12 março 2008

o discurso e a praxis

O poder e suas nuances parecem cegar até mesmo o mais atento analista, imagina-se o que não é capaz de fazer com os deslumbrados?!? Reproduzir políticas assistencialistas em grande escala e entender que com essa prebenda consegue-se reverter as injustiças e os desequilíbrios da realidade brasileira é um equivoco tão óbvio que chega a ser espantoso como o atual governo realmente acredita que "nunca antes nesse país" o pobre foi tratado com o suposto respeito e dignidade da atual política social do governo. Além de inócuo e incapaz de quebrar as armadilhas de pobreza, o mecanismo de transferência unilateral de renda provoca um conformismo urna-compatível, que é conservador, mas sem efeito real sobre a vida, a cidadania e a dignidade dos assistidos [diz-se de quem recebeu assistência, sem eufemismos]. Não se trata do velho jargão do ensinar a pescar e coisas dessa linha de raciocínio, antes, trata-se de uma falha de concepção e de compreensão do fenômeno que gera ou preserva a pobreza e a armadilha que ela coloca para pessoas e familias. Um fenômeno complexo não pode e não deve ser tratado por transferência de renda, por políticas universais e de cima para baixo, está tudo errado, para ser simples e objetivo como o espaço exige, cinquenta reais não são transformáveis em funcionamentos da mesma forma por todos os contemplados, aliás, esse é o problema: a forma como a pobreza se manifesta é distinta de indivíduo para indivíduo e de comunidade para comunidade, dentro da mesma realidade temos quadros distintos e com muitas dimensões distintas, a renda é apenas uma delas e inescapavelmente a menos eficietne para transformar capacitaões em funcionamentos, ao atacar os meios o governo Lula, negligencia o que realmente importa que é o resgate efetivo, sustentável e duradouro da dívida social. Lamentavelmente, continuaremos a ouvir essas precárias palavras, enquanto a vida dos mais pobres é tratada por números pífios e de conteúdo populista.

10 março 2008

thebestone

falar sobre o blog do cláudio et all. exige uma dose excessiva de imaginação combinada com uma sincera avaliação dos parâmetros, sem comparação no mundo virtual, não é possível ficar insensível à enxurrada de informações em doses abissais de inteligência, humor e aguda visão crítica, você pode até nao gostar, mas acaba sentindo uma tremenda inveja do senso de oportunidade, do dialógo de surdos com os bolivarianos e da última piada com os amigos e inimigos, sem dúvidas, diversão e arte, na medida certa, parabéns!!!

08 março 2008

leituras dinâmicas e diárias

o blog do cris tem uma caracteristica típica dele, um respeito cerimonioso ao objetivo proposto e uma honestidade intransigente. O duke é mais varietal, percorre várias tribos, provoca e faz muitas referências ao nobre rincão e aos familiares, já o do leo é ocasional, muito informativo com uma inteligencia de lorde, disfarçado, é claro, mas enfaticamente didático, o do márcio é o diário de um estranho no ninho às avessas, algo como o passo a passo de um maluquinho dependente químico de livros de econometria, até parece que só ler e escreve, oh rapaz, temos outros, mas esses vão esperar a melhora do corpo que nao suportou bem a primeira semana de aulas, enfim, isso, dizem, vem com o tempo, o mesmo tempo que trouxe os blogs e uma lignuagem nova e muito rica e com a qual eu me divirto pacas, como diria o amigo ocasional, na real, exagero, ele está, mas nao é...

29 fevereiro 2008

a linguiça dos outros....

Meu amigo surtou, melhor, colocou no papel suas crônicas, com o impeto de sempre, percorreu o lugar comum, fazendo a melhor campanha de endomarketing jamais vista (diz-se de quem imprime curiosidade e imaginacao ao que, supostamente, os outros imaginam ou perguntam-se, o que esse maluco inventou dessa vez?). Mesmo assim, recomendo fortemente a leitura dessa bela obra de amor e ódio e quase tudo que um liberal possui, acurácia, inteligência e humor, quase sempre refinado, seja o que for, parabéns, meu amigo.

23 fevereiro 2008

recomeço...

Certamente essa não é uma decisão acabada, bem, nenhuma decisão segue esse destino, mesmo assim, podemos afirmar, sem ter a capacidade de antecipar as consequencias sobre o nosso bem-estar, que o terreno para a volta está preparado, menos adjetivos e temas menos especificos, eis a proposta, seguir o impulso percorrendo areas distintas e, tambem elas, incompreensiveis, como a prova do teoremadabarganha, prova da existencia e da unicidade, por contradicao, ja posso adiantar que uma outra estratégia de prova ja foi catalogada, mas a que se encontra em friedman, 1993, ainda nao disse ao que veio. alias, estuda logica e estrutura das provas é um projeto que deve ser retomado com urgência.

19 maio 2007

Bolsa escola

Governar em tempos de pac e "miseria do historicismo" é prender a turba e assinar medidas provisórias mandando empilhar a lista orcamentária de gastos, e empenhar a despesa por conta própria, agora, o governo do mensalão, aquele mesmo que nao ousa mexer no status quo desde a revolucao bochevique, achou o santo graal da educacao, distribui vales aprovacao para incentivar a crianca a obter a educacao assistencialista, ja se fala no novo ciclo de inspiracao freiniana, chamar de incompetencia uma idéia desse quilate é um sofisma para banalização da burrice e para uma visao fantasmagórica da vida comum de um pai de familia que nao dispoe de recursos para educar seus filhos. Na próxima o governo vai propor um vale corrupcao ou um vale xilindró, algo como uma bolsa cadeia para incentivar o crime organizado para aumentar as estatísticas ou para aperfeiçoar a metodologia do ibge (institututo brasileiro de genuflexao estatística), depois, virá a escamoteacao da realidade do mercado de trabalho através do bolsa mercado informal ou bmi, como ficará conhecido, o governo vai distribuir R$ 50 para os que, comprovadamente, nao possuem carteira assinada. Projetando um gasto anual de R$ 8 bi, é possível ampliar os benefícios e atingir também o terceiro grau e a policia federal.

24 fevereiro 2007

Listas

Essas listas nao costumam funcionar, mesmo assim, ouso comete-las, sem propósitos, afinal que pode o goleiro diante do penalte ou como pode um só, retornar ao canto da praia e devorar a lua? Entrementes, segue um roteiro desordenado, os números, bem entendido, são sugestões aleatórias que aparecem ao capricho do acaso, repetem-se e nao indicam absolutamente nada, portanto, dispense interpretações, elas, nesse contexto, estão fora do script e apenas levantariam suspeitas infundadas, ou nao, portanto, vamos aos dotes do mês das chuvas e do calor, enquanto transpirava tomava notas numa folha qualquer sobre o que não foi e deveria ter sido feito e o que não precisava:
  1. retomar caminhadas - o horário pode e deve ser flexível, a caminhada não.
  2. organizar o calendário do termo, para cada atividade percorrer todo o ciclo e antecipar as datas e áreas de conflito de interesses.
  3. abrir as gavetas para respirar e permitir a troca de guardas e a fuga de alguns aprsionados pelo tempo e dos pápeis de ocasião, deixando, inclusive, uma situação de vazio, sempre que possível
  4. descansar no fim de semana e viajar nos feriados, sempre é um projeto adiado, mas que torna-se cada vez mais premente, contudo, não esqueça de calibrar os pneus e confira a medida do óleo e da água.
  5. terminar os "10 artigos" ou pelo menos deixa-los alinhados, ou na revisão, ou na parte empírica, ou nas notas matemáticas, enfirm, ter uma primeira versão é importante.
  6. quantas línguas novas é possível aprender? Gramática e pronuncia, nunca uma sem a outra.
  7. diminuir acesso à rede e disciplinar a rotina, sempre uma quimera, mas vale a pena tentar novamente.
  8. responder email rapidamente e emitir o parecer dentro dos prazos acordados, nunca é demais saber selecionar, dizer não, e manter a reputação.
  9. jogos de informação incompleta e aplicação a novos campos, experimente.
  10. dormir em horários humano-compatíveis, ou, pelo menos, manter as horas semanais de morfeu dentro de uma média aceitável.
  11. ouvir mais música, ver menos televisão, uma e outra, a seu tempo.
  12. rever a participação no conselho, qualquer um.
  13. escrever na primeira pessoa ou de forma impessoal, avalie o que tem como público.
  14. ter paciência com os precatórios
  15. visitar os amigos
  16. beber menos durante as bebedeiras e beber mais destilados, uma opção.
  17. economizar R$ toda semana, aqui, obviamente, o autor de gatsby tomou emprestado a idéia de um bilionário cujo o nome não recordo
  18. nao desista da matemática dos sistemas dinâmicos e das equações diferenciais, elas permitem o crescimento.
  19. nao discutir politica em mesa de bar, se os amigos nao concordam com suas teses, principalmente.
  20. só acrescentar um novo livro à lista dos inúmeros que estão na fila de espera se terminar pelo menos um ou dois da atual lista.
  21. nao esqueça de atualizar o Cesar Lattes.
  22. vá ao oculista.
  23. os seguintes, são impublicáveis e, certamente, improváveis.

05 fevereiro 2007

jornais de papel

Ainda há tempo para rever o termômetro, como se toda a tecnologia que dispomos fosse capaz de entender ou dominar modelos dinâmicos, estruturas mal definidas que percorrem caminhos nao menos definidos, mancehtes assustam o leitor de jornais, faz calor no verao é verdade, provovalmente por todo o século XXI as temperatuas continuarão aumentando em todas as estações do ano, em todo lugar do mundo, no verão as temperaturas aumentam, aqui não há espaço para o uso ideológico ou político de uma constatação, faz calor no verão, mesmo assim, seremos bombardeados pelo discurso politicamente correto e pela mesma ladainha antiqualquer coisa que não esteja nos manuais do velho capitão, ou comandante, como querem alguns, mesmo assim, na ilha que acabou virando a ilusao de solidao e de consciência onipresente da idéia de solidariedade o mesmo calor que oprime os humanos amplifica a sua caixa de ressonância, porque lá, o homem não é livre nem mesmo para errar ou amar, sabe tao pouco de si, como quem sofisma carregando bandeiras e armas, ilusão do poder que esconde o mote, a propaganda enganosa da força das armas de fogo, que, novamente, aquece sem aquecer, a terra, nao só homens ou mulheres ou crianças, essas estão presas pela falta de informação, fome de idéias, educadas no jargão monolítico ainti-imperialismos ou, na falta de viver o ser, qualquer um que seja, aquele que em novembro faz soar o alarme das festas e que nas férias comete outros livros, outras viagens, outras línguas, mas que, ao cabo e ao final retorna, renovado na mesma ilusão de liberdade e de que, apesar do comandante, ainda temos uma porção de autonomia nos nossos destinos e que somos capazes de mudar mesmo que nao queiramos exatamente a mesma sensação novamente.
Aos ambientalistas doutrinários cabe a salvação do outro mundo, nao a minha companhia ou a minha paz mediastinal, estarei conversando sozinho, lendo as palavras dos velhos livros que ja foram riscados, subindo escadas a procura de mais livros, mas não compartilharei a esperança alheia num mundo sem liberdades humanas completamente falíveis, portanto, nao usem o calor do consenso contra a o bom senso, e procurem nos combustiveis fosseis um culpa real, nao aquela bandeira antiglobalizante e oportunista que vem com os jornais de papel que aquecem o planeta ou que derrubam arvores, para sempre.

31 dezembro 2006

Ponto cego

No apagar das luzes, como se fosse possível desenhar essa cena. O ano, a passagem de troca de ano, é simbólica e ritualística, nós, boboquesomos, ficamos tecendo comentários e levantando planos, para algo que é irreal, porque amanhã ou depois estaremos lá, no mesmo ritmo, contemplando a lista do que falta entregar, corrigir, rever, honrar, comprometer, sofismar, adiar, reviver, pagar loas, recordar. Mesmo assim, temos que listar as coisas que não funcionaram, e ai, voltamos a pensar na palavra dita, no tom de voz, no gesto forte que acaba agredindo ou afastando os outros, nada como uma sensata e equilbrada visita da razão: erramos quando assumimos uma verdade contra tudo e contra todos, quando o máximo que temos são convicções, interpretações e o desejo, aquele desejo construtivo que é capaz de transformar um time normal em um campeão do mundo e que faz um reserva sem expressão acordar uma cidade inteira em festas. É isso mesmo o ano foi de conquistas coletivas, conquistas de grupos não do indivíduo, sempre tinhamos a sensação de insegurança na terra, agora, no ano que passou, descobrimos por acaso que voamos em um ponto cego e que as colizões obedecem a uma loteria que não temos como antecipar ou evitar, concretamente, o crime organizado cresceu no interior de nossos presídios, nossas instituições foram aparelhadas e corrompidas, ainda não sabemos como construir o consenso que faz crescer, revivemos o voto apático no rouba mais faz, ainda agora, somos manipulados por estatísticas de governo, sem conseguir encontrar a américa profunda na beira da estrada de buracos, fomos ao espaço, é lamentável mas é verdade, mandamos dólares para o paraiso estrelar e isso é motivo de glória, afinal da bolivia a estação lunar somos todos movidos a gás , pequeno mundo da provincia ainda se amplia na voz popular sem mágoas, bolsa para a familia e cotas para a vergonha, sinecuras, prebendas, clientelismos, fisiologia da vida, mesmo assim bernadinhos ainda levantam a moral que dificilmente acredita no que viu, sim, temos um vencedor, mais uma vez, um grupo vencedor, uma ira divina que corta, saca, defende, passa, amplifica a vontade de cravar no chão a bola e levantar a dignidade de um projeto de nação, meu irmão, o ano das tuas dificuldades não foram estatizadas, ainda privatizam apenas a dor, quando deveriam privatizar aeroportos eanacs, e condenam a esperança, mas acabou o ano, a vida continua e agora, na terra dos campeões do mundo, sabemos, e como sabemos, que não há ilusão, e a grande conquista é preservar valores e a ética, essa teimosia de quem sonha, sem retórica, afinal tudo que temos está por conquistar.

08 novembro 2006

boa noite

meu amigo nao deixe as olheiras expostas ao escarnio, reative o mata-borrao, reponha as horas insones na cessao de cinema da esquina, revisite as páginas amarelas, deixe que a vida tome um curso, qualquer um, mas nao tente reter ou conter o horário de verão, minhas dicas, sao auto-destrutivas, portanto, ao ler uma ou duas, comece a antecipa-las pois elas se perdem na estacao, quando a porta fechar a cara dura, nao tema, é apenas um ferrolho, a macaneta ainda é flexível o suficiente para nao resistir ao aperto da mao, boa noite, entao...

23 outubro 2006

Sontaguianas

"O escritor deve ser quatro pessoas:
1. o maluco, o "obsedé"
2. o idiota
3. o estilista
4. o crítico
1. fornece o material
2. deixa que ele saia
3. é gosto
4. é inteligência
Um grande escritor tem os quatro - mas voce ainda pode ser um bom escritor com apenas 1 e 2; sao os mais importantes." (Susan Sontag - Diários (na folha))

22 outubro 2006

Vale tudo

Não é uma forma inteligente escolher contra principios éticos, parece óbvio esse preceito, no entanto, a vida como ela é, nas palavras do anjo pornográfico, não segue ou obedece preceitos, e estamos a um passo de estabelecer a canalha. Refúgios existem e devemos solicitá-los ou refugiarmo-nos ainda mais, nenhuma frase, nenhuma linha de raciocinio, pode convencer a verdade ou a cura da licao aprendida com o tempo, de que a expressão dos tempos é de conivência e precariamente solicita com o inconfessado mal uso do espaço público, vivemos o caos da linearidade emocional, nada de apelos convincentes à razão, melhor colocar no lugar comum as mudanças e apostar na pieguice da mesmice e do discurso maniqueista e adjetivado, como se a realidade, qualquer uma, fosse permeável aos apelos retóricos e ao afago da canalhice. Como explicar os valores que constituem a história recente do país sem desânimo ou sem duvidar da paz eterna, reconhecidamente estamos numa armadilha cruel em que valores sagrados como honra e correção de princípios e de vida são imolados na praça pública e a velha lei dos coronéis, dos velhacos, dos gersons, dos demagogos, dos que fizeram da origem uma bandeira, sem brilhos e sem honestidade, os vencendores de uma peleia sem regras ou respeito, na terra brasilis, valetudo não é mais título de novela das oito ou de luta livre, é refrão dos magos das urnas, dos que possuídos dos dotes da trapaça e o ardil da degola, enganam o ingênuo e o simples, o que sempre recebeu do poder a ilusao assistencialista e um tapinha nas costas. A vergonha não poderia assistir em jubilo um momento de ápice tão nítido como o rumo das coisas de estado no país dos intelectuais que a tudo esquecem em nome de um punhado de palavras e idéias datadas, mentirosas e reticentes....

14 outubro 2006

a volta

ainda consigo lembrar a forma de acesso o que significa que estou de volta, " feche os olhos, veja" o mar nao tem uma forma única, assim como as letras no teclado que mudam, circunstancialmente, as palavras...ainda sem querer participar do debate acho inevitável tecer comentários sobre o meu momento na madrugada e na orla, o vento sopra sem querer parar movido por um conjunto de forcas indecifraveis, nao modelaveis e o pais caminha para cisao, cisma da reforma, a unica que nao comecamos ou pensamos, porem, ela, a reforma, tornou-se inevitável...esse será o tema da volta.

23 agosto 2006

gruas

Sem palavras...a angustia da rotina eivada de compromissos não deixa o sujeito despir a sua dor, inclinar as costas doidas para respirar, enquanto arranja forças para anotar, uma por uma, as passagens religiosas do dia, mesma máscara sem tapumes, máscara pagã da dinastia semsangue, vaidade postergada, arrumação de papeis em pilhas justapostas e nenhum ordenamento possível, ao norte, assoma a grua reticente que antever a tomada de mais uma beatificação, movimentos cinematográficos sem cortes, sem editar o mesmo ritmo nas veias, e nos olhos a devastação do lugar, da memória e da hora, minha reflexão não sabe o que está acontecendo na coxia ou na orelha daquele livro adiado ou no repasto sem licor de uma alimentação noturna, minhas reflexões não conhecem o interior de uma coxia, muito menos a voz de quem descumpre o preceito do escudeiro, “é próprio dos sábios pouparem-se de hoje para amanha” mesmo com esse anátema ele insiste na mesma triste figura, sem saber em qual canal manter a sua atenção ou seu esforço por mais um combate ao roteiro improvisado, para mantermos a metáfora cinematografia.

15 julho 2006

na duvida a minha resposta, intepestiva, por que nao, é ficar silente, resolver na penumbra a dor da hora, a velha divida nao alinhada, a manifestacao da corte de socrates, mudana, cidadao do mundo, vestes soltas, barba sem alinhamento possivel, mas ainda temos as sandálias de dedos soltos, onde descansavamos da lida, sem temor, sem um sinal vital para esquecer, minhas sandálias, velha testemunha de tantos fracassos e de tantas viagens, ainda não estão imunes ao que significam, apenas estão quietas, na prateleira do tempo, inertes, mas, ainda conseguem despertar o nervo da memória, sem pesos, sem filtros, a memória fria do que poderia ter sido, do retorno sem possibilidades, a ncessidade da espera, a passagem de tantos momentos que, mesmo que evitados pela visita da glória, representam e representavam, esforço redobrado, atenção foco na esperança de que, mais cedo ou mais tarde, o vento muda, as peças conformam um encaixe, a luz ilumina e a rua, cheia de curvas, guarda seus cachorros e armadilhas, para liberar o transito que leva a farmácia.....

22 abril 2006

Argilas e digitais

Não há muito o que gravar mesmo porque cd nao tinhas e a virginal parelha era uma cristaleira orlada de recordações, as pedras distraiam o tempo e ainda municiavam o badoque, linhas, curvas, estradas de carpina e morros grotões a dentro, serpentes.... nao tinhas a menor noção do tempo sem aspas, sem o refrão do menino pagão, solitariamente na chapada, ao pé do muro, vastidão na descida, céu de qualquer um, piso de sonhos, diriam uns, outros, menos solidários, melhor seria, sustentavam, não partir, ser do lugar e ficar, bastaria, quem sabe, diriam outros, a melancolia seria uma lembrança vazia de palavras homonimas, ou de vidas, idem, por que nao? Todos os dias a mesma lista de noticias, a mesma indagação sem imaginação, o relato das humanas patifarias, a mesma luta diária com o trânsito e a fuga, o ponto de fuga, matematicamente proporcional, como nos potes de argila de Puebla Acoma, ou como as espirais das digitais, alegóricas, mesmo dia, mesma noite, sem fim, tardia, ainda que lenta e timidamente perdida, por que nao? Viajaremos no verão, para o mesmo lugar, quanta ironia e na descida contemplaremos os muros das casas que não estão mais na rua das pedras, mesmo assim, não aceitaremos o lugar comum sem a falta de vírgulas de antoniolobo....

09 abril 2006

conjecturas...

Havia conspurgado a página e desisitido das investidas do acaso, mas, como a própria reverência ao mesmo motivo, reponho as palavras no espaço em branco, agora, para revigorar a existência, qualquer uma, que permita uma revisão apropriada da expressão. Normalmente, não funciona fazer uma disciplina como ouvinte ou ler um material formalizado sem exercitar as dúvidas na ponta do lápis, afinal, como se chega aos resultados da função característica, supondo que já entendemos o seu significadou ou para que serve esssa função na compreensão do problema geral, etc? Mesmo que queiras, redimir os manuais da falta de conexão com a história real ou com a teoria real, nao podemos nos furtar da sistemática tentativa de entender cada demonstração e cada construto teórico ou arranjo axiomático na análise maior que chamam teoria ou explicação do real, a partir de bons constructos, palpites e proposições testáveis, esse arranjo abstrato, dedutivo, lógico é o que temos de melhor para entender o que quer que seja sem nos apegarmos exclusivamente á crença cega nos argumentos de autoridade ou em dogmas da emoção ou nos atributos da adjetivação que nao duvidam nunca e que dependem da sólida companhia da fé, dogmaticamente sem saídas, apesar de eventualmente confortados, apenas estaremos fortalecendo a nossa ignorância do mundo que tentamos, humanamente, entender....

04 março 2006

verbetes do beco

Na véspera de mais um certame o gaudio rever a prancheta onde havia anotado o indecifrável ardil, mesmo uma rua sem saída deve possuir possibilidades de fuga, rituais são previsivéis, mas atuam como uma linha imaginária que separa as estações de rádio ou do tempo, tanto faz, afinal a rua continua a mesma, sem saídas...O verbete na enciclopédia nao revela muita informação nova, apenas descreve as passagens que pontuam a evolução ou a saga ou a biografia de um certo lugar ou cidadão, nao há uma interpretação ou um diálogo com o sentido exato ou inexato, melhor seria, com a rede de intrigas que definem adequadamente o que Marledof sofria quando abanou Sônia à sua própria sorte no corredor da miséria. Há um psicologismo que não consegue entender uma doença orgânica, apenas. Sem querer, começava, o próprio, a conjecturar sobre as saídas do emaranhado que já vem "tecido" ou emaranhado,afinal reside no resíduo a lógica dos caminhos, mesmo os que dissecam a trajetória nao conseguem antecipa-la, advinha-la já é um acaso, voltamos aos ruídos brancos, página por página, a força da física newtoniana ainda conforta a mente que antecipa a queda dos artefatos em movimento, força, proporção, distância, eventos corpóreos que jogam dados, como na mente do velhinho de olhos e línguas soltos.

15 fevereiro 2006

Imagens

Supostamente, diz o letrado homem público, a ciência e boa parte da teoria que acompanha o relicário, perecem porque as irm(imagens por ressonância magnética) cerebrais indicam que as decisões humanas são emocionais e nao racionais, humanas, num sentido, como se a idéia de racionalidade não fosse humana, e, mesmo que assim seja, o pretexto era antepor ao sensato equilíbrio fiscal e bom companheirismo da prudência nos gastos um bestiário de idéias requentadas que apregoam a volta do populismo e a ilusão monetária, mesmice, é um bom sofisma para essas invectivas, mesmo que a saxônica virtude, se ela houver, dos utilitaristas nao resistam ao choque tecnológico, não faz o menor sentido recuperar o ministro das finanças e todas as suas crenças simplesmente porque a tonalidade vermelha ligada a eletrodos acusa o suposto lado cerebral onde jaz a emoção, e reparem que a imagem é unidimensional de algo impenetrável que funciona por descargas "elétricas" em ambiente desconhecido completamente pelos humanos e no erre três, sem a pachorra de uma honestidade qualquer o infeliz articulista, cita, na mesma linha de quem antepõe falácias com a autoridade de uma besta, para adornar de suposta sabedoria letrada o incauto que acolhe como argumento de autoridade uma verdade das cavernas, nostálgica e mesmo assim reacionária, como nos piores momentos das manifestações de governos pifios de protoditadores. Vangloriam-se de um passado sem conquistas apenas para defender um feudo que pereceu de morte completa por incontinência de mal resultados e por colocar a população em apuros através de uma ignóbil corrupta ascenção partidária.

01 fevereiro 2006

arquivomorto

a decomposição da caixa é tarefa de dias ou meses, há uma pré-seleção que é mental e outra que é física, corpórea, exige tirocínio, paciência e um sentido qualquer de razão de ser. Papéis nao faltam nesse mundo das caixas, começam por povoar a prórpria noção das caixas de arquivo, são, em essência, a caixa e seus segredos, uma para cada assunto, para cada situação posicional, para cada verbete, cantorias, vasta alusão a textos seminais, pastas de papéis que teciam a composição do dia, horários pré-definidos mas nunca alcançados, intangíveis, há também os papéis do tempo, aquela caixa esquece o bilhete sem sentido, a resenha incongruente, a versão preliminar de coisa nenhuma, a outra, mais recente, ainda guarda a esperança de uma visita solar, de um afago da lembrança, caixas como queríamos, seletivas, inócuas na sua capacidade de dar vida ao que não conseguiu sair do projeto, do promissor projeto de vida, mas que virou texto esquecido na caixa de arquivo da esquerda para a direita, quatrocentas, datadas, percorrem décadas, uma época de sonhos e outra mais sombria, época da sensatez e da razão, épocas dos riscos de menos e da aversão aos deuses, menos, quem diria, cabia, na caixa debaixo da mesa, que menosprezava a silente dor na perna que varicelava, doloridamente tardia, a caixa ainda sabe que será descoberta por algum reencontro, por uma vontade de recomeço que sempre assola os viventes nas pequenas coisas perdidas, ou na descuidada vontade de rever as possibilidades na linha imaginária que não conseguimos prender, virulenta, às vezes, a caixa provoca a ira, a mediúnica vontade de gritar, passado, enfim, revigorado....