15 novembro 2015

Pavão no telhado

a cena é real e pode ser encontrada aqui e é uma boa metáfora para a semana do colóquio Meirelles e Levy, o primeiro fazendo o papel principal, mas quem subiu no telhado foi o segundo. Novamente o ex-presidente Lula, o maior de todos os pavões na política brasileira, seria o orquestrador da queda de um, o Levy, e assunção do outro, o também pavão, Meirelles. Enfraquecidos, além do Levy, foram e estão, o real, a presidente e o ajuste fiscal e de resto toda a economia brasileira. Meirelles, não é o milagreiro para livrar o país da enrascada quase inescapável que nos encontramos, mas é sim, um forte candidato a ministro do terceiro mandato do pavão mor, ambos, aliás, deveriam se afastar da condução da coisa pública e deveriam adotar uma postura mais republicana e discreta. 

13 setembro 2015

país partido

hoje no Estadão e também na Folha de São Paulo foram apresentadas muitas receitas para sair da crise, uma boa introdução segue aqui. Realmente, é grave a crise, mas, aliada das nossas dificuldades, nunca saímos da crise, na verdade. Tivemos momentos de esperança nos dois FHCs e nos dois Lulas, é preciso dizer. Não muito mais do que isso, contudo. 
Agora todas as saídas propostas nos deixariam no mesmo lugar pré crise, um país ajustado financeiramente e que tem contas públicas saudáveis, mas que amarga resultados medíocres em questões sociais e que apresenta programas sociais tímidos, ineficientes e que inevitavelmente, nos prendem em duas armadilhas que se retroalimentam, uma de pobreza e outra de desigualdade. 
Vivemos num pais injusto, desigual, covardemente assimétrico e sempre que queremos ser bacanas sacrificamos gastos na saúde, na educação e na infra-estrutura social. Mesmo repetindo o mesmo discurso, é importante, dizer: temos que gastar mais, não menos, em saúde e educação e temos que gastar mais com e para com os mais vulneráveis e temos que faze-lo em escalas sem precedentes. 
Qualquer saída para a crise deveria considerar essa a única alternativa possível e deveríamos desenhar isso dentro de um orçamento equilibrado com perspectivas de inflação abaixo de 5% ao ano e com crescimento real acima da média mundial. 
O PT tem o domínio do discurso social, mas é estatizante no sentido militar do termo, irresponsável e para obedecer a uma ideologia caduca, o PSDB, por sua vez, ficou preso à agenda economicista e de eficiência apenas. Ambos são incapazes, se não mudarem, de impor uma agenda progressista com inclusão efetiva dos vulneráveis socialmente. Inclusão real, com gastos compensatórios para diminuir ou zerar o fardo de uma vida inteira de circunstancias negativas e sacrifícios. 
As contas públicas devem ser ajustadas para esse parâmetro e não se trata de promover populismo e irresponsabilidades fiscais e monetárias, mas sim de redefinir a agenda de prioridades, é portanto, e continuará sendo, uma proposta de centro com viés social, bem ao contrário do que temos nos dois lados da disputa em curso....

corte imposto

governo não assume o erro, não pede desculpas, não assume que mentiu e omitiu durante a última campanha, que engrupiu as contas públicas, que falseou e pisoteou no erário, no público e no privado. Seguiu uma estratégia maluca de gastança sem fim para implantar seu credo religioso e agora, no crepúsculo dos desvalidos, propõe o corte de gastos públicos para preparar o terreno para aumentar impostos, tudo isso conduzido aos gritos e sem liderança alguma. Qualquer dúvida sobre o sucesso dessa empreitada é vã ingenuidade ou má fé de carteirinha. Seremos rebaixados por mais agências e isso será um grande e doloroso final para um equivoco portentoso do grande líder, nossa presidente não deveria ter sido ungida para assumir tarefa para a qual ela nunca se preparou e para a qual ela não tem nenhuma habilidade satisfatória comprovada. Aflição e desgosto nos esperam nesses melancólicos anos antes da próxima eleição, uma a uma cairão todas as conquistas, que não foram poucas, é real...

30 agosto 2015

o debate

os bons meninos, talentosos, simpáticos e inteligentes debatem o bom do Brasil, a proposta. Um quer cortar sem resolver o impasse social o outro não quer cortar e não pensa em resolver o impasse fiscal, ambos estão errados, presos a um monologo, esquecem do básico. 
Reestruturar e gastar mais com seres humanos, com desenvolvimento humano, sem comprometer a saúde fiscal e com credibilidade, precisamos dela, aliás. Os inteligentes precisam porque não há país crível com injustiças sociais alarmantes como as nossas. Os simpáticos, precisam porque não entendem que com irresponsabilidade fiscal apenas aumentamos as injustiças sociais...ambos estão presos aos seus respectivos ponto de partida ideológico-partidário, um pouco mais, um pouco menos....

23 agosto 2015

o pode ter certeza do Lula

"Pode ter certeza o Brasil vai voltar a crescer"(Lula, 22/08/2015, 20hs15min)
essa frase é incontestável, é óbvio que o país vai voltar a crescer ainda nessa década, nesse século, ou nesse milênio, ou antes, quem sabe....?!? uma pena que nosso ex-presidente não aproveitou para apresentar algo para abreviar as incertezas da espera, preferiu uma frase grandiosa e irrefutável que não serve absolutamente para nada. 
Temos um demagogo-populista em sua performance habitual, platitudes com vaticínios inócuos, sem nenhuma concretude, um vazio narcisista e obtuso, uma velhacaria política que ainda seduz muita gente entre nós, uma verborragia para iludir, adiar, postergar, ganhar tempo, enganar e sufocar vozes contrárias. Lula é um equivoco político e é uma lástima que ainda faça sucesso entre nós, temos um candidato em campanha, que se coloca como saída para o buraco que ele mesmo construiu e com uma frase sem significado. Podemos ter certeza, essa nossa trajetória negativa é duradora e o exito eleitoral desse populismo ainda é enorme.

16 agosto 2015

jogo melado

quando quebramos um principio qualquer em uma regra o resultado fica melado, desfigurado, descaracterizado, sem o sentido exato. Essa imagem nos cabe agora, temos um jogo melado, já há evidências suficientes de que se seguirmos os fatos e as regras postas, a continuação do atual governo é um jogo melado. É também falsa a defesa da continuação do atual governo pelas realizações na área social ou para evitar o desastre maior que seria a volta da oposição ao poder, o jogo segue melado, porque perdemos a capacidade de analisar os fatos e as regras, estamos presos ao jogo do outro é o pior. 
Não, não mesmo, houve roubo, desvio, uso do poder econômico e uso de caixa dois e de recursos dos desvios na campanha, além da maquiagem das contas públicas, houve sim, negar é melar o bom jogo, das regras e dos princípios éticos e morais aqueles lá da filosofia moral, porém, a nossa ética é ideológica e essa é a pior ética. 
o que fazer diante desse quadro? Nas nossas regras temos a possibilidade do impedimento, é essa a regra, ela, porém, se sustenta em algo intangível que é o apoio político, Como construir esse apoio político se todos os envolvidos praticaram boa parte dos crimes eleitorais? ou mesmo, se já sabemos que a ética é ideológica, como construir apoio político para a boa regra? Essa via não se sustenta, mesmo porque os militantes do partido no poder, não entendem que toda essa lista de equívocos morais, éticos e toda essa corrupção é negativa ou merece ser abandonada e condenada, há uma convicção entre eles de que são superiores e imaculados, iluminados e o eles são muitos. Então, não há o que fazer por essa via. o Samuel Pessoa propõe hoje na folha de são paulo, renuncia  e novas eleições:
"A melhor saída que há à manutenção da presidente zumbi por mais três anos seria renúncia de toda a chapa, da presidente e do vice, para que um novo processo eleitoral fosse convocado e os partidos apresentassem candidaturas."(Samuel Pessoa, fsp, 16/08/2015).
essa seria uma ruptura de toda a regra, seria interromper e acabar a trajetória democrática sem a menor certeza sobre o que viria em seguida. Ela, a presidente, não vai renunciar, os militantes não vão fazer reflexão, o vice é do pmdb e isso já é bastante para indicar que esse também não renuncia ao poder. Então, essa proposta de novas eleições é a pior opção para esse jogo melado. 
Vamos nos arrastar por um longo tempo ainda nessa mesmice, o atual grupo no poder vai sobreviver, pode até ser reconduzido nas próximas eleições, será um desastre, seria, sem dúvida, um grande prejuízo para o país e, para os mais vulneráveis na escala social, seria um insofismável fim do poço, mas isso vem na função aprendizagem democrática e  um dia,  aprendidos, mudaremos para uma ética mais condizente com um principio universal e que não obedeça a slogans partidários...


02 agosto 2015

não somos a Grécia

a semana do parcelamento dos salários dos funcionários públicos e da incapacidade do Estado honrar os seus compromissos mais básicos, saúde, educação, segurança... todos públicos, todos precários e endividados, divida em papel moeda e em realidade, filas, baixa qualidade, disfuncionalidades e descuidos, crianças nas sinaleiras fingem brincar enquanto trabalham. 
Os analistas, alguns deles, vários meus amigos, nomes não digo por respeito e por amizade mesmo, comparam o nosso estado, difícil aqui definir o maiúsculo, com a situação da Grécia. Não, insondáveis vezes, não, não temos nada parecido ou equivalente com a Grécia dos gregos e da união européia, mil vezes não, não construímos insolvência sem miséria, não temos estado de bem-estar social, não cuidamos de nossas crianças e tampouco de nossos velhos, nossa renda per capita é inferior, nosso indicadores sociais, mesmo no decantado sul maravilha, não chegam aos dos gregos, nossa tragédia é nossa e única, escrita por partidos anacrônicos e ainda mais nacional-desenvolvimentista do que a ala a esquerda do Syriza, e ainda mais medíocres.
Um pseudo-qualquer coisa, que para muitos é um intelectual, um poser, afundou o estado, esse sim minúsculo, numa crise, usando recursos que não tinha para escolhas equivocadas e para conceder aumentos onde não podia, com aval unanime de todos os políticos, é verdade. Não, não somos gregos, lá a votação seria apertada e ninguém temeria dizer não.
Não, não somos gregos em sua falta de restingas e ilhas de contrastes, verdadeiras e inundadas pelo Guaíba, gente que não existe nas estatística oficiais, que não tem endereço fixo apesar do viaduto da João Pessoa e dos chocolates visíveis. Apenas 17km do centro da capital da "qualidade de vida" temos idh subsaariano e uma multidão sem água tratada por mais de 40 anos, não, não somos gregos...

26 julho 2015

modestas, é verdade...

temos pouco tempo e muito ainda por fazer, é inaceitável o arranjo que convencionamos chamar de equilíbrio social, em falhas graves, nossas virtudes são poucas e de baixa propriedade. Em muitos há um apelo para uma radicalização, os da direita, mercado, os da esquerda, estado, no meio estamos nós, os de centro, sem problemas, estado, sem problemas, mercado, mas, por favor, vamos encaminhar mais efetividade para o combate às diferenças sociais, não faz sentido um país tão desigual ou com tantos em situação da mais absoluta miséria em muitas dimensões importantes para uma vida satisfatória. 
precisamos mais, um outro estado de bem estar social, mais efetivo e de mais generosidade e solidariedade a favor dos que estão fora da nossa 'posição original'. os dois grupos acima, com os quais não me identifico, assumem ares de sabedoria suprema, ungidos pelos deuses da reforma, sabem na ponta da língua a solução, o método e como implantar o estado de bem estado social do zero de miséria e fome e de muita fartura e riqueza.
Mais modesto e assumidamente triste com minha incompetência, reconheço que não sei o caminho da salvação e nem mesmo se atravessarei o portal do purgatório, o que venho de propor e saber é pouco, é uma combinação do Sen com o Lyndon Jonhson doméstico, o do combate a pobreza, não o da guerra, mais gastos em saúde e educação, contratos melhores para proteger os menos favorecidos e mais espaço para o debate público. Ao contrário dos que querem controlar a grande mídia e a internet, mais liberdade ali, mais grande mídia e mais internet livre. 
Acabaria com as obrigatoriedades do serviço militar e do voto, o lucro seria livre e o imposto progressivo sem procedentes, substituiria o imposto indireto, gradativamente, em poucas palavras, apenas o razoável, votos distritais, reeleições, menos e mais fortes, os partidos, e um sentido absoluto de tolerância pelo diferente. Na economia, a nova bossa seria o trivial nas contas públicas, um banco central autônomo e bancos públicos com capital aberto e transparentes, sinceramente, não há como apoiar privilégios para empreiteiros ou outros amigos da casa real, se quiser existir vai ter que se justificar com resultados guiados por princípios comuns a toda a gente. é uma proposta modesta e conservadora, diriam os da esquerda, é estatizante e intervencionista, diriam os libertários, como não tenho o dom da mágica ou o entendimento absoluta dos arranjos humanos, fico feliz com essa avaliação, errarei pouco, todavia.