05 junho 2016

o uso da avião da FAB, sério?

o governo interino aprovou  reajuste salarial dos servidores públicos depois de aprovar uma nova meta fiscal para o ano corrente com rombo previsto de R$ 170 bilhões, no mesmo pacote foram criados 14 mil cargos novos no serviço público federal. Em sua defesa os interinos alegaram que o acordo do ajuste já estaria fechado e que já viria embutido no rombo fiscal e que os cargos criados não representariam pressão orçamentaria porque os concursos não seriam realizados. Interinos são assim mesmo, hipócritas? 

Enquanto isso, em Porto Alegre, uma das cidades mais ricas do país, os assaltos diários na calçada da universidade federal no campus centro, levaram alunos a plantarem placas com dizeres alusivos a cuidados porque ali seria uma "zona de assalto". Em outros bairros ou por todos os bairros da mesma Porto Alegre escolas públicas de ensino fundamental e médio, estão ocupadas por alunos em protesto e professores estão em greve. Insegurança, falta de educação de crianças e jovens e irresponsabilidade fiscal são a nossa atual conquista de infortúnios para várias gerações, uma tragédia de insensatez e de robusto descaso com o país. 

Desnecessário dizer que todos perdem nesse arranjo, porém é preciso alertar, sempre, que os maiores perdedores são e serão as famílias mais pobres na hierarquia social e econômica, famílias essas onde a maioria dos membros estão desempregados e com dificuldades para acessar o seguro desemprego e que convivem com uma inflação alta e persistente.

Um estrangeiro que visse a cena toda ou lesse o relatório de perspectivas de indicadores sociais não interinas, não teria dúvidas em discordar do reajuste proposto ou da cadeia de eventos que se sucedem com sentido lógico notório. Um país que gastou quantias expressivas para sediar uma olimpíada e uma copa do mundo, mas que não tem escolas ou creches para crianças, e no qual os hospitais públicos fornecem atendimentos deploráveis e que não possuem antibióticos ou remédios básicos para procedimentos ambulatoriais simples. 

Não contente com a descrição dos horrores o mesmo estrangeiro fica sabendo que nos estados federados, em boa parte deles, os governos não conseguem pagar os salários do funcionalismo em dia e que a comovente discussão nas redes sociais é sobre o uso ou não dos aviões da força aérea pela presidente impedida. Os interinos estão errados não só porque são interinos, estão errados também nas suas escolhas e práticas e no arranjo que estão desenhando até aqui....

20 maio 2016

A capa

a manchete de capa, melhor dizendo, de capa da folha de são paulo do dia 18/05/2016 estampa três atrizes e o diretor do, aplaudido em Cannes, Aquarius, nome do filme, não do diretor. Todos seguram cartazes onde acusam que "no Brasil está havendo um golpe" , mesmo estando manifestadamente contra o impedimento da presidente, por uma série de razões que não vem ao caso, não endosso a tese de golpe, é um erro, mas não é um golpe. Contudo, o que me incomoda na foto é que todas as  atrizes estão sorrindo e com ar de felicidade na referida foto de capa, como se, elas mesmas, não acreditassem no que acusam, Imaginem um golpe de Estado acontecendo e elas lá sorrindo, impensável para qualquer arranjo crível. O governo da presidente Dilma tem muitos aliados e ideólogos no meio artístico, militantes de carteirinha, mas a inteligência escreveria um roteiro mais circunspecto e menos farsesco para essa grande cena....

17 maio 2016

Sem resoluções

queridos e queridas, deve ter começado assim, ou no já desgastado, companheiros e companheiras, a resolução do PT, que não li, com as crítica do PT à presidente Dilma e ao próprio PT, essa é uma nova forma de superego, um partido que crítica a si mesmo e ao seu governo depois de perder o rumo no campo ético, de avacalhar a economia do país e quase quebrar as maiores estatais do país e de quase perder o poder totalmente. 

Pessoalmente, não esperava outra atitude, não foi da humildade e da noção ética de reconhecer erros que o PT construiu sua  reputação, sem entrar nos detalhes dos erros e acertos do partido, foram muitos, acho deplorável que, nesse momento que o país atravessa, um partido se coloque nessa posição tão soberba como se algo mais do que o seu próprio umbigo fosse desprezível.

Espero, que em algum momento no futuro próximo novas lideranças surjam e salvem o partido dos trabalhadores dessa arrogância crônica e, de quebra, modernizem a sua visão de mundo, principalmente em economia, a ciência moral e nada lúgubre. Essa minha torcida é movida pela melhor das intenções, é uma reconciliação e uma apelo à tolerância e ao diálogo e uma forma, a minha, de seguir em frente, sem resoluções...

15 maio 2016

ilusão

falta qualificar a ilusão, cognitiva, de ótica, política, ideológica, impedida? Leio muitos acordes, mas nenhum alcança o possível, são, todos, frases apropriadas para outro governo, aquele que vem depois de eleitos e consagrados. Não há como um governo de transição, não eleito, portanto, reformar o que quer que seja por livre adesão e vontade de uma regra qualquer de escolha livre. 

Não é a extinção de ministérios, ou de cargos de comissão, ou a composição do próprio ministério, o que é o mais importante, tampouco é importante a definição de idade mínima para aposentadorias ou a volta da cpmf ou das privatizações ou a mudança nas regras de concessões públicas para atrair investimentos em infraestrutura, nada disso viabiliza-se se não há clareza sobre o que a maioria definiu em pleito aberto e sufragado nas urnas. Um governo pode errar por seguir preceitos errados, mas há projeto e uma clareza compartilhada em debates, propagandas e na apuração dos votos, e isso é o mais relevante para qualquer acerto ou ponto de pauta,algo que vem com as urnas e pelas urnas.

Essa é a ilusão dos que comemoram o governo Temer. O desastre do governo Dilma é a nossa conta que pagamos a preços insuportáveis por termos feito escolhas erradas e deveríamos entender que o próximo ou a próxima governante tem que ser melhor escolhido e refletido para evitarmos tantos erros como o do atual governo. 

Hoje, porém, o que temos é uma incerteza a mais e muitas  ilusões de acertos na Economia e de propostas de reforma, que não virão e que no primeiro impasse só vigorarão se abonarmos os acordos democráticos. O melhor vem dos erros e acertos do próximo pleito e não da ilusão da transição sem urnas...

08 maio 2016

Véspera

faz sol agora e a presidente recebe, sorrindo, rosas de manifestantes, Meirelles escreve platitudes na folha de São Paulo alinhavando propostas do futuro governo, o Colorado consegue levar 40 mil ao Beira-Rio para uma final contra o Juventude, mesmo jogando um futebol de segunda divisão, Aécio é entrevistado no canal fechado de noticias da Globo, a Folha de São Paulo acusa o Temer de plágio na sua capa de domingo, o Vasco, finalmente, tem chances reais de questionar na justiça o estigma de vice campeão. 

A previsão é de chuva passageira, todas são, e frio estável, sic, em termos, a vida segue na mesmice, mas se nada mudar a semana que se aproxima será o incio de um período de grandes riscos e incertezas para todos nós. No plano pessoal, o zumbido segue crescendo e a panturrilha esquerda acaba de sofrer com a falta de exercícios regulares, se nada mudar, assinarei minha desfiliação do psdb na quinta-feira e a entregarei no cartório eleitoral, se nada mudar, continuarei na oposição, mas, admito, o tempo será melhor distribuído em artigos acadêmicos, por um longo projeto de inclusão, irei preencher o Lattes testando evidências. Como John Snow seguirei tentando respirar, mesmo que tudo fique irrespirável por um longo tempo, mas, ao contrário do co-irmão, não sou imortal, 

15 novembro 2015

Pavão no telhado

a cena é real e pode ser encontrada aqui e é uma boa metáfora para a semana do colóquio Meirelles e Levy, o primeiro fazendo o papel principal, mas quem subiu no telhado foi o segundo. Novamente o ex-presidente Lula, o maior de todos os pavões na política brasileira, seria o orquestrador da queda de um, o Levy, e assunção do outro, o também pavão, Meirelles. Enfraquecidos, além do Levy, foram e estão, o real, a presidente e o ajuste fiscal e de resto toda a economia brasileira. Meirelles, não é o milagreiro para livrar o país da enrascada quase inescapável que nos encontramos, mas é sim, um forte candidato a ministro do terceiro mandato do pavão mor, ambos, aliás, deveriam se afastar da condução da coisa pública e deveriam adotar uma postura mais republicana e discreta. 

13 setembro 2015

país partido

hoje no Estadão e também na Folha de São Paulo foram apresentadas muitas receitas para sair da crise, uma boa introdução segue aqui. Realmente, é grave a crise, mas, aliada das nossas dificuldades, nunca saímos da crise, na verdade. Tivemos momentos de esperança nos dois FHCs e nos dois Lulas, é preciso dizer. Não muito mais do que isso, contudo. 
Agora todas as saídas propostas nos deixariam no mesmo lugar pré crise, um país ajustado financeiramente e que tem contas públicas saudáveis, mas que amarga resultados medíocres em questões sociais e que apresenta programas sociais tímidos, ineficientes e que inevitavelmente, nos prendem em duas armadilhas que se retroalimentam, uma de pobreza e outra de desigualdade. 
Vivemos num pais injusto, desigual, covardemente assimétrico e sempre que queremos ser bacanas sacrificamos gastos na saúde, na educação e na infra-estrutura social. Mesmo repetindo o mesmo discurso, é importante, dizer: temos que gastar mais, não menos, em saúde e educação e temos que gastar mais com e para com os mais vulneráveis e temos que faze-lo em escalas sem precedentes. 
Qualquer saída para a crise deveria considerar essa a única alternativa possível e deveríamos desenhar isso dentro de um orçamento equilibrado com perspectivas de inflação abaixo de 5% ao ano e com crescimento real acima da média mundial. 
O PT tem o domínio do discurso social, mas é estatizante no sentido militar do termo, irresponsável e para obedecer a uma ideologia caduca, o PSDB, por sua vez, ficou preso à agenda economicista e de eficiência apenas. Ambos são incapazes, se não mudarem, de impor uma agenda progressista com inclusão efetiva dos vulneráveis socialmente. Inclusão real, com gastos compensatórios para diminuir ou zerar o fardo de uma vida inteira de circunstancias negativas e sacrifícios. 
As contas públicas devem ser ajustadas para esse parâmetro e não se trata de promover populismo e irresponsabilidades fiscais e monetárias, mas sim de redefinir a agenda de prioridades, é portanto, e continuará sendo, uma proposta de centro com viés social, bem ao contrário do que temos nos dois lados da disputa em curso....

corte imposto

governo não assume o erro, não pede desculpas, não assume que mentiu e omitiu durante a última campanha, que engrupiu as contas públicas, que falseou e pisoteou no erário, no público e no privado. Seguiu uma estratégia maluca de gastança sem fim para implantar seu credo religioso e agora, no crepúsculo dos desvalidos, propõe o corte de gastos públicos para preparar o terreno para aumentar impostos, tudo isso conduzido aos gritos e sem liderança alguma. Qualquer dúvida sobre o sucesso dessa empreitada é vã ingenuidade ou má fé de carteirinha. Seremos rebaixados por mais agências e isso será um grande e doloroso final para um equivoco portentoso do grande líder, nossa presidente não deveria ter sido ungida para assumir tarefa para a qual ela nunca se preparou e para a qual ela não tem nenhuma habilidade satisfatória comprovada. Aflição e desgosto nos esperam nesses melancólicos anos antes da próxima eleição, uma a uma cairão todas as conquistas, que não foram poucas, é real...