nao estudam, apenas recebem sinecuras do partidão, e prebendas do estado das bolsas, mínimas castas empurram o país para intransigência, trasnfigurado o herário passa de mão em mão, em atos secretos, enquanto isso, a mídia, sorridente, procura uma brecha para receber o seu devido quinhão, nas sombrias nuvens a tempestade se forma e ameaças de temporais rondam a minha casa....

19 julho 2009

Tristes tópicos


raras, e, evidentemente, sujeitas a enganos solares, são nossas visões de marte, terra dos arados aleatórios de, também raros, extra-terrestres, diga-se, no que cabe, raros os extra-terrestres da ficção humana, não os que de fora são, porque assim serão, sempre, por pura lógica, senao, repare...mas outro veio traz-me a esse descampado, a motivação tolitária da oposição, o oportunismo do ministro e a galhofa cobertura da imprensa, tristes trópicos esse da zona temperada, vigia com olhos mocos o que atenta contra a liberdade e a condição civilizatória, acuados cederemos todos aos gritos da cega insanidade, viéses midiaticamente aceitos e incentivados pelos formadores da doxa, noutro mundo, no entanto, os montes do olimpo jorram amalgamas que quebram o protocolo e rechaçam a agressão e os dedos, em teclas, não estarão na praça aplaudindo os radicais, mas manterão a vigilia e o respeito à noção elementar de dignidade e respeito ao cidadão comum, por fim, torçem para que essas impropriedades nao realizem suas expectativas....

14 julho 2009

linha burra...

"Não tem coisa mais fácil do que cuidar de pobre, no Brasil. Com
dez reais, o pobre se contenta; rico não, por mais que você libere, quer sempre
mais, nunca se conforma." (Lula – 15/07/2009)
Uuma defesa parcial, mesmo que nao tenha ainda um fio condutor universal, seja lá o que isso significa, precisa de coragem e uma estratégia bem definida, no futebol, costuma-se chamar de burra a defesa em linha, sempre aparece um gaiato para desmonta-la colocando um adversário na cara do gol, no nosso caso, a defesa da crítica ao assistencialismo do bolsa família vai seguir um raciocinio parecido, nao temas, diria o técnico aos agentes da defesa, agentes no caso, são os beneficiários, principal é o governo que paga para ver, mas nao recebe o mesmo tratamento porque as informacoes são desequilibradas para o lado dos agentes, estranhos movimentos, subterrâneos, não conseguimos ajudar os que precisam, porque os incentivos estão errados, transferências de renda unilaterais não encontram agentes tolos e alinhados ao governo...nao ajudas a quem enganas, e, como no caso da linha, ao oferecer o "impedimento", acaba ensinando a nao fazer, a nao ser, a nao se libertar das privaçoes tuas, mas por que continuamos a jogar esperanças nessa farra? Nao me ocorre nem um novo incentivo e muito menos uma resposta sem óbvias dúvidas, mas sempre fica a sensação de que pegamos o atalho, fugimos ao embate, apenas tentando colocar o problema em impedimento, o caminho mais facil, porque nao temos uma consciencia clara das consequencias e porque o nivel de tolerancia a equivocos tamanhos é enorme, para ficar apenas no superlativo....

10 julho 2009

Malfeituras(sic)

mal feitas e desalinhadas, as linhas que escrevo compoem uma melancolica ilha na enseada, na grua de baixo do planalto central, respigam nas lenhadas costas da brasuca população da margem oposta, aquela que nas tardes quentes do sertão visitam a igreja pentecostal do reino de deus para ajustar a sua imagem com a do criador, enquanto os pastores leem aos gritos o mantra da nova ordem, já em pitombeiras do sul, meu cavalo manco nao pasta na grama rala do lugar, meninos descalços e desnutridos catam palitos de picolé na praça do adeus. Meus sonhos desfeitos nos atos secretos da petrobrás, minha esperança colocada em déficit que nao ajudei a criar ou a pensar, meninos do bolsa familia vendem mangas caidas a pouco na estrada sem acostamentos, mas com orçamentos no pac, diz que para o ano pavimentam, malfeitos os teus olhos que nao enxergam a vocação totalitária da nossa mérica, meninas sem bolsas vão a escolas sem livros, enquanto viajas na cia do gê oito, mitocondrias ancestrais tipificam a mudana malfeitura com dinheiro público, é estrutural, diz a ministra...

08 julho 2009

Verbo, a legenda dos gregos.




"Ainda bem que variamos, embora não muito." (Dawkins)


Ainda nao respondo plenamente ao meu comentador, afianço, porém, que talvez tenha um pouco da tradição oral dos gregos, versos lidos e relidos nunca são os mesmos na voz do ledor, algo como a criação da leitura, puramente transmito a imagem digital em forma e sentimento, mas nao me atenho, é verdade, aos detalhes do ao pé da letra, rigor formal e transcrição literal não são minhas formas mais usuais de transmissão de sensações, muito menos de poemas, na minha vocação literária sou um jogador de futebol da terceira divisão do campeonato estadual, qualquer um, mas ainda assim, as palavras remotas e guardadas em algum lugar provocam a releitura daquela página, mutável, é verdade, mas repleta de sincera emoção, ao tocar dos dias e divas, sirvo-me das impressões da linguagem escrita para, estoicamente, conviver com as impossibilidades da humana forma de viver, nao tomo acento no senado, nem compartilho com as idéias do partido no poder, percorro outra via sem peias e com alternâncias no poder, e, entre uma rodada e outra de chopp com os amigos, atribuo aos meus sonhos ou delírios uma forma escrita, não mais...

01 julho 2009

Leonildas

30 junho 2009

o homem americano

A Serra da Capivara em São Raimundo Nonato no Piauí, no sul do Piauí, guarda alguns segredos. Assim como a sétima cidade, não conheço suas façanhas, mas o que produz de belo e enigmático nas retinas tortas do bardo essa luz que ofusca e esses traços de registros temporais imprecisos, são absolutamente inequivócos e reais, como se um ancestral no lombo de um burrego nos morros do cerrado de dentro, percorresse uma memória irracional, que apenas sentimos quando fechamos os olhos de volta para o passado, por lá fui rei da fogueira, campeiro, era caçador coletador, pertencia a casta dos parias e perambulava livre e sem medos, apenas a luz daquela caverna ofuscava minha racionalidae prática e obrigava-me a desenhar na encosta daquele ermo o meu diário de caças, chorava a dor da ignorância, e da sensibillidade da luz nascia a beleza rude e a imaginação daquele chão ...

27 junho 2009

das dores

encanto nenhum ha nessa luz que queima quando ilumina, nessa rua sem acostamentos, nesse jornalismo financiado pelo dinheiro do contribuinte, nessa decisão sem novidades, nessa dor que agora assumo, nessa volta das dores do fevereiro...Engana-se, porém, meu amigo, não acabou ainda, e, suspeito, talvez resista, afinal essa brasilidade torta e mil vezes questionada, é uma marca, propriamente somos assim, gostamos do deixa prá lá e carregamos o pessimo hábito de contemporizar, antes com o poder econômico, agora com o poder político, mas, nas duas situações, colocamos para debaixo do tapete as mazelas, afinal, aquela gente que mobiliza tantos anseios nao pode ser questionada mesmo diante de tantas petrobras ou de tantos aloprados, melhor deixar passar, depois vemos como que fica, a coerência também nao nos agrada, afinal, porque questionar a politica macroeconomica na boca de quem tanto amaldiçoava o modelo neoliberal, e assim, dessa forma, acomodamos os estranhos atos do presidente, sem tocarmos na árida prática dos discursos seus, adoçamos, enfim, a nossa pátria e empurramos com a barriga, numa típica vertente dolorida, dor de dentes, dor de tiradentes, dor de muita gente, enfim...

25 junho 2009

A quadratura do círculo

Foto gentilmente retirada do facebook do PH.

23 junho 2009

O apedeuta

versado em mal uso do vernáculo e em mimetismos macunaimicos, o lenhador de dobras, repete-se na sua saga populista e lugar comum, sem esconder o poder que as pesquisas aglutinam sobre sua pose de líder mundial, nosso deus da glória, vangloria-se de um discurso apaziguador e progressista, num ultraje ao lugar comum, acoberta atos sigilosos, perdoa ou inocenta de inocêncios a reus confessos, lambe as botas da oligarquia da ilha do boi morto, sucumbe diante das evidencias de massacre de cidadaos iranianos, abona a retórica intransigente, fascista e antisemita de um ditador demiurgo, anda gabola a apoiar o desmatamento, ultrapassando o limite dos tres poderes, agora, temos um quarto, populista, sindicalista, de esquerda e pesquisado, pode tudo, açoita, sem vergonhas, a lingua materna, a lógica puritana e insolita, o bom senso, tudo porque soa deus nas suas traquinices e cretinices, a cada dia, uma frase uma vexatória falta de cerimonias com a sabedoria popular, impostos demais para distribuir aos pobres as migalhas, até o belo dia que a riqueza finda, misericordiosamente, aumenta a miséria daquele povo, nosso povo. Como ressoa bem o refrão daquela música nos ouvidos dos aflitos....

21 junho 2009

Jan Vermeer


filho de Delft, de significado pouco conhecido, nada sabes, se soubesses nao conseguirias traduzir em palavras sem nexo, mesmo assim, nessa cidade, naquele ancoradouro, naqueles vértices sobrepostos de sentido geométrico, na altura da mao que se dispoe sobre a mesa da oficina de costura ou da oficina de sabores, nessas tardes que se destinam a captar o rosto da mulher e sua peróla, nessa insurgente imagem nítida, reside um sentido e intensidade, cor e uma insuspeita quietitude tensa, mesmo sem saber reconhecer a técnica, o dia, e suas sinuosas angustias, revelam-se naquela gravura, naquele olhar fixo de mulher do povo, como nada mais sabemos, sentimos o que nao conseguimos por em palavras....

20 junho 2009

Noite sem graça



Resíduo (...)


"Um pouco fica oscilando

na embocadura dos rios

e os peixes não o evitam,

um pouco: não está nos livros.

De tudo fica um pouco.

Não muito: de uma torneira

pinga esta gota absurda,

meio sal e meio álcool,

salta esta perna de rã,

este vidro de relógio

partido em mil esperanças,

este pescoço de cisne,

este segredo infantil...


De tudo ficou um pouco:

de mim; de ti; de Abelardo.

Cabelo na minha manga,

de tudo ficou um pouco;

vento nas orelhas minhas,

simplório arroto, gemido

de víscera inconformada,

e minúsculos artefatos:

campânula, alvéolo, cápsula

de revólver... de aspirina.

De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.

Oh abre os vidros de loçãoe abafa

o insuportável mau cheiro da memória.




Mas de tudo, terrível, fica um pouco,

e sob as ondas ritmadas

e sob as nuvens e os ventos

e sob as pontes e sob os túneis

e sob as labaredas e sob o sarcasmo

e sob a gosma e sob o vômito

e sob o soluço, o cárcere, o esquecido

e sob os espetáculos e sob a morte escarlate

e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes

e sob tu mesmo e sob teus pés já duros

e sob os gonzos da família e da classe,

fica sempre um pouco de tudo.

Às vezes um botão. Às vezes um rato."


Carlos Drummond de Andrade.

19 junho 2009

Beatitudes...



"Inicio este livro de uma posição que acredito ser comum: a posição de quem não considera os problemas da ode de Píndaro senão como problemas peculiares, e que tem enorme dificuldade em entender como podem jamais deixar de ser problemas. Que sou um indivíduo que age, mas também uma planta; que muito do que não fiz, contribui para fazer com que eu seja tudo aquilo pelo qual eu deva ser louvdo ou culpado; que devo constantemente escolher entre bens concorrentes e aparentemente incomensuráveis e que as circunstâncias podem forçar-me a uma posição na qual não posso evitar ser falso com respeito a alguma coisa ou fazer algum mal; que um evento que simplesmente acontece a mim pode, sem meu consentimento, alterar minha vida; que é igulamente problemático confiar seu bem a amigos, amantes ou ao país e tentar ter uma boa vida sem eles - tudo isso considero não apenas como o material da tragédia, mas como fatos cotidianos da razão prática vivida." (Martha Nussbaum, 2009, p. 5)

18 junho 2009

Lautrecanas


A semana secreta do senado revelou a minha crise, assumo, que sou culpado, forjei, na minha insensata e turva nota, a crise que ora se agrava, minhas palavras nao alcançaram a sala da vizinha pátria minha e em virtude disso, como se virtude opusesse sala ao infeliz episódio, todos os nossos atos na noite obscura refletem o caráter reto, como a dizer que de reto tratasse, das nossas apostasias, mínimas palavras antepostas aos cifroes, dolares do pré sal na conta bancária dos correligionários que, em horas extras, souberam esculpir a desgraça dos parias da nação, minha, só minha, a culpa, se culpados nao querem a patente dessa engenhosa pilhagem, afinal o senhor das bestas, já liberou da mesma culpa o outro presidente da casa, mesmo porque, um cidadão comum nao sabe o que é um ser nao comum, afinal de esbulhar a turba nao vive esse perante aquele, só minha, nessa noite de bares da cidade das festas, ouso um dizimo absinto para expurgar a dor das cartas na mesa de bilhar, soletras ou pulha....

17 junho 2009

Cherubina, para




07 junho 2009

poelida

lenha na lareira, sem números para contar, apenas o trepidar dos gravetos diante do olhar, algo semimorto, do ser humano, nadinha na pasta de amassar pão, subimos por dublin, mas lá, nas esquinas de lá, não ficamos exatamente a vontade, a procura do bardo continua em trieste, na vestuta sam marino, em minhas recordacoes das letras, mímicos repetem a mesma tocada, sem refrão, minhas longas conversas eufóricas quando bebo, viver uma vida digna eis o que importa, o resto sao poemas nas folhas soltas e sem regras, que insistimos em acumular, essas, pelo menos, não correm risco de uma desvalorização intempestiva, tênue a luz do lugar afunda na escuridão que a tudo e a todos domina, minhas circunstâncias no plural, sabem o que querem, repúlica, simplicidade e uma vida sem luxos, nada mais....

05 junho 2009

O pluralismo de Berlin


"O pensamento utópico acredita e professa que, no passado ou no futuro, existiu ou existirá um estado onde as necessidades humanas se encontram resolvidas.
Um mundo perfeitto onde os seres humanos desejam necessariamnete os mesmos fins de vida e onde os valores caros à existência se encontram harmoniosamente reconciliados na sua expressão máxima.
Inflelizmente, o pensamento utópico falsifica a natureza dos homens e a própria natureza dos valores.
O século 20, com seu longo cortejo de horrores e atrocidades, não foi apenas um século de crimes vulgares. foi um século que cometeu esses crimes porque pretendeu iludir a natureza pluralista dos homens e dos valores sobre a capa da mais feroz uniformidade.
As utopias estâo condenadas ao fracasso, não porque os homens são fracos, ou ignorantes, ou insuficientemente sonhadores. Mas porque a própria idéia de utopia como um estado perfeito onde os homens desejam os mesmos valores e onde os valores podem ser harmonizados na sua expressão máxima assenta na mais pura falisidade existencial e filosófica." (João Pereira Coutinho, fsp, 31/05/2009)

04 junho 2009

crôniquitos



a significância do termo bravo, serve para realçar a ignorância
do notável evento, somos todos, ingleses, para inglês ver, nada há que nos diga como construir a paz, ou equilíbrio. Ao sul do mampituba, lobos, numa ilha na praça da matriz, tentam arrancar a nacos o que a frágil democracia cosntruiu heroicamente, sempre viva na memória, mensalou um dizímo para a vinheta da globo, nas páginas do hebdomadário perdura uma insensata campanha contra o mundo das regras, não há inteligência nessa quadra, apenas a vilânia de alguns articulistas combinados com a obreira obra, naquele jornal morrem os que
acreditam na sistemática busca, amém.

02 junho 2009

pílulas...







"The power to constrain an adversary depends upon the power to bind
oneself"
Thomas Schelling





01 junho 2009

boteco news


Não que eu consiga, mas é possível tentar, por aversao ao risco sistêmico, evitar os corredores, as ruas, as esquinas onde todos que passam sabem o teor da conversa de botequim, em temos inesquecíveis, tudo começava na floresta e terminava na bahia, ou o contrário, sempre na veia poética ou nas ladeiras depois ou na contorno, um dia que outro na liberdade, de passagem para savassi vindo de goitacazes ou timbiras, pouco importa, seus castelos pavimentados por um império de palmeiras, no coreto uma pausa para descansos, uma que outra subida na afonso, desciamos curitiba, na volta, depois do obelisco da praça sete, estamos em boa viagem, desce e sobe rumo aos cavalos brancos de sabará e, noutro canto, ouro preto, minas nao sai da cabeça...

30 maio 2009

Bicicletário


não trafegas na mesma rua, tua manifestação contemporânea, tua autocontemporaneidade, como diz Cicero sempre aos sábados- é bom que se diga - nao vicejas lamber as feridas das ruas sem sinal, ruas movimentadas por linhas tortas, minaretes na vertente norte, sonhos esquecidos na corda que alinha o esgoto, vertigens sem fio, minimas expressões musicais, afinação temática, pura horda de maltrapilhos, tortos, a amiga que liga, o teatro dos malandros fora de hora, o presságio de vômitos, das dores, espirras enquanto porfias, nada mais, nessa cidade das provincias, contemporanemante marcada pela melodia de uma viola da gamba, em cerro largo, em algodões, tragados pela água que represas...

29 maio 2009

uma breve pausa

sonhos e uma nova série...

28 maio 2009

poenoite


O Catador de pregos

Um homem catava pregos no chão.

Sempre os encontrava deitados de comprido,

ou de lado,ou de joelhos no chão.

Nunca de ponta.

Assim eles não furam mais – o homem pensava.

Eles não exercem mais a função de pregar.

São patrimônios inúteis da humanidade.

Ganharam o privilégio do abandono.

O homem passava o dia inteiro nessa função de catar pregos enferrujados.

Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.

Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.

Catar coisas inúteis garante a soberania do Ser.

Garante a soberania de Ser mais do que Ter.

Manoel de Barros

27 maio 2009

A lenta agonia, apesar da bela música.



Insidiosa corporação vai proteger outra corporação, aquela dos contratos dúbios e das contas reprovadas pelo tribunal das contas, assim, como está, os quixotescos oposicionistas do congresso, vão tomar um vareio e ainda correm o risco de virarem vilões perante a opinião pública que, na terra de cabral, é guiada por uma certa imprensa que segue a máxima, para uns a regra da lei, para os queridos o editorialista tem autonomia, os demais calam, diz=se de quem escreve jornal como um cidadão orsoniano, nesses momentos, a velha dama, a dona dos meus sonhos mais alegres, a democracia, fica vulnerável e sofre de atentados patrulhadores e de aparelhamentos do espaço público por partidos ou por coisas menos nobres, que alguns chamam de terceiro setor, mas que seria sensato, nao generalizar e apenas indicar que os que assim agem, sao oportunistas velhacos, nada mais...

26 maio 2009

eu também senti...

mexeu e, como quem levanta uma plataforma de bons momentos, silenciosamente deslocou as emoções, os sorrisos inocentes dos amigos distantes, gargalhadas soltas entre uma baforada e outra do bom coiba, sopesando uma dose generosa de conhaques da terra, saudades audíveis na outra serra, gaucha, mas já do mundo...naquele momento vibraram os que hoje souberam que os meus amigos sentiram a outra vida que ajudaram a sonhar, afinal, somos, humanamente, esperança e lida, idéias de arquipelagos, ligados por abstrações, equações e um sopro de poesias compartilhadas com os pais da bia.

levemente outono

Cai chuva do céu cinzento
Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.
Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.


Quem eu pudera ter sido,
Que é dele?
Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse
menos!


Fernando Pessoa

24 maio 2009

a barca


ainda em apuros, os naufragos agarram-se a uma pequena esperança, o fim rápido da tormenta, que ainda não se formou completamente no horizonte, a segunda fase, dizem, agudiza a dor, prospera em dor, sufraga a intriga e semeia a dissidia, minudências atiçam a imaginação, o cerebro primitivo dos seguidores do grande líder, e ele próprio, ameaçam a tripulação com o mote salva-vidas: perpetuaremos o poder na undécima hora, mudaremos a regra e continuaremos, indefinidamente reeleitos. Nada que os humanos já não saibam, afinal na vizinhança todos mudaram a constituição das regras ad referendum...

22 maio 2009

conversare e invitare

x. fale-me da sua dor de cabeça.
y. é uma dor sinuosa, doem os olhos e, em determinadas posições, o incomodo cresce, mas nao é o tempo todo forte, apesar de persistente, já dura quase 12 horas.
x. e o dólar, hein?
y. pois é, como tudo, nesse país, a culpa é dos juros altos, diz que baixando um o outro sobe, sem pestenejar, é uma relação inversa perfeita, não sei como não pensei nisso antes. Baixar os juros e correr para o abraço, teremos resolvido a falta de segurança, as balas perdidas, a má distribuição de renda, a nossa falta de educação e os maus costumes, diz que até o grêmio vai começar a jogar futebol...
x. seu tom é meio irônico, afinal, o grêmio...
y. reconheço que é uma alegoria, mas até a petrobras, agora que ameaçam abrir a caixa preta, começou a descobrir petróleo em toda esquina, em qualquer campo minado, dizem que até em poço artesiano na sombra do coqueiro. A regulação do senado parece que é mais efetiva do que anp, ou melhor, gabriela subiu no telhado, dizem que vai privatizar, digo, pular.
x. e os juros?
y. como nao sei o que dizer sobre causaçao reversa e nao entendo muito de nao lineariedades, prefiro ouvir as notas do acordeon: jurosdescem, jurosreais, desconjuros, deuscomjurospune, com inadiplentes falas, com deliquentesprosperas
x. confuso, nao é?
y. simples assim, baixa os juros, melhor, faz um referendo e estatiza o cidadão, assim mesmo, facil e sem sabor.

20 maio 2009

previsões

assim como desce, sobe, agora, o governo, leia-se, o seu articulista mor, resolve tomar uma dose de sinceridade e falar um pouco mais abertamente sobre a realidade ignara, menos mal, porém, seria melhor que o governo tomasse um porre de sinceridade e falasse toda a verdade, afinal as contas públicas e o astronômico gasto com folha de pagamentos e previdência são uma bomba relógio montadas nesse governo em nome de uma visão ultrapassada e grosseira de condução da coisa pública. Na próxima serenata vão admitir que estão falidos e que não há como honrar os gastos permanentes sem aumentar impostos e emitir moedas podres.

19 maio 2009

o alfaiate recortado


tarde ainda, volto ao portão para conferir a tranca, mesmo sabendo que já havia fechado, não há porque lembrar os tons daquela voz, nitidamente, nao captas, nao captura a essência daquela forma, espelhos partidos, fístulas cardiopáticas, no horizonte, uma tarde como outra qualquer, sem apuros, retomas leituras nos intervalos das assinaturas, a lenta agonia, mais um dia sem brilhos, apenas a pele morena dos retratos de degas e a expectativa das dores, sem atenuantes...

Pedro, o grande.

17 maio 2009

ph ácido

o segundo gênio da raça, na opinião, nada isenta, de um deputado do mesmo partido, o nosso homemholofote, condena uma investigação sobre as contas da estatal do petróleo, diga-se, no mesmo tom, que o mesmo partido, persegue no rio grande, diz-se de quem mantém com tenacidade ferina uma única tecla, melhor, três, cpi, sobre qualquer coisa, a qualquer preço e usando qualquer método investigatório. Exigir coerência de quem briga pelo poder é uma impossibilidade lógica, nao passará, e se passarem, eu, certamente, estarei fora, go out, em tradução livre. Particularmente, prefiro discutir idéias e suas consequências, lá como cá, assusta-me o denucismo e a falta de opiniões sobre uma alternativa ao bolsa família e o bolsa pra tudo, assusta-me a gastança e o inchaço da máquina pública, a falta de regulação ética dos lixões na rampa da enseada, assustam-me os cachorros soltos nas ruas do meu bairro, a falta de livros na cultura e a insensatez da esquerda latina, o radicalismo na zona rural em marcha lenta para o espaço urbano, a insistência de velhos temas na academia brasiliana, a secura na garganta, em brasilia, os embustes na entrada das cidades administradas pelo fbapê, a rua suja na cidade turística do nordeste, a vida sem sentido no planalto, a fome na tradução do drummond, a dor abdominal, a volta de uma estúpida ditadura-retórica...

Castelos


"Os seres humanos são minúsculos centros de consciência no vazio que só dispõem de seus corpos frágeis para proteger-se do infinito que os pressiona - criaturinhas que crescem e constroem em oposição ao aniquilamento do espaço do mundo inorgânico." (Edmund Wilson)

14 maio 2009

Cometas


sem sono, o cometa, rábula, de gosto estóico, convencido de que "nunca antes", esteve por aqui, passou a debulhar a sua cansada e surrada gramática, poucos suportaram a cantilhena,lamentos acompanham o seu, nosso, final de noite, mas vale o relato, afinal, "cometas que passam perto do sol perdem a cauda", manchete de jornal populista do sul. Enquanto isso, o meu ritmo segue em estribilho, sem folgas, na estrada, agora a 110km de Curitiba, Ponta Grossa, é a graça do lugar, a trabalho, always, querendo ocoupar todas as horas para nao lembrar do dia e suas manchetes, marchas forçadas contra a democracia, acusações sem o benefício da dúvida próreu, execuções sumárias na praça da matriz, cambaleante e jorrando lágriamas, o bom senso e a democracia, pior é a poupança e seus números cabalísticos, pronto, se o candidato a caudilho concorrer ao terceiro mandato, farei campanha pela volta do real e seu líder, farei isso e uma viagem ao santuário da ilha do bananal, devidamente aboletado na carcunda de um místico jegue de petrolina, vale de lágrimas, apesar da comicidade dos lugares, gestos e slogans...

13 maio 2009

Saudades

12 maio 2009

Papo furado


doidivanas contumaz, repito, em meu documentário sobre a vida selvagem, uma porção do título de outro blog, esse, melhor, aquele, no entanto, de teor e conteúdo didáticos e sérios, não esse, agora sim, que apenas atende ao capricho das dores, e reproduz em pequenas doses, o dia-a-dia de uma vida celineana, sem prolegomenos ou aditamentos, afinal, desde mui tenra idade se sabe soletrar as vermelhas poesias vermeeninas, ao contrário da outra odete, literária e vogal na comarca de soutomayor, sitio repleto, aliás de boas maneiras da paris de um outro poeta asmático, melhor assim, diria o selvagem documentado, melhor render votos ao mundinho sincopado da provincia, onde, as azaléias nao enchem os olhos do idealista ou de um sonhador...Nesse instante, em poucas palavras, os homens rompem a sua impossibilidade, assimetria endógena na corcova do herário, ministros despoupam os que poupam, bolsas tropeçam na incerteza das democracias latinas, américanas, as casas, suspendem os contratos com os fornecedores que esperam na fila do lado de fora da chuva que nao veio, mínimas lembranças de um dia cansativo e sem graça...

11 maio 2009

È fila!!!!

10 maio 2009

number one

Fazendinha...


Funeral de um lavrador
Nesta cova em que estás, com palmos medidos
É a conta maior que tiraste em vida
É de bom tamanho nem largo nem fundo
É a parte que te cabe neste latifundio
Não é cova grande é cova medida
É a terra que querias, ver dividida
É uma cova grande pra teu pouco defunto
Mas estarás mais ancho que estavas no mundo
É uma cova grande pra teu defunto pouco
Porém mais que no mundo te sentiras largo
É uma cova grande pra tua carne pouca
Mas a terra dada não se abre a boca
É a conta menor que tiraste em vida
É a parte que te cabe deste latifundio
É a terra que querias ver dividida
Estarás mais ancho, que estavas no mundo
Mas a terra dada não se abre a boca
É a terra que querias ver dividida.

(João Cabral de Melo Neto)

04 maio 2009

Descampado

viagens, uma sequência delas, brasilia by contribuinte, mas legitimamente conquistada, nao tenho padrinhos na esplanada, nem posses na algibeira, uma falta e outra, obriga-nos a cumprir o tema, dessa vez no descampado, na grama seca do altiplano, nas cercanias do brejo, na cidade alheia de desenho artificial e, miseravelmente, sem sentido, numa dessas paragens do brasil dos tres poderes, miscelanius, diria o senador de aluguel, filho e neto de coronéis, vice-rei da maracutaia e do caixa dois, ministro em chefe dos bilrros na calcada alta, mitigadamente, nao bebo bebidas amargas, sem açucar, a saber, meto-me em trajes de passeio a cata da corte das ideias poucas e das ruas largas e eixos monumentais, irei, mas nao ficarei por lá....

03 maio 2009

02 maio 2009

Non cooperative Games



John Nash Jr.

01 maio 2009

Lancamento do pré sal



"Isso é uma coisa mais velha do que a descoberta do Brasil",

"Eu não acho correto, mas não acho um crime um deputado dar uma passagem para um dirigente sindical ir à Brasília"

"Qual é o crime de um deputado levar a mulher para Brasília? Graças a Deus nunca levei um filho meu para Europa, vocês dão dimensão demais a uma coisa que pode ser corrigida pela própria mesa do Congresso"

"Eu não vejo onde está o tamanho do crime que as pessoas estão vendendo"
(Luis Inácio, 2009/05/01)

Meditabundos

30 abril 2009

Imagens sonoras



Toca o sino pequenino
Sino de Belém,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora tem.

É Natal, é Natal,
Vamos sem demora,
Já nasceu o Deus Menino
Que a Senhora adora

29 abril 2009

Uma pequena milonga missioneira


Mitongos, tu tangas

Milhagens no cartão precisam de crédito,
juros não caem de amores pelo descrédito,
palavras são ameaças vazias,
fiscal é o ajuste do orçamento
para consecução do investimento,
parreiras no outono são quitandas,
chuvas só no inverno,
ladainha é mudança abrupta,
la ninha, a mesma coisa, com exatidão,
misangras, lamento dos charcos, chuvas,
sublime é a expressão da vida,
sucumbes....

O rei de Frigia e seus tentáculos


Górdio é nó, sem sombras, esse infeccioso vírus, vilão da barafunda, instala-se nas dissecadas mentes teológicas, e sem saber, repete, como um mantra, a sua ladainha, em outos tempos, seria melhor esmagar o carro com a retroescavadeira e desabar sobre o precipicio a fúria de latarias e outros desmanches, por agora, aceito o argumento, todos estão certos, todos estão errados, no fundo isso é real, mas como o diz o refrão:
"Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim..."(Paulinho da Viola)

26 abril 2009

Arapucas

instrumento de caça, armadilha de origem indigena para pegar pequenas presas em descompasso, pois é, mesmo imprecisa e incompleta, essa definição, serve para o que proponho, e, assim como equilíbrios de baixo nível, deves evita-las, no Brasil, como em qualquer outra parte do mundo, essas conviclções macroeconômicas prosperam, e, ao relata-las, mesmo querendo diminui-las, acabas por legitimar um debate inócuo e sem sentido, deixe-os todos com suas crenças, afinal o importante é usar bayes com alguma precisão e supor que o jogo é repetido, afinal, mesmo com uma funçao aprendizagem linear e com poucas conexões sinápticas, é possível pensar em vida inteligente nas nossas fronteiras, ao tentar colocar o debate em um nível racional acabas solidificando o nó, é mais ou menos, como esticar a corda para tentar desata-la, acabamos eternizando as posições rígidas, com perdão da redundância....

25 abril 2009

sábado a tarde



um leve soco, sem traumas, apenas um aperto de mão, uma falta de expressão no olhar, a pena leve sobre a pilha de papeis sem datas, mas, em todas as direções empilhados, morre-se assim, acumulando papeis rabiscados aos montes, efeitos autoreforçados de um pastoreio nas margens daquele rio, semprevivas, lembranças, saudadesdadescidanamontanhadasonças, pintadas de verde as arvores, redes armadas em varios niveis, arapucas na descida para o riacho, andorinhas, juritis e uma pedra rolando ao som dos gravetos quebrados...

23 abril 2009

abóbada

sua excelência deveria respeitar meus termos, afinal eles nao estao aqui para se defender da injuriosa calúnia que ora proferes...nesses termos, de caso pensado ou nao, poderia começar a fanfarra dos sabichões, arautos da malidicência, registro impecável da articulação insidiosa em outras paragens, diria o meu amigo dos povos, não me relevem a importância da manifestação contra os arbitrários desmandos nos campos e pradarias...seja como for, nao vai, nao dessa forma, bem a nossa vontade de ser livre e civilizadamente um povo, ou um arranjo mais estável, entristecedoramente lamentável, diria o bomsenso reclamando das suas aflições, e pensar que nessa colunata, naquele ricão, estão doutos de tremenda estampa, fina, não sabemos ser, afinal, os dias sempre revelam o que não queremos saber, pachorra na masmorra, ou palhaçada no picadeiro, metaforicamente, é óbvio, afinal...

22 abril 2009

película

protejam-se, grita o capitão de guardas, diante do ataque surpresa das bolsas, passagens são emitidas a revelia das cotas, vale tudo, passe livre, alguns viajam a passeio para "zeuropa" com a familia, amigos, gatos e cachorros, turismo nas asas do eixo monumental ou plano piloto, outros, mais espertos justificam as passagens da companheira, sic, outros falam de companheiros de ideologia que viajam em suposta antecipacao da campanha, outros ajudam amigos e vizinhos, ou um conhecido, afinal cumprem, com o dinheiro do contribuinte, o mandato federal, alma gêmea das garsas, abutres sobrevoam o plano piloto, sem cerimônias, viajam na estacão das térmicas em planador do herário, pelo menos usam energia limpa, já o manuseador de palavras, vive de dores nas costas, falta de sono e de apetites...

20 abril 2009

Andrés Segovia



minuetos, serenos enlevos de uma noite de outono na ilha dos acores, vista de longe parece pacata e pacifica, de perto a realidade se impõe, sem mediadores nortenhos a vida da cidade baixa é o único feixe de luz pacificadora...

mineiridade da rua da bahia

novostempos


"Jamais foi sugerida uma explicação moral coerente para abandonar um sistema que fornecia capacidade valiosa de inovação, pesquisa, solução de problemas, crescimento pessoal. Os socialistas e os corporativistas jamais ofereceram um modelo alternativo de boa vida." (Edmund Phelps, 19/04/2009, fsp)

19 abril 2009

a bailarina e a outra pessoa.

polifonica e madrigal, ela, a bailarina, nao sabe o que dizer enquanto gesticula com o nariz, a mao espalmada tenta acalmar as narinas num gesto delicado mas de efeito real, feiticeira de faixas, divertida e inteligente, como todas as fadas, mas nao sabe o que quer dizer o seu sobrenome alemao, de gestos largos, e frases curtas de efeito tepido como a agua de banho daquela queda dagua em melbourne, ou em mangaba, outro tanto, sua vida em codigo nao revela, seguidamente, ainda moram na mesma rua, na mesma casa separada, mas em dias, irao ter, em anedoticas bebedeiras, uma grande e inusitada noite de alegrias, diz que dança, mas eu nao sei....

17 abril 2009

cenográfico, o muro, não o significado da sua tragédia


a notícia, em tempos de banalizações, chama-se de noticia qualquer martir da inocência, mas suponha que a aplicação do termo mereça uma nota, nesse caso, do muro, da queda do muro, ergue-lo, mesmo que cenograficamente, fere qualquer sentido mínimo de dignidade, nos corredores da cidadela suja e obscura, muitos foram mortos e perseguidos apenas e tão somente porque discordavam do leviatã sombrio, frio, calculista, gosmento e pragmático para ceifar vidas e prender qualquer expressão livre nas artes, na música, na ciência, na política, nas zilhões de formas de ser humano. Lugubre e soturno, ele, o muro, esconde a miséria dos que mandaram/mandam ergue-lo em nome de uma idéia, que no diminutivo chamamos de ideologia...

Princípios de justiça distributiva


(1) Todas as pessoas têm igual direito a um projeto inteiramente satisfatório de direitos e liberdades básicas iguais para todos, projeto este compatível com todos os demais; e, nesse projeto, as liberdades políticas, e somente estas, deverão ter seu valor equitativo garantido.
(2) As desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer dois requisitos: primeiro, devem estar vinculadas a posições e cargos abertos a todos, em condições de igualdade equitativa de oportunidades; e, segundo, devem representar o maior benefício possível aos membros menos privilegiados da sociedade. (RAWLS, p. 47 e 48, 2000)

16 abril 2009

"é bobagem achar que vou voltar"

"Vai de uma vez não volte mais
Vai porque eu não vou voltar atrás
Eu vou me acostumar
Não quero mais
Ninguém pra me enganar
Eu vou me acostumar
Não quero mais
Ninguém pra me enganar
Sei foi bom demais nossos momentos
Mas, foram momentos e nada mais
Vai, não volte nunca mais
O que eu falei
Não vou voltar atrás
Vai, não volte nunca mais
O que eu falei
Não vou voltar atrás
O que eu falei não vou voltar atrás
Não quero mais ninguém pra me enganar
O que eu falei não vou voltar atrás
Não quero mais ninguém pra me enganar. "

Epitáfio


"A superfície da vida que (Joyce) viveu parece sempre errática e provisória. Mas seu sentido central dirigia-se tão conscientemente quanto sua obra. A habilidade com que escreveu seus livros foi a mesma com que forçou o mundo a lê-los; a afeição sorridente que eestendeu a Bloom e seus outros personagens principais era a mesma que dava aos membros de sua familia; seu desinteresse pela parcimônia e convenções burguesas foi a esplêndida extravagância que o capacitou na literatura a transformar uma selva intratável num novo estado. Em tudo que ele fizesse, seus dois interesses profundos - sua família e seus escritos - mantiveram seu lugar. Essas paixões nunca cederam. A intensidade da primeira conferiu à sua obra a sua simpatia e humanidade; a intensidade da segunda deu à sua vida dignidade e nobre dedicação." (Richard Ellman, palavras finais da monumental biografia do Joyce.)

formigas no serro

Exausto



Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Adélia Prado



(xxx)


Dia



As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.
Adélia Prado

15 abril 2009

no sequitur

tenho agora, cá nesse mundo das palavras tortas e de significado nebuloso, um seguidor, trata-se de rapaz distinto, de saberes medonhos e de gostos dúvidosos, afirma isso seu caráter assumidamente seguidor desse blog, mesmo sendo, e assumindo ser, ele nao segue o blog, sempre desatualizado, prefere assistir novelas e "contracenar" com os galãs da globo, alegadamente do mesmo sexo, penso que ao não revelar sua preferencia pelas beldades do belo sexo ele poupa-se da inevitável explicação dos recemcasados, "vixe, nao sabe que prefiro as morenas", ou algo do genero, tudo pronunciado no seu, tambem ele, indefectivel sotaque oeirense da antiga capital...Peço perdão aos outros dois leitores, mas um seguidor que não ler já é uma grande conquista, afinal nada do que por aqui passa vale o que lerdes, ou algo assim.

14 abril 2009

cornucopia


devo está errado, é uma cisma sem peia, algo da minha cabeça, afinal, reduzir o superavit primario tirando a petrobras da base de calculo nao é uma estratégia oportunista para liberar a caixa das gastanças, nao, é, antes o contrário, uma sensata decisao para evitar o agravamento da crise, afinal, transparencia e sincera competencia nao faltam ao governo e aos diretores da senhora do petroleo brasileiros, sessentona madura, ja atravessou a ameaça de concorrencia dos leiloes competitivos e dos precos liberados, agora quer voltar ao monopólio deslavado e pleno e ao controle de precos com cheque em branco para gastar, nao, eu devo está enganado, vejo pelo em casca de ovo, vejo castelo nas nuvens, poeira nas lombadas dos livros de macro sujeira nas criticas de lucas, vejo até mesmo a volta da insignia lugubre na calada da noite do planalto, tormento siberiano, isso passa na primeira lufada de danos ao poder aquisitivo real, ou do real, diriam uns, mesmo assim, precisava exorcizar essa duvida, afinal que poderes tem os ministros da fazenda no meio da tormenta, senao pregar o que ja estava no economia politica de meados dos cinquenta?!??

13 abril 2009

quinze minutos....

ainda nao chegou a hora de marcar o tempo em minutos, mas ha uma inquietacao no ar, sufocas o ar puro, com tuas pilulas de sabedoria, uma leitura inacabada do roterio da boa prosa, uma pressa de nao pegar onibus, uma luz ainda por apagar, sinais de calor no outono, vitimas fatais no transito, livro em capitulos a espera do escrevente, ser somente leitor e repudiar a praga solitária nos campus de solimões, maneirismos verbais, nada mais....

12 abril 2009

clausura


"Pois bem — usando da licença que me deu de aconselhá-lo — peço-lhe que deixe tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar, — ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a escrever?” Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade." (Rainer Maria Rilke - Carta a um jovem poeta)

11 abril 2009

cenadoméstica

o breve dialogo entre o anaculeto e o doutor limpol, na saida do super:
segue firme o meu proposito de decodificar todos os passos da limpeza, em agua fria, dos instrumentos da mesa, uma por uma, as tacas e os pratos da festa serao revisados em cores e formas e alinhados em sitio apropriado, sequencia lógica e ritual preparatório, disparou o ansioso anaculeto, do outro lado, o doutor limpol mostrava-se distante e despreocupadamente evasivo, aboletado no carro de compras, mesmo assim, esbocou uma reacao, "use bastante espuma e nao esqueca de desligar a agua enquanto espalha os meus predicados na esponja, esponja essa que tem dois lados, um macio e de superficie menos resistente a friccao e outro mais apropriado para sujeira densa, crosta de fundo de panelas, e materiais mais sujeitos aos caprichos da força, quando calhar, apele para o meu primo, o palha de aco, ele ajuda no trabalho de restaracao do brilho e desbloqueio do trafego porém, o esseencial é distrair-se, esqueca o que está fazendo e acompanhe os encantos da espuma levemente alimonada, inebrie as narinas, discretamente, além disso, ajuda sempre, nesse processo de alheamento do lugar, uma boa música, mas tenha a paciencia de saber dividi-la com os inevitaveis barulhos da agua em pedra dura, velho ditado, mas de sentido apropriado para essa empresa..." Entendo, respondeu o ja euforico anaculeto, agora é só atender a pressao da hora ou ao chamado, nao menos inoportuno, das obrigacoes domésticas do fim de semana, palha, esponja, doutor limpol e uma sessao terapeutica para esquecer os dissabores da crise, a falta de tempo para leituras adiadas, a algebra dos hiperplanos separadores e a ida ao cinema grantorino, ou algo de sonoridade próxima...Perfeito, podemos começar, a ampulheta ja foi virada, e, se de todo nao funcionar, sempre podemos apela para quimica dos chocolates ou para o futebol no campo de pradaria agreste, ou algo mais forte para casos mais agudos de tédio.

10 abril 2009

Joyce, Hustons, e os dublinenses

noutrafreguesia


Belo Belo

Belo belo minha bela

Tenho tudo que não quero

Não tenho nada que quero

Não quero óculos nem tosse

Nem obrigação de voto

Quero quero

Quero a solidão dos píncaros

A água da fonte escondida

A rosa que floresceu

Sobre a escarpa inacessível

A luz da primeira estrela

Piscando no lusco-fusco

Quero quero

Quero dar a volta ao mundo

Só num navio de vela

Quero rever Pernambuco

Quero ver Bagdá e Cusco

Quero quero

Quero o moreno de Estela

Quero a brancura de Elisa

Quero a saliva de Bela

Quero as sardas de Adalgisa

Quero quero tanta coisa

Belo belo

Mas basta de lero-lero

Vida noves fora zero.

Manuel Bandeira (Petrópolis, fevereiro de 1947)