09 Fevereiro 2010

o bug e a anatomia da urbe

sem meios para repor a carga da bateria, o lume de tuas palavras provoca a dor dos ilhéus, meninos vestidos de bolsas, passeiam na rua mal iluminada, de becos escuros balas sem ideologias consomem vidas, enaquanto o discurso oficial fala em tirar pessoas da linha de pobreza, o menino prodigio, simbolo da mobilidade social, é vitima do descaso oficial, o reitor chora os mortos sem remorsos, enquanto isso o discurso ofical engana. a classe c nao existe, a miséria sim, a criminalidade local é reflexo da falta de perspectica que a transferencia de renda nao foi capaz de transformar em dignadade, signatários da hierarquia episcopal celebram o enrredo de mediocres que impõem paliativos aos meninos da cidade natal, recife chora a sua realidade, todos foram enganados pelo bispo, pelo governador, pelo partido do presidente e pela sagaz memoria do ulitmo anisitiado, o estado mata nos quatro cantos, enquanto bandeiras sao rasgadas no mangue seco, teus filhos aumentam as estatisticas de sucesso do globo reporter, manchetes no jornal nacional e no blog do aritculista da candidata oficial as estatisticas do bolsa familia desprezam a realidade, sem os truques do realismo fantástico como diria roth...

06 Fevereiro 2010

poelor

"Que faço deste dia, que me adora?
Pegá-lo pela cauda, antes da hora
Vermelha de furtar-se ao meu festim?
Ou colocá-lo em música, em palavra,
Ou gravá-lo na pedra, que o sol lavra?
Força é guardá-lo em mim, que um dia assim
Tremenda noite deixa se ela ao leito
Da noite precedente o leva, feito
Escravo dessa fêmea a quem fugira
Por mim, por minha voz e minha lira.

(Mas já de sombras vejo que se cobre
Tão surdo ao sonho de ficar — tão nobre.
Já nele a luz da lua — a morte — mora,
De traição foi feito: vai-se embora.)"

(Mário FAUSTINO - 1966)

02 Fevereiro 2010

empate técnico

as bolas azuis da urna sairam dois porcento a mais do que as vermelhas na última colheita, ainda não sabemos o que isso significa, mas a divulgação em si não é isenta, como nunca troquei de time ou de torcida, obrigo-me a duvidar da isenção desse pleito, redondo demais, tudo conspira a favor, aprovação sem medidas, economia de enxurrada, pré candidatura que não é e pré candidatura que nao quer ser, em todos os cenários, perdemos todos, porque a mão gorda do orçamento público e daquela estatal das obras embargadas pelo tcu, já estão mata adentro, transpondo rios, usurpando o mi(ni)stério do meio ambiente de altamira, vinte anos de idas e vindas, e um olhar mágico sobre a reserva pois luz onde havia sombras e dúvidas, mérito para o novo ministro do meio ambiente, sempre alerta, acaba de descriminalizar o rima e destituir o bom-senso, prática comum, aliás, na república dos aloprados, nada engana, nem os apoiadores do chavez d´américa, que acabam de assinar o manifesto do ressentimento, assim mesmo, na maior caradura, não ouse minimizar a inteligência dos gentios...

26 Janeiro 2010

luminosidades



na sala a luz das cortinas fecha o arco sobre os restos do dia, memórias esperam o seu final no livro do meio, minhas lembranças sucubem ao calor, derretem na estação dos vapores, das tortas sem luz na vitrine do bar da arquitetura, lampejos de arritimia inflam o artigo com linguagem impessoal e livresca, citas enquanto comes, vicejas o mar que não ver, suporta a espera na mesma sala, o telefone não atendes, apenas ouve a música do mentor dos números, ao piano, solidificas o teu suor que escorre em agonias, o ser humano nao produz um arranjo descente, ditadores carregam bandeiras de ódio e o teu tempo já não existe...

21 Janeiro 2010

a república

a rua da república é escura e  mal cuidada, entre João pessoa e lima e silva, não poderia ser diferente, prevalece a escuridão,  lanternas nos bueiros para catar papéis, ainda mais se estamos na cidade baixa, mesmo assim, van gogh fica na esquina e os bares fecham antes das cinco, nesse cenário improvável acompanhado de uma torrada simples sem ovo e de várias garrafas de espumante da serra, deu-se o dialógo de origem hesseniana, uma figura sem par e uma lupa na calçada, mesas viradas para o transito, música não há, ameaça mas ainda nao chove, o outro amigo sabe-se que virar, enfim os pontos:
a1: precisas de um contrafactual para provar o teu teorema, como diz o heckman na entrevista sobre a escola de chicago, não há ciência sem provas, sem evidências...
b2 (sem entender direito o que significa contrafactual) teu problema é que não consegues ser um poperiano estrito, antes das evidencias, conjecturas, depois testa, reformula, nao necessariamente nessa ordem...nao consigo discernir nada além
a1: quando criticas o bolsa familia, precisas de uma evidencia contraria que consigas contrapor ao que está em jogo, melhor se a visao de sen nao foi colocada a prova, se nao  postulou e implementou politicas públicas reais, nao tens como simplesmente defende-las no jargão popular se elas nao sao mais do que que proposicoes metafisicas...
b2: entendo o teu ponto, mas isso pode nos colocar num determinismo, sem testar novas modelos não saberemos o que de bom temos ou de como funcionaria o que em teoria parece razoável...
a1: mas temos um ponto em comum, pelo menos, além de nao endeusarmos o chico e preferirmos o caetano e suas alocuções verbais explicitas, sim, temos um grosso analfabeto na presidência, mas, voltando, o que passa é que o país tá uma merda, os incentivos estão tortos e o sistema educacional e de pesquisa nos coloca numa zona de mediocridade nunca antes vista nesse país...
b2: nao costumo ber espumante, mas confesso que uma vez por ano, adoro bebe-los na república, velha, obscura e absurdamente inadiplente, mas a minha restrição é de canto e lamento não poder insistir nos termos
a1: compreendo, mas tens que terminar de ler todo o philip roth (roff), a próxima garrafa é por minha conta, prometes?
b2: senegaleses vão ao mercado procurar diamantes, a américa está perdida...
Nota do editor: mesmo perdidas e sem lógica, as falas foram reproduzidas quase que por transcrição, mesmo fora de ordem e sem referências aos autores que preferem manter o anonimato para o bem deles mesmos e dos produtores de espumantes nacionais.

18 Janeiro 2010

trapézio

não faz sol no verão, só no inverno, chove de sim dia não no verão dos portoalegrenses, mesmo assim, nessa impaciência de quem não viajará em mais uma das férias arranjadas pelo calendário oficial - elas, as férias, deveriam ser de fato, não para cumprir tabela, aliás - perambulamos na perimetral, queima de calorias, reflexão para  as pernas já não mais tão ageis como nos tempos do sao cristovão e madureira, agora, sobem e descem com suplicas pelo último degrau, a escada departamental, o andame da lomba em frente ao elevador da central, nessas andanças, volta-se com a mente limpa, tudo que depuramos ficou no entrocamento da vintequatro ou da nilo, ou naquele desvio da cachorro sem coleiras, hoje, pude também ouvir meu nome pronunciado com sorriso por um corredor da meia hora, irmão da ana, também trabalha no bancocentral, nome nunca sei, dos corredores de fimdesemana e dos que dizem, sem combinar, a minha presença nesse lugar, como diz o meu filho, 'não quer ser visto ou encontrado, vai para cidade grande', sigo, mesmo assim, subindo mais uma lomba, trinta minutos, os olhos já não conseguem ler placas de trânsito, mas nao conseguem esconder a vergonha de morar numa cidade onde um pai, deixa o bebê no chão da parada de ônibus para ganhar uns trocados, empilhando os outros dois filhos num trapézio humano na faixa de segurança da via lateral, a minha reação foi de espanto, com certeza, não irei esquecer a criança indefesa no chão da terceira perimental, completamente indefeso, mesmo que os homens de preto, ou vermelho, pensem o contrário, esse país não faz pelos os seus o que eles merecem, precisariamos desconstruir o estado das artes, para enxergar a montanha de impostos, jogados fora, antes de acordar para mais uma despretenciosa caminhada de velhos....e o que dizer das projeções do ipea: em 2016, os nossos filhos serão os mesmos dos países desenvolvidos???  Mesmo sem querer alimentar a minha sede de justiça, repúdio eternamente os relatórios oficiais e os comunicados da presidência...

16 Janeiro 2010

deambulações

"(...) podendo assim postergar o aprendizado daquilo que seu pai, embora pouco educado, vinha fazendo tanta força para lhe ensinar havia muito tempo: a forma terrível e incompreensível pela qual nossas escolhas mais banais, fortuítas e até cômicas conduzem a resultados tâo desproporcionais." (Philipe Roth)