10 abril 2014

pesquisa desacreditada

a pesquisa nacional por amostragem de domicilio (pnad) será interrompida, sabe-se lá porque, em todos episódios de suspensão da aula ou de pesquisas e da geração de dados impessoais, perdemos todos. As mudanças metodológicas quando não são bem explicadas cumprem o mesmo desserviço ao todo e a cada um...
na mesma semana duas situações de sombra e obscurantismo sobre a atividade de pesquisa em órgãos públicos de pesquisa no Brasil. Mesmo que seja apenas uma coincidência, o que nem de longe parece ser o caso, essas interrupções e atropelos são danosas para a credibilidade e para a reputação da pesquisa e do país em geral. Não precisava ser assim e não deveria assim ser, algo vai mal, algo na condução das coisas perdeu o sentido e o foco e andamos sem luz própria e sem rumo. 
meu voto já foi aberto, mas não custa reforçar, estamos necessitando de mudanças profundas e de alternâncias, deixar passar  o novo ou o não o mesmo e trocar os que assinam como donos do poder. Não se trata de ideologia, diga-se, é incompetência e falta de liderança, apenas. Vamos torcer para que passe logo e depressa...

05 abril 2014

sobre a divulgação de pesquisas científicas...

particularmente não publicaria o resultado da pesquisa sem o certificado do comitê de ética da instituição. Sim, pesquisas tem limites éticos que devem ser respeitados e todo cuidado tem que ser despendido para evitar equívocos morais graves. Uma vez publicada sem referências éticas claras, nada resta da pesquisa e a melhor atitude é ignora-la. 
Outro aspecto que esse triste episódio da polêmica em torno dos números da pesquisa sobre a visão média brasileira em relação ao estupro e o machismo [é difícil até mesmo definir o objeto e o propósito da tal pesquisa] é a forma de divulgação de resultados da pesquisa por parte do pesquisador e da instituição a que pertence. Em qualquer nível a pesquisa deve ser submetida a uma banca de avaliadores e/ou parecerista e deve ser divulgada em revistas indexadas com fator de impacto relevante e que trata com isenção a avaliação do conteúdo, metodologia, adequabilidade do texto e das interpretações dos mesmos. Ao perder a possibilidade desse filtro e publicar direto para a imprensa ou via editores locais subordinados, perdemos uma massa crítica importante para evitar grandes erros e gafes. 
Creio que o IPEA deveria reforçar esses mecanismos e só deixar sair para a grande imprensa, trabalhos aceitos em revistas qualificadas e que obedeçam estritamente posturas de isenção e que sigam cuidados pertinentes para garantir originalidade e qualidade e correção dos resultados apontados e, cujo o corpo editorial toma cuidados para que os pareceristas não conheçam os autores e a origem dos trabalhos que estão avaliando.
Dito isso, acrescento trechos da opinião de três economistas que respeito muito:

“O problema do IPEA não foi a fumaça de hoje, mas as evidências de um incêndio que já consome a instituição há muito tempo. (Diga-se de passagem o IPEA tem um corpo técnico íntegro e excelente). O problema é institucional e a questão de hoje não é se o IPEA foi forçado ou não a mudar as estatísticas "para salvar" o Brasil de uma vergonha nacional e internacional sem precedentes. O problema é que sua imagem já esteja tão abalada a ponto de que as pessoas discutam essa possibilidade (o que nunca saberemos).”(Comim, Flávio)

“Eu já admirava o Rafael Osório pela seriedade, produção e capacidade técnica. Agora eu o respeito ainda mais pela dignidade com que lidou com a situação. Procurou o erro, encontrou, assumiu, pediu desculpas e se puniu. Quem dos seus críticos teria dado todos esses passos?”(Monastério, Leonardo)


“Um conhecedor profundo do tema não deveria ter desconfiado da informação que 65% dos brasileiros acreditam que mulheres com pouca roupa merecem ser atacadas? Uma vez que aparecesse a desconfiança a reação natural não seria checar novamente as tabulações? Não era de se esperar que os colegas tivessem estranhado o resultado? Neste caso o correto a fazer não seria voltar para os dados? Por que nada disso aconteceu e o erro passou desapercebido?”(Ellery, Roberto)

03 abril 2014

orquestra de memes

o debate político no Brasil segue um caminho estranho e absolutamente arriscado, banalizamos opiniões e abusamos de descuidos com aspectos morais elementares. Há uma desonestidade crescente na internet em relação ao uso das informações e há um grande desprezo pela busca da verdade e do bom senso. Difícil não crer nas teses conspiratórias que apontam a existência de uma orquestração e um orquestrador nisso tudo. A proliferação dos memes com frases escolhidas a dedo para atacar a oposição e o uso, nesses mesmo memes, de reportagens e capas de jornais antigas para diminuir as criticas que a oposição vem fazendo aos descalabros na Petrobras e, de resto, à condução da economia pelo atual governo, são um sinal inquietante de algo podre no ambiente político atual. Agrava esse quadro a rápida disseminação desses panfletos pelos sectários de plantão, o que não parece atender ao espontaneísmo ou ao acaso. Dias duros virão, na esteira dessa falta de rigor e dessa patrulha moderna, perdemos todos, e, principalmente, perdemos o que a democracia tem de melhor que é o debate franco de ideias entre situação e oposição, o debate entre visões de mundo alternativas.

23 março 2014

um por exemplo como analogia, o fiasco.

leio com execrado pudor a fsp, um vicio, diga-se, sempre aborreço-me e nunca desisto, contínuo. Meus amigos dizem que minha implicância conspiratória sempre identifica alusões enviesadas ou algo do gênero. Mesmo assim, insisto, lendo e percebendo, no texto abaixo o autor reproduz a sua analogia para explicar a mão escondida de Albert Hirschman, ou os tais efeitos colaterais da ação do Estado e, bingo!!!

"O economista [Albert Hirschman] apontava para o conjunto de consequências imprevisíveis de uma ação do governo. Por exemplo: um programa de transferência de renda tem como propósito tirar pessoas da situação de pobreza extrema. A mão escondida é o efeito colateral: o comércio ganha força, a economia gira, novos negócios são abertos, mais impostos são arrecadados."(Felipe Gutierrez) 

Essa analogia que se apresenta como "por exemplo" é extraída ao pé da letra da propaganda oficial do governo sobre o Bolsa Familia no Nordeste brasileiro. Além de equivocada, é insuportável se e quando aplicada a Hirschman. Um fiasco.

20 março 2014

a outra América, amém

quase concordo com o articulista da fsp, coisa rara, nesses dias, dos que lá escrevem, discordo dos críticos de cinema, por arte, sempre estão errados, melhor, quase sempre. O de hoje, o do outro quase, o da concordância, está certo ao lamentar a incapacidade propositiva das oposições, o plural aqui é um exagero retórico, lógico, na pequena peça, lá, ele argumenta que todos os problemas econômicos reais são imperceptíveis e que toda a alarmante falta de luz será apagada pela falta d'água em São Paulo. Até aqui parece que estamos bem, não mais, não menos, temos isso como assentado, mas não é certo ou legitimo o papel do próprio articulista. Sutil, é verdade, porém, claro é que o opinador segue a pauta da situação e acaba ajudando a ex-presidente e atual candidata, Dilma, a infeliz.

a armadilha a qual, sem crase, estamos presos é de baixíssimo nível, um equilíbrio péssimo, enfim. Todos articulistas aceitam a pauta que o pt define e ao comenta-las, seja para elogia-las, seja para "aconselhar as oposições" acabam fortalecendo a tese dominante, aquela que propicia o equilíbrio ruim, e é simples a tese, aquela, mesmo intervencionista e ineficiente a gestão pública e a sua politica econômica siamesa: gastos públicos irresponsáveis e ineficientes, controle disfarçado de preços, uso de estatais para, protecionismo e política social assistencialista. Essas duas, gestão das coisas e da economia, a triste, acabam aliando, via discurso e ameaças veladas á "mídia  golpista" a esquerda velha, não a centro-esquerda, assim, dessa forma, tudo o que se opuser a ela, é reacionário e neoliberal, portanto. Algo nessas condições de fritura, uma alternativa que seja, já nasce em estado gasoso e sem sabor.  O pleito se aproxima e com ele a longa noite, a da transição aos solavancos e o papel mais nobre das grandes democracias, o de evitar impasses institucionais graves e profundos, continua um sonho distante para os povos da outra América, amém.

27 fevereiro 2014

não é quadrilha, é carnaval

hoje, 27/02/2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) absolveu os condenados pelo mensalão do crime de formação de quadrilha, tudo junto, nada muda, as condenações por corrupção ativa, desvio de dinheiro público e as demais implicações não mudam, mas o festival de loas e de revanches, algumas veladas, outras explicitas, contra as decisões do STF em relação ao mensalão e contra o julgamento em si, são inúmeras e atendem por uma única motivação: poupar o partido dos trabalhadores e ao ex-presidente, ex-tudo, Lula da pecha e do vexame de ter mensalido, além, é claro, da tentativa de livrar os comparsas que, estoicamente, é bem verdade, estão calados e tudo suportam. O único que roeu a corda foi o irmão vivo dos Pizollatos, algo insipido e de nojo agudo, a fuga, diga-se.
Em nada surpreende essa reação e a forma toda, troca de ministros, pressão na véspera e a esperteza toda dos Barrosos, o mais educado e empolado, uma fala mansa de `até parece`, uma beatitude de dá dó. O ministro engomadinho nem emite sinais de vergonha e segue, no seu uso cerimonioso, o discurso de palavras bonitas para atacar o ministro Barbosa, o inimigo público do partido, que, de origem menos abastada, parece cru e direto diante do "processo civilizatório" que o Barroso, ministro, acusa-o de atacar. 
É o Brasil de sempre, assimétrico, cruel em suas desigualdades, onde o simples é tosco e vitima de ataques duros dos poderosos e onde o empolado de fala mansa é o herói bem pago da turba. Nossas diferenças são de berço e remontam ao império, ao Brasil colônia. Triste ver que, o Lula, o único que pareceu furar o bloqueio e se impor como líder das massas, hoje é apenas o poderoso que tudo faz para proteger os seus companheiros, descaradamente e com as luzes de todos os postes que ele ajudou a "plantar" na vida pública brasileira. 
Triste república da falsa mobilidade social e das mazelas de grife e de ministros engomadinhos de toga passada a ferro. Rompeu-se o único lacre da decência, o supremo 6 a 5 colocou por terra uma construção admirável de democracia e um sonho de um país mais justo e decente, honesto mesmo. O país ainda tem dono e eles são educados e irmanados com o planalto, uníssono. Ao outro, os Barbosas de ser, cabe a obediência servil ou o achincalhe. Não é quadrilha, afinal.

08 novembro 2013

oximoros urnológicos

Toda propaganda é enganosa, as com legendas e políticas, mais ainda. Essa é uma época surda para as idéias lógicas e pensadas, não somos afeitos ao pensamento estatístico, como bem diz-nos a economia comportamental que, como bem sabemos, não fala, nem pensa, agora vale o novo slogan que mudou para país rico é país sem pobreza, um oximoro ou pior do que isso... Vivemos dias de auto-imagem e auto-exposição onde o poeta vai ao fundo do poço, simbólico e abstrato, que seja, para colher a razão, o foco  ou motivação para uma vida sem graça ou fé, apenas uma peça boiando em oxítonas e outras dopaminas, mais uma configuração lúgubre e sem ritmo de uma vida entre papeis. Enquanto isso, na televisão, o governo proclama o fim da miséria e a volta da solidariedade fraternal, um recuo no país de todos, uma volta ao fratricídio retórico, oximoros de nós contra eles, os outros. Alheio a tudo isso, o país não cresce, a indústria perece, ah, os poemas sem pré-sal, uma resiliente inflação persiste, uma ideia forte de vale tudo se sustenta entre convicções tardias, ninguém suporta os valores plurais, ou estás no oximoro ou és o outro, apagado e sem sentido.

01 setembro 2013

a neve no sul, o silêncio das massas e o bizarro governo federal no Brasil

o personagem do mês de agosto foi a chuva e a neve que ela trouxe, não pelo espetáculo em si, que foi relativamente apático, mas sim pelo inusitado. Algo semelhante, um inusitado da mesma forma, é o silêncio das ruas e a recuperação da economia durante o segundo trimestre do fatídico 2013, tudo junto não faz o menor sentido, uma economia sem perspectivas claras, com ameaças veladas e concretas à estabilidade institucional, agressões ao patrimônio e administrada por um governo  bizarro, com políticas bizarras e com uma vocação para o excesso intervencionista e para o jogo de cena, acreditar que, num cenário desses, tudo vai bem a ponto de recuperarmos um ciclo de expansão e tudo isso com aumento de popularidade da presidente Dilma e de seus ministros, é um absurdo lógico, ou uma forma reveladora da precariedade da ciência triste, a economia, em todos os modelos com alguma racionalidade não é crível que os agentes estão, agora, nesse exato momento, apostando suas fichas no exito de um, cada vez mais real, segundo mandato dessa estratégia de poder. Sinceramente, vai nevar em todos os agostos daqui a'té 2018 e o nível das chuvas vai continuar crescendo e, assim, apostando nessa sequência episódica, podemos também crer que o nosso desenvolvimentismo conseguirá evitar uma grave crise no meio de um eventual segundo mandato da atual presidente.

04 agosto 2013

outro termo

 "os piores lugares para se viver", segundo o texto da sutil reportagem diz um pouco sobre a nossa forma desrespeitosa e irresponsável de lidar com os nossos achaques, em tom de denuncia o mesmo texto, vincula ou tenta vincular, a pobreza e o baixo Índice de Desenvolvimento Humano dos Municípios (IDH-M) ao nível de corrupção praticados pelos prefeitos das referidas municipalidades. 
Em palavras poucas, alguns comentários:
  1. o famoso índice não consegue mensurar o humano do título, é apenas uma medida que combina, sem uma ponderação adequada, ou melhor, com uma ponderação arbitrária, alguns aspectos de indicadores de renda, saúde e educação
  2. todos os indicadores usados são incapazes de fazer qualquer referência satisfatória ao humano e, o mais grave, são métricas que avaliam meios e que jamais olham ou conseguem avaliar fins, a vida e a existência dos humanos do título.
  3. a criminosa reportagem enfatiza acusações baseadas em processos e condenações, até ai, tudo bem, mas querer correlaciona-las ao fato gerador do baixo desempenho no IDH_M obtido por essas comunidades é um salto grande demais. 
  4. O modelo de Estado e a forma que os recursos públicos são usados, muito provavelmente, constituem um fator gerador de maior impacto para essa realidade 
  5.  a crítica ao modelo de Estado no Brasil demandaria da imprensa uma pesquisa mais séria e uma crítica de todo o modelo que praticamos por décadas
  6. essa pauta, contudo, está completamente fora dos propósitos de nossa impressa que é sensível a apelos populistas e a discursos fáceis,
  7. o famoso IDH-M acabou servindo apenas como forma de articulistas chapa-brancas usarem estatísticas que nada medem para justificar e defender o status quo, nada edificante e tudo com a sem cerimônia de sempre e contra qualquer racionalidade.
  8. no fundo deveríamos olhar para os dados sem a emoção de torcidas de futebol e deveríamos pensar sobre onde erramos.
  9. precisamos de uma auto-crítica sem o maniqueísmo fácil de quem apenas articula ideias engajadas, a esquerda e a direita,
  10. outro termo e outro tempo, são necessários, porém....

25 julho 2013

o papado do papa

assim, dessa forma, meio jocosa, meio infantil, meio sem sentido, poderíamos iniciar a crítica à espetaculosa e absolutamente ridícula visita do papa Francisco ( cardeal Bergoglio, só para o registro) ao Brasil, melhor, ao Rio de Janeiro do Cabral e ao `santuário` de Aparecida em São Paulo...uma semana de platitudes, de lugares comuns e de clichês carregados de equívocos da velha igreja, muitos cansativos e alguns enganosos e de uma mistificação de falsos dilemas morais e valores. Uma superficial crítica ao consumismo, ao dinheiro e ao mercado, uma perigosa volta ao passado da teologia da libertação sem, ainda, o contexto socialista ou comunista, uma igreja dos escândalos sexuais e financeiros que continua ostentando poder e o mesmo consumo, mas que tenta disfarçar tudo dentro ou por um farsesco fiat idea ou com um papa móvel trazido, etc, etc, etc. as incoerências são tantas que não merecem o registro, diáfano que seja...
salta aos olhos, no entanto, o outro escândalo, a nossa incapacidade para organizar coisas simples e a forma degradante como ainda expomos as nossas fraquezas mais básicas, ruas sem transito, transporte público sem energia, lama no palco da maior concentração prevista, autoridades que não se cumprimentam, a nada republicana ou transparente relação do comitê organizador local com os recursos públicos, a insegurança pública geral e as imagens e falas que a imprensa reproduz e espalha...difícil dizer o que causa mais desconforto nesse mar de lama.

14 julho 2013

Compreende?

os poetas sempre são mais lúcidos e perspicazes, sempre.


"O Brasil é um país que precisa de pessimismo, compreende, de muito pessimismo. O otimismo destrói o Brasil em qualquer atividade." (João Cabral de Melo Neto, fsp de 14/07/2013, p. I7, referindo-se a um palpite sobre a copa na Espanha de 1982)

"Assumem-se como uma instituição social em si mesmos, mas não querem substituir as oficiais ( e sim convoca-las a repensar o emperramento das respectivas juntas)" (Carlos Ayres Britto, fsp de 14/07/2013, p. I6, um palpite sobre as manifestações durante a copa das confederações do Brasil de 2013

vivo a transição e tenho propostas simples:

Para os políticos do Congresso:


  1. devolução de todos os apartamentos funcionais
  2. não se utilizar de verba de representação, voos da FAB e motoristas
  3. não nomear ninguém para assessoria parlamentar
  4. reduzir os próprios salários em 30% de forma unilateral
  5. renunciar ao mandato sempre que votar contra a orientação da maioria do partido
  6. andar mais de transporte público, bicicleta e a pé
  7. continuar estudando e melhorando a qualificação geral
  8. Criar o hábito de prestar mais conta a sociedade sobre suas posições no campo das ideias



Para o governo e área econômica


  1. exonerar toda a equipe econômica, presidentes do Bacen e BNDEs, trocar os ministros da fazenda e planejamento
  2. reduzir o número dos ministérios a não mais do que 20
  3. trocar toda a gestão da petrobrás
  4. independizar e permitir autonomia real para todas as agëncias reguladoras
  5. ouvir mais do que falar
  6. nunca conversar com Bresser, Belluzo ou Delfim, melhor mesmo, negar publicamente as suas teses
  7. acabar com a contabilidade criativa, assumir o passivo e adotar medidas de longo prazo para colocar as contas públicas e a política fiscal nos eixos
  8. não brincar com o câmbio e adotar uma postura mais dura com os parceiros populistas do Mercosul
  9. abrir a economia para uma parceria mais consistente e duradora com EUA e UE
  10. trocar o ministro das Relações internacionais
  11. sorri mais, principalmente durante os pronunciamentos em rede nacional...


04 julho 2013

Incapacidades gerais do bardo

perguntas do bardo, o solitário desconhecedor das virtudes morais universais:

  1. se não é possível a comparação interpessoal das utilidades como é possível atribuir pesos para educação, saúde ou outra qualquer forma de gastos orçamentários do poder público?
  2. no maximin do Rawls não há uso de probabilidades, pergunto, o um, da certeza, não é probabilidade e de igual teor, não é também, a formulação lá na posição original, igualmente subjetiva?
  3. se necessitamos introduzir na posição original o famoso véu da ignorância (injustificável como o Harsanyi de 1975 não usou esse raciocínio), não estaríamos pois, no campo das incertezas, subjetivas ou não, e então, como evitar a utilidade esperada lá do Von Neumann e Morgenstern, melhor, como não usar as preferencias pelo risco, ou não são elas, as tais atitudes em relação ao risco, humanas e como tal, deveriam ser consideradas, pergunto-me, seria ético deixa-las de fora de qualquer quadrado mágico ou maximin???
  4. tendo dois filhos, um doente crônico e outro saudável e com um certo desempenho outstanding em matemática pura, deveriam, nessas circunstâncias, os recursos da família de classe média-média serem alocados para: um tratamento novo caríssimo de baixa probabilidade de sucesso do filho A ou para custear estudos avançados do matemático da geração B de manifestantes nas ruas da capital?

paro por aqui, sem saídas e absolutamente iletrado, reconheço a minha incapacidade para tratar desses e de outros temas, com uma humilhante sensação de incapacidade geral irrestrita.

30 junho 2013

a transição, que venha logo...

"Nossas sociedades improvisadas, de transição, não amortecem os choques."(V. S. Naipaul, 1987, p. 9)


hoje o Samuel Pessoa num artigo para folha destaca que não será fácil atender os manifestos e suas demandas, como, de resto, não será nada fácil a transição para o novo modelo, estilo ou forma de conduzir os negócios de estado. essa é uma aposta, porque todos sabemos quão precária é a convicção de quem deveria cuidar desses negócios de forma justa e eficiente. caso tenhamos razão, os velhos e surrados motes da esquerda e da direita, e essa divisão mesmo, como a conhecemos, serão todos, banidos, anacrônicos e sem sentido. temos um novo grupo de uma nova geração, mais aberta para o mundo e mais bem informada, essa onda não veio das uterinas bases sindicais e/ou partidárias nos moldes antigos, é outra gente, outra pauta e outras dúvidas e certezas, o novo chegou, agora é torcer para que a transição seja rápida e exitosa e sem sobressaltos, caberia também, falar dos derrotados, ambos já citados, por sinal, mas algo que fica claro desde logo, o desenvolvimentismo mais uma vez construiu uma sociedade ruim, pior, e mais desunida e insustentável e ainda deixou uma conta a ser paga por essa geração que está chegando, exatamente como sucede ser sempre que abraçamos teses excessivamente estatizantes  e intervencionistas, temos que substituir o protagonismo de estado pelo protagonismo dos valores humanos pura e plenamente.

23 junho 2013

a semana sem face, o sarapatel...

"quem não lê acredita só no mensageiro"(Janaina Paschoal, prof. de direito da USP, na fsp)

o duplo sentido é sem razão, passamos por dias difíceis, sem razão ou com razão demais, sem lideranças óbvias resolvemos protestar e manifestar insatisfação contra tudo ou contra quase tudo, a direita diz que é a favor, a esquerda diz que foi a primeira a propor o passe livre e outras coisitas mais,  ambas, sem razão ou com muita razão, levaram multidões às ruas, vimos cartazes de todos os tons, alguns em forma de poesia concreta: "são paulo/são pedras/são podas/são putos", outros com alusões mais cruas a nossas decantadas mazelas, até a independência do banco central foi reivindicada, quem diria, vimos sim, vimos pedras e balas de borracha, saques e depredação, cavalarias e brigadas, muitas...vimos também a belicosidade ideológica de parte a parte, um horror, assistimos uma titubeante presidenta em cadeia nacional, que, salvo engano, não piorou as coisas e trouxe, em sentido figurado, os médicos estrangeiros para desviar o foco, mas que...numa semana crua e nua, interromperam o trabalho no meio da tarde, fecharam a faculdade de ciências econômicas, a farmácia e até a igreja matriz, em todos os pontos recolheram o lixão para evitar depredação. Mesmo nos piores pesadelos não tínhamos uma vaga noção do que víamos, ou veremos...O brasil não entende o brasil, como na música, somos apáticos na percepção do quanto somos pobres, desiguais, injustos e no quanto vendemos, nos últimos anos e a todo o mundo, a ilusão de termos nos tornado os melhores do mundo, olha a crise do capitalismo na europa, nos eua, olha....quando eramos o que somos, pobres e desiguais, vivemos as nossas castas e criamos novas, lá no planalto central temos o DAS a gratificação por bons serviços prestados ao patrão de plantão e aqui, na paroquia, temos soldos não revelados e um estado de bem-estar social para os filiados, enquanto isso, negligenciamos o atendimento ao público, serviço público inexiste em razão, que esperem na fila e sem pronto atendimento, a qualidade dos contra-cheques dista léguas da qualidade dos serviços públicos, entre nós o que importa e importa muito é a linha de pobreza de setenta reais, um pouco menos, afinal, tiramos 28 milhões da pobreza extrema da nossa falta de imaginação, somos o que somos, uma urdidura desintegrada, retrograda, conservadora e injusta...

16 junho 2013

a falta de mobilização nas cores, o direito de discordar.

não ter opinião nos dias que seguem é uma imperdoável agressão, particularmente gosto de manifestações e no mais das vezes gosto de manifestações pacificas, sempre, diria...contudo, no jogo das versões temos cenas explicitas de parte a parte, o enfoque da mídia e das redes sociais atende ao capricho idiossincrático do proponente, um e outro são apontados e devidamente rotulados, os vândalos dilapidadores do patrimônio público contra os truculentos policiais opressivos, um e outro, diria o bardo da malhada, estão certos e errados ao mesmo tempo, sempre podemos enfocar o vidro quebrado ou o sangue escorrendo na face dos manifestantes, o bloqueio das ruas e as pedras, os cassetetes e os sprays de pimenta, as balas de borracha nem um pouco inofensivas, diria, aos que tentam ideologizar tamanha massa de evidências compartilhadas, em ambas margens, temos equívocos profundos, em ambos, tanto na vil fala do ministro da justiça, como na defesa, não menos indigna, da corporação....em todos os caso, indigno-me, porque quem mais sofre é o direito livre e autentico de mostrar descontentamento sem ser agredido ou agredir...Temo que essa é só a forma mais doce de algo que tende a tomar proporções de batalha épica que quase sempre leva a rupturas institucionais importantes e que carrega em seu bojo equilíbrios de baixo nível num jogo onde as regras são impostas pelo mais forte  e que sempre leva ao enfraquecimento da liberdade e da democracia, portanto.
Em minha ingenuidade pacifista, proponho uma saída para minorar o impasse das versões, todos os envolvidos, de ambos os lados, desarmados, a polícia abandona armas, cassetetes, escudos e cavalaria, bombas e gás, balas e borrachas, os manifestantes abandonam as pedras, os artefatos da fantasia e, rostos a vista, usam apenas palavras de ordem, porém, ambos, carregam filmadoras abertas que a tudo e a todos gravam e filmam, som aberto e sem a necessidade dos melhores ângulos, a imprensa idem, serve de ministério público para a pugna, ambos de mãos dadas, sem violências, uns protestam, outros cuidam para que os protestos sejam ouvidos e vociferados em alto e bom som, ambos preservando o direito de ir vir a quem concorda e a quem, indiferente ou não, discorda e todos apenas registram em alta definição o ato civilizatório...sonho ou não, serei sempre defensor das manifestações de respeito mútuo, mesmo quando o que nos move é o direito inalienável e sagrado de discordar em todo canto e lugar.

09 junho 2013

"Tem ser humano em toda casa..."

sábado fomos a Restinga para mais uma pesquisa de campo: aplicar questionários, ouvir um pouco da história do lugar e tentar, de alguma forma, dá voz aos esquecidos. A cada visita a angústia com o destino de nossa gente, [o nosso aqui diz-se da nossa igualdade humana e a total assimetria de oportunidades que nos atinge desde o primeiro minuto de vida e por toda a vida], dessa vez, ocupações irregulares, melhor, ocupações do espaço urbano não alcançadas pelos tais bens públicos, esgotos com dejetos do banheiro e da pia, sic, passam na porta das casas, abertos, escancarados, na rua sem pavimentação, estreita, de terra e mato o que propicia a criação de uma canaleta de lama que invade casas de madeira sem piso...tudo a exatos 17km das escadarias da Borges, praticamente em linha reta, descemos do ônibus na praça teatro em frente ao fórum, um dia para não esquecer, 25 jovens nos acompanhavam...Em cada canto e a cada entrevista, a ausência do Estado de assistência social, a maioria beneficiários do Bolsa Família, mas sem escolas, esgotos, abastecimento de água tratada, sem alvenaria nas casas, sem vida econômica, só recebem, segundo relatos das mulheres da paz que nos receberam e nos conduziram, a visita de vereadores na época das eleições e depois são abandonados, descalças as crianças pisam na lama com a naturalidade com que esquecemos que o déficit público no Brasil comete crimes contra os desassistidos, contra aquela gente nossa que em tudo foram esquecidos, menos na concessão do midiático bolsa família, que "não serve para nada" disse-me uma senhora no meio da entrevista no meio de um dos esgotos que nos vigiava e nos denunciava, a nós os desiguais...

21 maio 2013

o governo, os miseráveis e a roda da fortuna.

no sábado e domingo fomos surpreendidos por uma inusitada corrida aos bancos dos correntistas, melhor dizer, beneficiários do bolsa família, uma imagem difícil e emblemática, um boato de que o programa iria acabar leva milhares às agências da Caixa Econômica Federal e, ato contínuo, o governo, em acordo lá com seus padrões éticos e morais, liberou saques fora do programado, o valor, aqui é o que menos importa, foi feito. Várias dúvidas ocorrem ao vivente que sabe que ainda não viu tudo. Em breves palavras, estamos presos a esse programa, nenhum político e nenhum governo vai ousar revisar a estratégia de combate a pobreza e seremos reféns do sucesso ou do fracasso de tal programa. Tecnicamente, chegamos no ponto de não retorno, a dádiva dada é tão importante para os recebentes que eles simplesmente entram em pânico se um boato espalha a ideia de uma data provável do fim. Alguém deveria ter chamado o presidente do IPEA para explicar o que falhou na pesquisa que aponta a não dependência dos beneficiários em relação ao programa. Contudo, a minha agonia, não existe outra palavra mais apropriada, diz respeito aos fracassos todos de nossa sociedade, como podemos criar um arranjo no qual o Bolsa família é algo tão fundamental para tantos? Como uma população que é desrespeitada em todas as horas de todos os dias nos seus direitos mais elementares pode correr para a caixa por causa de um boato em relação ao fim de um beneficio de no máximo R$ 200,00 mensais? Essa mesma população que é humilhada nos postos de saúde, hospitais, nas salas de aula para seus filhos, no transporte público, na forma desigual e assimétrica das previdências privadas e públicas, nos privilégios dos de toga, dos políticos e dos funcionários públicos??? Como entender o desatino de um mundo com poderes de barganha tão assimetricamente covardes, onde a indignação só aparece na forma de boato em torno de uma assistência insignificantemente mínima? Não tenho mais dúvidas, criamos uma armadilha de desigualdades insuportável e uma casta inferior pronta para atender aos desejos de políticos e partidos que estão no poder, o irônico, é que os nossos intelectuais e líderes vangloriam-se de tamanha façanha...uma triste página onde constatamos o nosso profundo fracasso como sociedade e arranjo institucional.

12 maio 2013

a ilha sem saídas reais

visitamos a ilha dos marinheiros com um objetivo definido, entrevistar o maior número possível de moradores para uma reportagem sobre políticas sociais, programa de transferência de rendas e linhas de pobreza, aspectos de justiça distributiva, qualidade de vida e bem-estar social e uma tentativa honesta, nem sempre exitosa, de calçar o sapato dos ilhéus e tentar olhar o mundo da perspectiva deles... a chegada deu-se, como sempre ocorre comigo, sob um clima misto de sensações e emoções  algo na linha aventura pela descoberta, responsabilidades compartilhada e receio de que algo saia da linha, em todos os casos, envolvimento.
a primeira observação geral, casas em ruas paralelas em linha reta sem nenhum calçamento ou   infra-estrutura, todas de madeira e vulneráveis ao frio, a chuva e ao poderoso rio Guaíba,  mas "a água é boa" , segundo as palavras de um morador que me protegeu de um cavalo de carregar papeis que parecia querer participar da pesquisa pois bastava eu começar a entrevista e ele se aproximava olhando de esguelha, mas com uma cara de gente boa...
entrevistei poucos, no beco 17, a linha mais dura em possibilidades humanas perdidas, no final da rua, uma senhora separava o lixo em um galpão,  mãos calosas, olhar duro e expressões fortes, sempre respondia não antecipado por um forte movimento de cabeça, alta, séria, indígena, "eu sou meio bugra"disse ela procurando os olhos com timidez, e sofrida, quase não conversamos, e ela só esboçou um sorriso quando apertamos as mãos e eu pedi desculpas por invadir o seu local de trabalho...
as perguntas que não vou reproduzir, não são suficientes, mesmo que, eventualmente, consigam dá voz a quem foi esquecido, embaixo da ponte, na ilha, quando da época da construção da ponte suspensa que leva ao sul do Estado, Pelotas e adjacências,  desde aquela época, poucos cuidados e muitos sofrimentos, aflições e uma vida em absoluta restrição sem um sorriso fácil...o que fazer quando se depara com esse mundo escondido diante de umas paisagens mais belas da tua cidade de viver? Certamente, o olhar das coisas abre o jogo das especulações  uma das entrevistadoras, jovem ainda, comentou de passagem, "as casas não são iguais e algumas são muito ajeitadas e a renda familiar é maior, mesmo assim..." respondi meio surpreso e sem convicções profundas, li em algum lugar que as capacitações do Sen são indivíduos especificas e, por isso, devemos entrevistar indivíduos...
depois no ônibus de volta, comecei a pensar sobre toda a manhã,  chegamos às 8h30 e voltamos cinco horas depois, uma insatisfação geral  e o olhar contaminado por minha formação  sempre procurava a vida econômica da ilha, um bar, duas bodegas e dois centros de coleta seletiva de lixo, um público e um privado, nada mais...sempre achamos que temos as soluções e tentamos atender os indivíduos,  mas, nesse caso, fiquei o tempo todo com a sensação de que a abordagem centrada no bolsa família e no orçamento participativo, ambos citados pela líder comunitária que nos recebeu, eramos 17, entre alunos e três professores, foi e é um grande equivoco porque ela não propicia uma vida econômica livre, independente e exitosa para os que por lá vivem, mesmo não tendo a minima ideia do que fazer, a impressão da manhã de sábado na ilha, cada cena, gesto e paisagem fazem parte da minha experiência e da minha, nossa, eterna limitação na abordagem das pessoas e de seus graves problemas, somos muito limitados e estreitos no desenho de políticas sociais, estamos errando o pior erro e caminhando para  o lugar nenhum, deixamos a ilha, mais uma, abandonada e sem saídas reais...

07 maio 2013

OMC, a cadeira tardia

muitos comentários sobre a conquista de uma cadeira de líder da OMC por um jovem diplomata brasileiro, em termos, o Patriota destaca a vitória dos emergentes, uma professora da FGV -SP fala em renovação e ressurgimento via ampliação do espaço decisório e da geografia decisória...em termos, relativizo tudo, afinal, se o grande bloco se formar no pós-crise, a omc será renovada em suas atribuições e alcance ou abrangência, até lá continuaremos sofrendo da síndrome de vira-latas que se regala com conquistas importantes, mas tardias e absolutamente datadas, no caso, mais uma nostalgia de uma conquista que nunca fizemos por onde merecer, ter ou ser, vale o mesmo ou pior para a participação no grupo permanente do conselho de segurança da onu, por isso, por essa conquista nostálgica, rompemos ou atenuamos laços com parceiros comerciais importantes e visitamos toda a Africa para explorara-la e recrudescer seu isolamento e dificuldades econômicas, uma lástima...

28 abril 2013

cartas de amor e ódio

lá na folha, o jornal velho, leio que serão lançadas, em edição comemorativa, as cartas de Graciliano Ramos e que nelas veremos um Graça mais simpático, ameno e menos taciturno, tudo para quebrar a imagem antiga de  autodepreciativo, amargo e casmurro do autor de Angustia. Livro esse, que ousei dá de presente a uma amiga porque cairia no vestibular da época em Minas, no que recebi de volta, um lacônico "já imaginei que seria essa a tua opção", em tempos, pelo livro dado, mais uma evidência da minha auto-angustia. Algo como saber a cura para asma sem saber respirar. Nada nessas cartas do autor de São Bernardo deveria servir de base para nada, 125 cartas, um pouco mais, um pouco menos, selecionadas a dedo para comprovar ou negar uma tese, é pouco, é quase uma má fé, não é sério ou informativo em algum sentido válido. No entanto, pomos nossas fichas, de leituras e crenças, nessas constatações de especialistas, nessas esperanças vãs, não ousamos usar o cérebro que pensa e que é lento e grande consumidor de energias, nos enganamos com as evidências nenhuma, na esperança de não sermos como o Graça, casmurros de tanto pensar, exaustos e esquálidos e de eterno mal humor por nada entender ou saber, mentem todas as estúpidas cartas de amor, diria o Pessoa, mentem mais ainda se são poucas e escolhidas ao doce sabor das intenções. Verdades nenhuma escondem, apenas, talvez, inconfidências que nos alegram porque são quase verdades alheias, não nossas. Infelizmente, vale o mesmo para as opiniões sobre quase tudo, desde o libertarismo inconsequente da casa sem impostos ao estatismo da minha casa minha vida, ou os juros baixos do banco do brasil, do Brasil, eu disse, enganam e mentem como todas as cartas de amor e ódio, são peças publicitárias, peças de campanha para atrair adeptos e seguidores, todas incrivelmente lenientes e inconsequentes no seu ódio à verdade, qualquer uma...