21 janeiro 2010

a república

a rua da república é escura e  mal cuidada, entre João pessoa e lima e silva, não poderia ser diferente, prevalece a escuridão,  lanternas nos bueiros para catar papéis, ainda mais se estamos na cidade baixa, mesmo assim, van gogh fica na esquina e os bares fecham antes das cinco, nesse cenário improvável acompanhado de uma torrada simples sem ovo e de várias garrafas de espumante da serra, deu-se o dialógo de origem hesseniana, uma figura sem par e uma lupa na calçada, mesas viradas para o transito, música não há, ameaça mas ainda nao chove, o outro amigo sabe-se que virar, enfim os pontos:
a1: precisas de um contrafactual para provar o teu teorema, como diz o heckman na entrevista sobre a escola de chicago, não há ciência sem provas, sem evidências...
b2 (sem entender direito o que significa contrafactual) teu problema é que não consegues ser um poperiano estrito, antes das evidencias, conjecturas, depois testa, reformula, nao necessariamente nessa ordem...nao consigo discernir nada além
a1: quando criticas o bolsa familia, precisas de uma evidencia contraria que consigas contrapor ao que está em jogo, melhor se a visao de sen nao foi colocada a prova, se nao  postulou e implementou politicas públicas reais, nao tens como simplesmente defende-las no jargão popular se elas nao sao mais do que que proposicoes metafisicas...
b2: entendo o teu ponto, mas isso pode nos colocar num determinismo, sem testar novas modelos não saberemos o que de bom temos ou de como funcionaria o que em teoria parece razoável...
a1: mas temos um ponto em comum, pelo menos, além de nao endeusarmos o chico e preferirmos o caetano e suas alocuções verbais explicitas, sim, temos um grosso analfabeto na presidência, mas, voltando, o que passa é que o país tá uma merda, os incentivos estão tortos e o sistema educacional e de pesquisa nos coloca numa zona de mediocridade nunca antes vista nesse país...
b2: nao costumo ber espumante, mas confesso que uma vez por ano, adoro bebe-los na república, velha, obscura e absurdamente inadiplente, mas a minha restrição é de canto e lamento não poder insistir nos termos
a1: compreendo, mas tens que terminar de ler todo o philip roth (roff), a próxima garrafa é por minha conta, prometes?
b2: senegaleses vão ao mercado procurar diamantes, a américa está perdida...
Nota do editor: mesmo perdidas e sem lógica, as falas foram reproduzidas quase que por transcrição, mesmo fora de ordem e sem referências aos autores que preferem manter o anonimato para o bem deles mesmos e dos produtores de espumantes nacionais.

3 comentários:

vnc disse...

A bebida e a amizade iluminam a principal rua de sua cidade imaginária. À contradição das exigências de anonomiato pela alcolemia e da face escancarada do que um dos maiores de todos chama de discussão ideias, respondemos com a migração: de um bar a outro. Se a Universidade se fecha à segunda e eleva ao estrelato alguns Francos e seus séquitos de Sãos, esperamos a sirene e nos dirigimos à anestesia do vinho, que dignifica os cus de mundos. Embora não haja ciência sem provas, tampouco há ciências sem discussão, seminários, retórica. É difícil testar os "Ses", a maldição das ciências sociais. No entanto, podemos e (devemos), sim, discutir os "ses", e o fazemos toda hora. Nossa diferença para os Estrelas é que, não só as histórias deles não tem "ses", como eles não entendem (ou fingem não querer entender) os nossos. Num diálogo de surdos, me recuso a desempenhar o papel (literalmente paltônico) do filósofo-rei. Prefiro me ater às mesmas coisas e lousas de sempre, e metrificar em linha próxima à prosa. Sim, o país (e o mundo) está (estão) uma merda e parece que, a menos de Roth, Suckerman e a agressão de se tornar common knowledge que pequenas e improváveis coisas podem ter efeitos devastadores em nossas vidas, haja pouco o que fazer. Bebamos, então.

vnc

vnc disse...

Recebeu meu comentário anterior?

Cristiano M. Costa disse...

E fiquei de fora dessa...