28 abril 2013

cartas de amor e ódio

lá na folha, o jornal velho, leio que serão lançadas, em edição comemorativa, as cartas de Graciliano Ramos e que nelas veremos um Graça mais simpático, ameno e menos taciturno, tudo para quebrar a imagem antiga de  autodepreciativo, amargo e casmurro do autor de Angustia. Livro esse, que ousei dá de presente a uma amiga porque cairia no vestibular da época em Minas, no que recebi de volta, um lacônico "já imaginei que seria essa a tua opção", em tempos, pelo livro dado, mais uma evidência da minha auto-angustia. Algo como saber a cura para asma sem saber respirar. Nada nessas cartas do autor de São Bernardo deveria servir de base para nada, 125 cartas, um pouco mais, um pouco menos, selecionadas a dedo para comprovar ou negar uma tese, é pouco, é quase uma má fé, não é sério ou informativo em algum sentido válido. No entanto, pomos nossas fichas, de leituras e crenças, nessas constatações de especialistas, nessas esperanças vãs, não ousamos usar o cérebro que pensa e que é lento e grande consumidor de energias, nos enganamos com as evidências nenhuma, na esperança de não sermos como o Graça, casmurros de tanto pensar, exaustos e esquálidos e de eterno mal humor por nada entender ou saber, mentem todas as estúpidas cartas de amor, diria o Pessoa, mentem mais ainda se são poucas e escolhidas ao doce sabor das intenções. Verdades nenhuma escondem, apenas, talvez, inconfidências que nos alegram porque são quase verdades alheias, não nossas. Infelizmente, vale o mesmo para as opiniões sobre quase tudo, desde o libertarismo inconsequente da casa sem impostos ao estatismo da minha casa minha vida, ou os juros baixos do banco do brasil, do Brasil, eu disse, enganam e mentem como todas as cartas de amor e ódio, são peças publicitárias, peças de campanha para atrair adeptos e seguidores, todas incrivelmente lenientes e inconsequentes no seu ódio à verdade, qualquer uma...

21 abril 2013

jovenismo patriota e o oportunismo acadêmico

 "Vejo a natureza como uma estrutura magnífica que podemos compreender apenas imperfeitamente e que deveria inspirar em qualquer pessoa com capacidade de reflexão um sentimento de humildade" (Einstein, lá na coluna do Gleiser da fsp) 

o epigrafe fala por si mesmo, mas lembrei, ou melhor, ele, o epigrafe, me fez lembrar da controvérsia da semana, o erro no uso da base de dados e na aplicação das fórmulas do excel e, por consequência, nas estimativas econométricas da correlação entre crescimento e dívida pública e do suposto ponto de inflexão, na casa dos 90% do PIB, quando toda a maionese desandaria, Rinhart & Rogof, (veja um bom resumo aqui), versus os estudantes de doutorado Herdon, Ash e Polin, que perceberam o erro na condução dos cálculos. Sem entrar em detalhes, assustou-me as reações, que se seguiram ao episódio,  na minha TL, lógico, dois caminhos clássicos e, ambos, equivocados, completamente equivocados:
  1. não precisamos da econometria de Harvard(sic) e da estatística sofisticada, muito menos precisamos de evidências ou de algoritmos para analisar uma massa de dados gigantesca e  microdados do censo, podemos, nós os estupendos alunos de doutorado, chegar a conclusões ainda mais inteligentes, usando apenas excel e matemática elementar...(essa é minha leitura de um meme que circulou nas redes sociais, que, infelizmente, não consigo transpor para cá). Não preciso explicar o equivoco ignorante que essa forma de reação inspira, uma mistura de achismo com ideologia radical, nada mais, aliás,  isso é treva.
  2. a outra reação é a ainda mais estapafúrdia,  como os autores do erro defendiam austeridade fiscal para combater a crise do euro e eles estão errados nos cálculos do seu famoso artigo, logo, podemos concluir, apressam-se os mesmos do item anterior, que a hipótese de usar austeridade como combate a crise foi, e está, completamente refutada, e, por conseguinte, a teoria oposta, que defende políticas pró-cíclicas de estilo keynesiana de multiplicador elementar e linear, está correta e deve ser seguida como deseja toda a heterodoxia global. 

non sequitur clássico esses dois raciocínios são a fina flor da sandice ou da má fé e levaram analistas importantes e até alguns laureados a perderem o meu respeito e admiração, temos aqui, alinhados, oportunismo e cinismos combinados ao `jovenismo`essa tríade  explica a patotada, ou patriotada da semana, (expressão que, no caso brasileiro, assume ares de irresponsabilidade democrática), em cima de um erro assumido pelos próprios autores.

14 abril 2013

O cachorro sem dono...

o aeromóvel chegou, sim, Porto Alegre terá um, melhor, terá dois, o primeiro lá está, trinta anos e nunca saiu do lugar, esse novo, sairá, servirá para atravessar duas pistas largas do aeroporto até a estação do metrô de superfície, um ridículo a mais, uma sem sabedoria sem fim, uma paisagem de ficção no meio do Salgado Filho, o aeroporto. Atende ao projeto de maquiagem da cidade para a copa, um muro a mais de desatinos a revelar as opções que fazemos em nome da Copa do mundo de futebol e do bolsa família, algo sui generis, somos a classe C que ainda observa extasiados a aviões pousando e decolando e que ainda caminhamos nos parques povoados de cachorros sem donos que fazem suas necessidades nos nossos pés, mas temos o aeromóvel, a classe c e o bolsa família, 900 metros, um pouco mais, a distância que a peça irá transpor para levar os turistas e os jornalistas, a mesma distância que precorro, ou tenho que percorrer, para pegar um ônibus de linha ás seis da manhã, um pouco mais, um pouco menos, poucos dias ou vezes, é verdade, vou por uma rua quase deserta, pelo meio da rua, para evitar ou tentar evitar os cachorros sem donos, na minha fantasia de medo, lobos e matilhas com um ou dois alfas a perseguir seres magros e de olhos verdes, todos lobos, dentes de lobo no meu destino, sem donos, os cachorros gastam os impostos em aeromóveis, mesmo sabendo que os cachorros vagueiam pela cidade a cata de trabalhadores da educação pública, de qualidade e gratuita só no jargão clichê dos intelectuais do b, porque, a julgar pelos ônibus lentos e que percorrem muitos quilômetros antes de chegar a santa casa, somos os verdadeiros  cães sem dono, mas a cidade orgulha-se de ter um aeromóvel, o bolsa família e a classe c, todos educados e muito politizados...

09 abril 2013

os senhores dos anéis, os outros...

Hoje fomos surpreendidos com a noticia da comitiva de economistas que fez visita, a convite, à nossa presidenta, o ex-ministro Delfim Neto, o ex-presidente do Palmeiras, Beluzzo e o ex-secretário da Fazenda do Governador Mario Covas, Nakano. A minha primeira reação foi de tristeza e agonia, o tema a ser tratado era inflação no Governo do PT e da Dilma, bem, qualquer analise equilibrada e honesta da história recente do país apontaria a irresponsabilidade e a temeridade de convidar esses três senhores para qualquer conversa sobre esse e outros temas econômicos, principalmente se o convite parte de alguém que precisa tomar decisões e precisa de conselhos válidos. Contudo, depois, mais resignado e cansado, passei a reconhecer a importância da visita histórica, a retórica dos três, melhor, dois dois primeiros, é capaz de convencer qualquer um de que estamos no melhor dos mundos e de que temos que aprofundar o corte de juros, o incentivo ao crédito  e à demanda interna e que os gastos públicos crescentes devem liderar a retomada dos investimentos para a reeleição já em primeiro turno. A Hidrobrás é apenas o começo de uma quebra de paradigmas pró e re-estatizante, afinal, o mundo precisa de um capitalismo brasileiro de Estado para voltar a crescer, segundo esses grandes economistas de inestimáveis serviços prestados ao país. Imagino as gargalhadas e as piadas em relação aos economistas que pensam diferente e as, impagáveis, intervenções do ministro da Fazenda, uma inteligência vital e fundamental para o novo desenvolvimentismo que vai mudar a vida da classe média, da classe C e dos que abandonaram  a estupenda linha de pobreza na casa dos R$ 70,00. Quanta felicidade num encontro só, quanta sagacidade orgânica e citações eloquentes, duas ou três frases espirituosas do e sobre Keynes, uma breve, mas também eloquente alusão a novíssima biografia de Marx e uma recomendação para ler também a biografia do Chávez,  tudo entre canapés, tapetes vermelhos, só os pés descalços da anfitriã, bolorentos e sobre a mesa de tampo de vidro transparente, destoavam do tom erudito do encontro dos  sábios da República velha. Amanhã acordaremos mais ricos, menos vulneráveis e solenemente felizes, caminharemos para a glória do povo incluído e ungido pelos melhores ventos da suprema sabedoria nostálgica e de rapinas. Afinal é um luxo podermos contar com um conselho de notáveis tão expressivo e articulado, uma glória.  

17 março 2013

coalizão de resultados

"Não acredito que seja possível esse país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão."(presidente Dilma, aqui) este parecia ser um sinal inequívoco de amadurecimento político, o partido da presidente, que sempre criticou as alianças da oposição, finalmente assumiria, publicamente, que estava errado o tempo todo e  que a avaliação geral de que seria possível governar sem alianças importantes com partidos de centro-direita e centro-esquerda era, portanto, apenas um discurso juvenil, adolescente e irresponsável. 
Contudo, nem isso podemos comemorar, passados dez anos no poder, as expectativas de mudanças e do novo na pratica politica brasileira foram completamente frustradas com mais esse ato, ministros inexpressivos, pastas esvaziadas e uma posse sem discursos, não há ilusão aqui,  alem de um projeto desenvolvimentista do século passado para o país, que tem um caráter nítido de retrocesso e de estagnação econômica e de desprezo por virtudes econômicas importantes, o partido da presidente reproduz as mesmas praticas fisiológicas de troca de favores e de usar o espaço e os imensos recursos e poder econômicos da governabilidade apenas para sustentar e manter um projeto de poder, nada mais, sem glórias e sem pudores, uma vergonha. Uma descrição objetiva e inteligente dessa estratégia foi apresentada pelo Josias de Souza, em seu blog para folha,  porém, no final do seu raciocino, tudo parece se justificar pelo passado dos opositores o que acaba revelando mais um sintoma de nossa atual apatia política, um certo acomodamento e paciência da imprensa com os equívocos do planalto, muitos...

02 março 2013

efeito psicológico

a expressão do título é uma especie de jargão de ocasião do tipo que nada diz, tudo esconde. O uso mais recente desse clichê de botequim, foi cometido pelo articulista do jornal folha de São Paulo ao discorrer sobre os efeitos danosos do baixo crescimento da economia em 2012 e ao comentar a suposta afirmação dos assessores da presidência  "tem,[o baixo crescimento de 0,9%] segundo assessores presidenciais, "efeito psicológico" negativo para as expectativas, além de dar munição à oposição."(aqui). O equivoco do articulista é a alusão a expectativas movidas por efeitos psicológicos positivos ou negativos, aliás, nem mesmo análises sob incertezas são movidas por tais efeitos, ao olhar para o futuro não o fazemos movidos por achaques da psique ou coisas desse teor,  agentes racionais ou quase, olham para o enredo e tecem previsões e expectativas a partir de coisas reais, não é o desempenho do PIB em si que derruba expectativas, mas sim, a constatação real de que a politica econômica e os discursos, decisões e opções tomadas pelos lideres do governo ai incluso a líder máxima forjada pelo presidente anterior, não inspiram confiança de que caminhamos para um arranjo de negócios, confiável, acreditável, crível e factível para retornos e sucessos...o resultado do PIB apenas confirma o que já antecipávamos em expectativas, baixas expectativas que mudam sim o comportamento estratégico dos agentes econômicos em relação à correr riscos e investir no presente. O conserto desse nó só ocorrerá se o governo trocar o discurso e toda a equipe econômica, mesmo que o articulista da folha jamais entenda o que se passa...

01 março 2013

teorema comum da não existência

a analise mais comum, hoje em dia, afirma que não temos oposição, essa acusação ou constatação é estranha, porque ela, sistematicamente, destrói a oposição  e, como é de se supor, fortalece a situação  Temos uma paradoxa, a autocentralidade do circulo vicioso, uma critica que não existe esvazia a critica que existe, ou o contrário, preso nessa árdua quadra, os denunciadores dos erros do governo são eclipsados, pois são a oposição, e, em todo caso, não existem. Nesse cenário,  o resultado da próxima eleição está definido, nenhuma novidade, a reeleição é o mais provável e isso não implica algo significativo em qualquer sentido de valores humanos importantes, essa previsão é apenas um desdobramento lógico das armadilhas postas, um circulo que se fecha. Os grandes equívocos que estão sendo cometidos na condução da politica econômica e social não serão capazes de gerar um desastre econômico visível no curto prazo e que torne viável uma alternativa ao atual projeto de poder. Ao que resta, cabe apontar os equívocos e as mudanças necessárias...

20 fevereiro 2013

o verdadeiro discurso da página virada

em discurso para o público cativo, a presidente Dilma disse que a miséria no Brasil é página virada...sinceramente, com todos os predicados das ressalvas e com a mínima condescendência ao palanque e ao discurso de políticos voltados para o poder, vocacionados para a gana de mais poder, não consigo, com todas as vênias,  aceitar tamanha ignorância e tamanho descaso para com as gentes e para com a noção mais elementar da verdade e justiça  O discurso correto deveria percorrer uma linha mais honesta e sincera e  assumir uma vulnerabilidade que todos já sabemos: "senhoras e senhores, hoje o Estado brasileiro vem a público assumir a sua total incapacidade para combater a pobreza e para aliviar a dor da miséria absoluta, fracassamos, nossas políticas de transferência de renda, além de inócuas, apagaram a indignação  calaram a voz dos articulistas e conformaram os intelectuais que agora só olham para o controle da imprensa, a nova bandeira da vanguarda. Nos últimos dez anos abafamos a oposição e conseguimos doutrinar os jovens, sem voz, sem a boa luta, os pobres, os agraciados por nossa parca assistência,  são humilhados nos hospitais, nos postos de saúde  seus filhos são enganados em escolas públicas sem vida ou qualidade, seus pais vão para o trabalho em ônibus superlotados e velhos, moram em casas de taipa e sem teto, em ruas de esgotos e lama, usurpados nos direitos mais elementares, mas já não existem nem mesmo como estatísticas, estão agora  acima da linha de pobreza de renda, obsequiosos, geram as nossas glórias nos jornais, nas urnas, na imprensa internacional e nos centros de pesquisa da pós graduação no Brasil . Subjugados, os pobres e miseráveis,  já não existem, são página virada..."

15 fevereiro 2013

João Godoy

a economia do sambódromo já merece uma analise qualquer, seja para mostrar que há um estado paralelo e que tudo funciona de forma estranha, uma vila apertada de casebres no corredor mínimo de acesso, uma falta completa de estrutura, seguranças estranhos, com vestimentas também estranhas, lembram policiais de outro pais, banheiros que não funcionam. "Água só no Ceará" gritava o chefe da limpeza na porta do banheiro do setor dois, um mal cheiro insuportável, sem papel, sem detergente e sem água, apenas uma imensa luva verde na mão direita do benfeitor. No estacionamento em frente carros de marcas e tamanhos que mais lembravam a chegada de comitivas de presidentes de país muito rico, um contraste estranho, na passarela do samba, algo semelhante, carros de limpeza motorizados limpam a pista do samba, mas nos degraus das arquibancadas e da passarela da vida real que dá acesso a avenida ou ao metrô  uma sujeira sem fim que lembra um lugar abandonado e sem vida, mesmo sabendo que diariamente por lá, pela passarela real, passam milhares daqueles habitantes da vila vizinha, a maioria excluídos de acesso ao trabalho na famosa passarela. O autor dessa peca arquitetônica devia saber o que estava fazendo, afinal, expor o contraste é uma forma de revolta.  O engano aqui foi ter esquecido o mercado e suas propriedades e ter cometido o equivoco de entregar uma festa popular para a `liga` e seus estranhos seguranças e para um  estado corrupto e seus comparsas, e para oligopólios de marcas influentes, uma festa de tentadora exclusão. Na porta uma placa anunciava que era proibida a entrada de armas de fogo. Nesse ambiente surreal, a pergunta que mais ouvi durante as quase duas horas de espera por amigos: o senhor quer vender o ingresso? O que confirmava o que já desconfiava, não pertenço a esse mundo, assim como o João Godoy, sim fui confundido com ele no lado de fora, insistentemente.

11 janeiro 2013

notivagos retóricus

ludimila, a rainha do deboche, assina a pugna, em termos ditos, fica o que vai, mais não dispomos, porque o que soa é da memória involuntária, aquela que resgata a mancha obscura que jazia lá, no também obscuro passado, esse mesmo. Eis a marcha da memória perdida, como diz o outro ao falar sobre vate das madalenas. Em tempos bicudos como os que se apresentam, tudo se justifica em cavalar retórica frouxa, mesmo que tudo tenha causa e rima apropriadas e impublicáveis, a um só tempo, incompetentes é o que somos, senão, vejamos:
  1. baixo crescimento e todos os sons dos setenta, o setentão
  2. inflação dando o ar da desgraça
  3. corrupção, uma praga corporativa do estadão e do partidão
  4. tudo bem, isso aqui também é um chavão, um clichê sulamericano,
  5.  rasgar a constituição com o apoio dos camaradas, perfilados.
  6. antes de antes era o contrário.
  7. apagão, uma massada, como diria o bardo pessoa
  8. mensalão do dirceu, que nem de olivio, o genuíno, seria
  9. depois vem o pibão macunaímico da ludimila, uma depravada, só ela?

01 dezembro 2012

Bem feito!

no meio da tarde de um dia normal  de trabalho uma jornalista liga da cidade do Rio de Janeiro, poderia começar assim a descrição desse breve post  A contragosto tentei atende-la o que foi em vão.... 
1. oi, encontrei o seu nome na internet e vi que você fez pesquisa sobre pobreza no Brasil...amanha o IBGE vai lançar um novo indicador de vulnerabilidade, você poderia responder algumas perguntas?
oi, obrigado por ter ligado, mas não sou o especialista nesse tema e temos outros colegas que podem falar com mais propriedade a respeito desse índice...além do que, não conheço o novo indicador e teria dificuldades de antecipar qualquer comentário apropriado...
2. gostaria de ouvir uma opinião diferente das habituais...o indicador do governo olha para situação de vulnerabilidade social para indivíduos com ate R$ 320 reais per capita...
sem conhecer e a metodologia é quase impossível comentar, mas creio que acrescentar mais variáveis e olhar para alem da renda é um caminho adequado e representa uma mudança na visão do governo que tem sido monolítico ao insistir apenas no aspecto renda, contudo...
A partir daqui perdi o rumo e depois de quase uma hora de telefonema no calor de Porto Alegre, sim, o ar-condicionado da minha sala transmite mais impurezas do que o pó da industria de amianto, desligo com um singelo obrigado. Nos dias que seguem tento ler algo a respeito da suposta matéria, nada de nada. Tentei, mas não consegui, explicar que ao fechar o espectro da análise a indivíduos com até R$ 320 reais per capita e ao olhar indicadores de saúde, educação, etc. apenas a partir de dados do orçamento ou de infraestrutura disponível, o indicador estaria capenga porque avalia meios e não o que os indivíduos realmente realizam ou concretizam como ato deliberado de escolha livre...
No fundo, falhei, seja porque isso não é explicável de forma simples, seja porque não fui enfaticamente didático, afinal, usei as UPPs e a sensação percebida de segurança  como exemplo de como usar apenas o número de `brigadianos`nas favelas não indica o grau de segurança realizado pelos moradores do Alemão, então, disse ao telefone, `se eles não se sentem realmente seguros, eles não circulam a noite, não abrem negócios e não realizam uma vida plena`, depois ouvi uma pergunta burocrática, sobre a minha institucionalidade funcional e um muito obrigado. Bem feito!

28 outubro 2012

postes sem luz, os dois...

em dezembro de 2011 escrevi um texto pequeno e cheio de adjetivos sobre o cenário para as eleições, enviei para 5 amigos, antecipava a derrota do Serra e dava conta de outras peças, apático, seria um bom termo para designar a peça. A derrota que agora se confirma não me causa espécie, sinceramente, não gosto da eleição do Haddad como político, não tenho motivos, é verdade, para criticar o indivíduo Haddad, como gestor foi convencional, como cidadão, não me lembro de nenhum atentado grave. O que incomoda na sua candidatura, além do corpo geral de ideias com as quais não simpatizo, é o artificialismo e o apadrinhamento de um populista inescrupuloso, isso de eleger 'postes' porque o padrinho é forte, é coisa de um passado sem glórias e com muitos equívocos, aposto mesmo que a tresloucada Marta ganharia e seria uma vitória digna e legitima e sem populismos ou favores do big boss. 
quanto ao Serra, desenvolvimentista, sempre negou as conquistas do Real e fugiu das reformas lideradas pelo FHC, é intervencionista e não entende os incentivos do mercado, ainda defende um Estado produtor e pesado com gastos a perder de vista e com uma carga tributária asfixiante, todo esse itinerário não é o do PSDB, deveria, o Serra ter saído do partido como fez o Bresser, por coerência com as suas ideias que estão mais alinhadas com o planalto do que com a oposição. Centralizador e vaidoso, preferiu usar, da melhor forma, o cabedal político criado pelo FHC, mas não é e nunca foi oposição. Representa o mesmo discurso de uma esquerda que a social democracia já abandonara no final dos 1950. Preso uma visão econômica ainda ligada aos anos 1970, Serra defende um ideário anacrônico, longe dos desafios novos criados pelo fim do ambiente da guerra fria e pelos avanços na economia e na ciência econômica. Poderia, por sua história, ter se retirado de cena realizando uma gestão arrojada na prefeitura de São Paulo e, com grandeza, ter liberado espaço para novas lideranças no seu partido, o que teria sido enriquecedor para a oposição e para o país, preferiu essa trajetória de derrotas, virou um poste com luz apagada..

29 maio 2012

O jogo da intimidação - versão de manual

jogadores A, B e C (auto-identificáveis), a seguir o relato das estratégias usadas e os riscos envolvidos e a avaliação das performances:

Jogador A - sem falar abertamente sobre o assunto coloca em dúvida a idoneidade do jogador B, reforça a necessidade de protege-lo e mistura isso com a, também imperiosa, necessidade de adiar o outro julgamento. Se gravada a conversa jamais será entendida dessa forma, porque usa informações privadas que imagina que o jogador B sabe, o que parece uma linguagem quase cifrada, na realidade é uma intimidação, uma chantagem e uma proposta direta de troca de favores.
Riscos - o abuso da retórica de improviso, o uso sim de expressões diretas como xxx e yyy e a pergunta final sobre a viagem
Avaliação - desempenho satisfatório, mas poderia ser perfeito e A com louvor, se nunca fizesse referência direta aos termos citados anteriormente, não foi o caso, nota 7

Jogador B - acuado nega peremptoriamente todas as acusações, aceita todas as provocações e responde com enfase, nesse momento já havia decidido que depois divulgaria tudo na imprensa, foi o que acabou fazendo um mês depois. Esteve com um dos personagens de maior suspeita e fez a tal viagem para visitar a filha, respostas diretas e sem titubeios...
Riscos - deveria não ter participado da reunião e se algumas palavras fossem pronunciadas, como xxx ou yyy, deveria ter dado por encerrado completamente a reunião...na posição em que se encontra, não pode falar sobre esses temas com um dos principais interessados na peça, falha grave
Avaliação - nota seis passa com a ajuda dos exercícios, mas cometeu erros estratégicos primários, chamar a mídia para o debate sempre é um risco que pode levar ou a ideologização ou a vitimização do intimidador geral da república, melhor seria ter evitado o jogo ou ter esticado a corda do (algo muito arriscado sempre)

Jogador C
Estratégia - especie de intermediário e testemunha seria o coringa para situações difíceis, optou por jogar o seguinte jogo
negou a versão do jogador B e confirmou a fala amena do jogador A, com isso, além de aumentar seu ibope com o grupo do jogador A, coloca-se em linha de confronto e aumenta o equilíbrio de poder com a sua desafeta que a pouco o demitiu, em suma, jogou o jogo da sua conveniência no momento e, óbvio, ficou do lado mais forte na pendenga
Riscos - perder definitivamente a credibilidade, algo já ameaçou acontecer seguidamente ao longo de sua oscilante carreira de glórias e arrogância
Avaliação - dos três jogadores foi o que se expôs menos e o que obteve o maior ganho potencial, mesmo correndo riscos importantes, entendeu a quadratura do ciclo e fez a escolha oportunista do momento, nota 9

Detalhe técnico - nesse tipo de jogo todos são oportunistas  e o resultado sub sub ótimo do ponto de vista social, infelizmente, ninguém vai ser punido, nem em xxx, tampouco em yyy...

Nota do autor: esse jogo é uma mera ficção e o autor não se compromete com a sua leitura, vide bula.


08 maio 2012

dois pra lá dois pra cá...

depoimentos secretos para os representantes do povo parece um paradoxo sem saída transparente, o estranho é o ordenamento da divulgação das gravações inéditas. O acaso também tece suas urdiduras na república dos novos donos do poder. Começaria assim o relatório semanal ou mensal sobre os desarranjos do bardo. E ainda querem silenciar a imprensa...francamente. Nesses tempos de queda de tudo, da bolsa, dos juros, só o dólar sobe e a inflação, que saiu do noticiário, continua lá, fora da meta é verdade e bem acordada. uma dose cavalar de oportunismo criou esse enredo. Nenhuma sabedoria nos ensinou a ler o passado recente.

26 abril 2012

manchetes

dia fechado com cara de poucos amigos, se veio chuva não vi, a única distração do dia foi a interrupção da luz no meio da tarde, queda de energia e do computador, um não vive sem o outro, já relatei em algum lugar as perdas acumuladas do dia em número de frases ou esboço de texto, contudo, o pior não veio com o clima, esse outono também não chove, é fato, mas sim com as manchetes, e não foram poucas, abordo duas em muitas.
  1. supremo aprova cotas raciais nas universidades: em anos de atrasos, somos campeões, o que torna a cena professoral dos supremistas uma galhofa, discursos eivados e desdatados, apenas para o leigo ver, não, não é uma solução afirmativa se apropriar do direito para fazer tribuna...universidades não foram consultadas e o ensino público continua na última posição no ranking de prioridades, os dois aspectos, tornam a decisão do stf mais um oportunismo desfocado, bem típico das nossas leniências e mazelas, triste tribuna. 
  2. o código florestal foi aprovado, um pavor, mais uma peça de puro oportunismo, o governo não fez força para negociar, a oposição fez-se surda e cega ao bom senso e não percebeu que perder muitas vezes significa ganhar no que importa, no caso em apreço preservar a nossa maior riqueza e não se aliar a grileiros e safanões, mas voltemos ao governo: sabedor do preço da conversa e das regras que regem o sistema, poderia, afinal, transferir e colocar na caneta da presidente os holofotes de vetar as partes vistas como politicamente incorretas, deixou-se, então, perder, com isso, perdemos todos, aprovamos um monstro que será fatiado e vetado em partes, e, portanto, não se fará cumprir e, monstro que é, continuará incentivando a destruição. Sabe-se bem, que, se tens a possibilidade de vetar apenas o que não te agrada, os teus ouvidos serão pouco sensíveis ao bom senso e deixarão passar o absurdo. eis que, isso, a possibilidade do veto parcial, muda o comportamento estratégico dos envolvidos que jogam para a torcida e não para fazer o que tem que ser feito, perdemos todos. O ideal seria o executivo amarrar suas mãos e recriar a norma para o bem dos equilíbrios, preservar o veta tudo e uma negociação em outras bases, sem o deixa dissismo bem afeito aos de fisiológica tradição.
 triste dia nublado e pesado de manchetes carregadas do que bem somos ou sabemos ser.

19 abril 2012

o teu passado não tem futuro

antes que o chão se apague, vamos tentar, diria o intransigente auscultador geral da ex-nação, entender. Em tempo, nacionalismos perigosamente voltam, ou voltarão, à moda, frases bem ditas são impossíveis no dia-a-dia da terra do fogo, perdemos o eixo. Em pouco tempo, se nada muda, voltaremos ao desarranjo dos 1900, algo que havíamos, tolos que fomos, imaginado superar. Agora a vizinha Argentina tenta recompor um erro com outro ainda maior, para desviar a atenção de uma inflação que aponta para corte de zeros na moeda já desvalida, expropriam o petróleo, um gesto de desespero que ainda encontra eco nas nossas mazelas locais, como somos pobres e sem destino, seguimos o rumor dos ventos, qualquer um, embicamos a nau para um mar sem nortes, vale o aforismo, a patagônia é o fim do mundo, morremos a morte da falta de luz e de ideias, copiamos o passado canhestro e torpe com soberba e inteligência de ocasião, somos o fim do fim, bem antes do amanhecer, obscurecemos o de por vir...o eco no Brasil é de euforia, baixamos os juros de forma artificial, forjamos o crédito, gastamos à lambança, recrudescemos os favores para o setor têxtil e automobilístico, a grande contribuição brasileira, pasmem, para contornar a crise mundial, de os nossos dirigentes, vemos apenas o governar por macetes ideológicas, via discursos lidos e sem nenhum contato com a realidade, essa, então,  virou alegoria...

25 março 2012

amanhã vão desvalorizar o câmbio depois vão reabrir o maracanã

o palpite sugerido pelo título é linear e reporta ao passado, ao debate do passado, aquele no qual  sempre perdemos porque fizemos escolhas equivocadas, atalhos só fazem sentido na diagonal e para quem tem uma visão geral das possibilidades, não é o nosso caso. Temos um governo fraco, sem uma interpretação razoável do que está acontecendo, e mais, um governo ambicioso por poder e por votos, disposto a tudo para jogar para a torcida. Os primeiros convidados para uma reunião improvisada, foram os empresários, depois virão os sindicalistas, a tal da base aliada, as igrejas, (quase escrevi a igreja no singular, para ser fiel ao ambiente nostálgico, talvez) e por ai vamos, de reunião em reunião. Nada de concretou ou importante é definido ou discutido nessas reuniões, gasta-se uma fortuna em passagens, diárias, deslocamentos e uma fábula em custo de oportunidade, tudo para construir o consenso burro, que no Brasil de hoje tem nome e até um refrão, se quisermos: "contra desindustrialização, desvalorização, o real é o que importa". No fundo, a estratégia já está definida, o governo vai intervir no câmbio e usará como escudo para as consequências as tais reuniões onde foram tecidos os nós que nos prendem ao passado e, o que é pior, à mesma trajetória que nos trouxe até aqui. Estado e setor privado, lentos, atrasados, pesados, siameses na corrupção e no privilégio, um país de excluídos, sem mobilidade efetiva e que flerta com o autoritarismo e com o populismo. Todas as expressões e adjetivações são passadistas, como a política econômica do governo que ainda não começou e que talvez nunca acabe. Triste sina!

29 fevereiro 2012

economia da ficha limpa

nunca vamos esquecer a ficha limpa, o nosso passaporte para modernidade, algo tão simples, como não pensamos nisso antes??? é só definir uma clausula de barreira e faremos a mudança que precisávamos, o mundo agora respira aliviado, afinal, não aceitaremos mais os calhordas, os aventureiros e os que, por sorte, passarem na primeira avaliação serão obrigados a manter o bom decoro, a boa ficha limpa para preservar o cargo, agora está feito, não mudamos a cultura do vale tudo e do jeitinho, continuamos a não respeitar filas, não gostamos de regras ou de derrubar ministros corruptos do partido no poder, não somos sensatos com os gastos públicos com a saúde ou com a educação, mas temos, o ficha limpa, candidato agora só precisa corromper os que sujam as suas fichas limpas, e pronto, serão candidatos ou recandidatáveis, resolvemos de uma vez só todos os problemas, a ideia é tão genial que virou meme, ficha limpa para o serviço público, para ministro, para casamento, para recarga de bateria, para atravessar a rua, para médico de plantão, para presidente da confederação brasileira de futebol e o escambau, nesse ritmo em menos de vinte anos alcançaremos o padrão de vida dos europeus antes da crise do euro.  sincera e honestamente, desconfio dessas fórmulas fáceis, receio mesmo que o enredo será bem outro, de mais corrupção alimentado por um mercado de fichas limpas na casa dos bilhões, além disso, os incentivos para usar a máquina pública em proveito próprio ou do grupo no poder, continuam todos lá, indeléveis e intocáveis, repito-me eu sei, mas sinceramente, não é serio limpar a ficha no meio de tanta sujeira e impunidade, é um tampão e atalho que só atende ao status quo e à economia da limpeza da ficha, que, além de informal, e, portanto, de não pagar imposto, vai gerar supressões acusatórias de caráter oportunístico, ideológico e eleitoreiro...mudar os valores e não as fichas, eis o verdadeiro desafio, não atentar para isso é uma forma paliativa de preservar a mesma m....

11 fevereiro 2012

conselhos, empatia e simpatia....

nunca funcionam, os conselhos, ou só servem a posteriori, o que vem a ser o mesmo, como dizer ao amigo para seguir uma dada linha de decisão e correr todos os riscos da empresa se o que vai no intimo dele atende por outro apelo? em dias nublados ouso cometer essas inquietudes ou indelicadezas, olhe, digo eu, faça isso e não faça aquilo, mas a empatia no sentido binmoriano não é tão simples de resolver ou de exercer, significaria sermos capazes de olhar o problema da perspectiva do outro e assim entender as suas estratégias e opções, teoricamente possível, mas irreal de todo, somos limitados para entender, apesar de sabermos que a complexidade dos humanos normais ou não gera um conjunto de tipos que cabe na palma da mão, mesmo assim, ao acrescermos ganhos, perdas, crenças e circunstâncias, dificilmente acertaríamos, mais fácil usa-la, [a empatia] no esporte ou na política ou na tomada de decisão do ministro da fazenda ou do presidente do bacen, porque ai a ideologia e a formação básica, a escola, já antecipam metade do trabalho outro tanto é só entender a conjuntura ou a estrutura, o para onde caminha aquela visão de mundo, etc. 
Desvio-me, aliás, afinal falava do amigo e da minha incapacidade humana de orienta-lo ou de oferecer honestamente uma saída que seja boa para ele e para sua felicidade ou algo do gênero, grave e grande lição, dela pude aprender ou reaprender velhas frases, citadas fora de ordem , assim como vem a minha cabeça, mesmo estando todas lá registradas:

  • "assim como a vida é sub ótima! Como diria um amigo, o arapiraca é para mim, no final! Heróis, só em quadrinhos e filmes!" (WB)
  •  "não resolva o problema errado".(engenheiro anonimo)
  •  "só quero saber do que pode dar certo, não tenho tempo a perder!" (Torquato Neto)
  • como diriam os americanos, "never mind"!(WB)

entendida a desdita, sigo com mais essa lição, amigo ouve, entende, apoia, acude e no mais se faz presente, mas não emite conselhos, bem, esses [os conselhos com aspas] vão da confirmação ou não com o aceno, positivo ou negativo, e não do ato deliberado de proferi-los ou emiti-los, quem sabe o que vai nos sapatos dos outros, no máximo refere-se a boa ciência econômica ou aos desatinos das ideologias ou utopias, essas sim, são previsíveis no sentido probabilístico, precárias, limitadas e efémeras, amigos, não, esses nos ensinam todos os dias o que não sabemos e nos ajudam a entender e a ampliar a nossa humanidade e limites, por eles, pelos amigos, nutro a simpatia no sentido moral e pleno de Smith...



06 janeiro 2012

a malandragem nacional

o ministro da integração nacional liberou mais verbas de combate a desastres naturais para o seu próprio estado natal, algo assim, por si só, já justificaria uma demissão sumária e um pedido de desculpas, mas o malandro, não satisfeito com a sua estupenda canalhice, arremeteu contra a opinião pública, algo tosco e absolutamente descabido, gritando, aos berros, só faltou o tapa na mesa, (cabra macho, esse um faz escola no governo), disse, com os olhos esbugalhados, o Estado do ministro não pode ser discriminado na distribuição das verbas, não fizemos nada errado e tudo que o que liberamos foi ao claro do dia e do conhecimento da presidente. Três peças de defesa capazes de afundar qualquer tentativa extraordinária. Atenta contra Pernambuco, contra a instituição da presidência e contra qualquer aspecto moral razoável, uma peça de horror que, infelizmente, é lugar comum nas praticas de Brasilia, que atende apenas aos currais e aos projetos de poder dos partidos e de seus comparsas. Tudo ao contrário, deveria ser o arrazoado, se é do meu estado, alto lá, não posso gritar com jornalistas, não devo levianamente supor que o suposto aval do presidente a tudo e a todos redime. Mais um infeliz que já vai tarde, se for....

31 dezembro 2011

uma lupa desnecessária

nada foi tão dramático, afinal, mesmo não mudando o rumo das letras, e a forma hiperbólica e adjetivada da escrita, posso adiantar que foram muitos os bons momentos, uma lupa seria desnecessária para percebe-los, segue então uma lista mínima:
  1. as publicações e os novos co-autores, o primeiro artigo no idioma universal, a forma direta e objetiva de alguns artigos, as inúmeras submissões, oito ao total, se não me engano, as descobertas tardias e as surpresas com o impacto dos mais recentes, novos projetos de pesquisa e as medidas de gini e polarização...
  2. as leituras mereceriam também um post especifico, falarei dos que lembro, binmore, amartya sen, dworkin, harford e todos os técnicos de jogos, econometria não paramétrica e microeconometria, o melhor entendimento dos modelos para finanças e, até que enfim, os modelos estruturais, foram muitas as folhas de resumo e muitas horas nos pacotes, o R continua sendo um desafio, principalmente na leitura dos dados, mas tá tudo lá, em cima da mesa, a obra em aberto,
  3. os encontros na casa Ethos, filosofia, Kant e Nicodemus, os indicadores de justiça e civilidade, os programas sociais, a minha crítica forte ao bolsa família, o dialogo inteligente com os jovens filósofos e advogados, num ambiente de chá, chocolates e inteligência, devo agradecer a paciência de todos e os belos debates
  4. as festas todas e os novos amigos, nomeá-los seria uma armadilha, mas todos sabem dos churras, dos ensaios da banda Los os, das cantorias e cantatas e das visitas, sempre alegres à cidade baixa, muito mais do que poderia esperar, afinal, trabalha-se muito, uma bela farra louca. Para completar o dvd do super brega, um achado antropológico musical, poético e sentimental...
  5. a timeline e a escrita no twitter e facebook, algo divertido, forte, as vezes implicante, muito politizado, muito engraçado, mas sempre humanamente divertido, mesmo perdendo o apelo, vale o mesmo para o msn e a conversa com velhos amigos de santa cruz, pelotas, brasilia, teresina, até belo horizonte...Ah, a visita de volta dos amigos que foram para brasília, sao paulo, minas, rio de janeiro e o escambau, sempre um momento de felicidade, tem também os amigos novos que não conheço, mas que me divertiram muito com as suas frases sempre humanas e divertidas
  6. os seminários, deles o interno, de pesquisa, pelas etapas todas de preparação, convite e arranjo dos detalhes, mas ai cabem também floripa, brasilia, rio, curitiba, foz do iguaçu e tantos outros, todos importantes e significativos a sua maneira...
  7. no futebol, Damião...gols, caráter, valores, dribles mágicos e objetivos, como tem que ser, e uma maturidade surpreendente para alguém tão jovem, foi o melhor do colorado tão instável e tão mal administrado
  8. a accuradio, que estou ouvindo agora, a minha companhia de todos os dias do ano, sempre uma peça que alimenta minha vontade de terminar todas as tarefas que procrastino
  9. na política foram poucos os momentos realmente valiosos, posso citar os oitenta anos do fhc, a luta da calmaon para preservar o cnj, a queda de governos totalitários pelo mundo (certamente lembrarei de mais episódios, não gosto do berlusconi e acho que a esquerda na Espanha não fez o dever de casa, mas deixarei em aberto,,,)
  10. na saúde uma contra-prova de exame de sangue fez toda a diferença e mostrou que planos de saúde podem fornecer serviços de péssima qualidade e que a regulação é muito importante...o fim da restrição ao uso do bafômetro foi uma conquista institucional importante....
  11. por fim, o aniversário de setenta anos do hildeberto, a visita do tio ennio, e a festa na fazendinha em Brasilia, certamente, esqueço aqui também algum registro importante, mas para todos eles, as olas na casa do mauro e mônica, conseguem ajustar o sentimomentro para um equilíbrio bem razoável, obrigado.
  12. certamente, não foram poucos os momentos literários, a nova biografia do joyce, roth e seu zuckerman, rabujento e absolutamente lúcido, proust em dois volumes, austen e toda uma saga, a tradição ética britânica, as palavras do spivelt e a sua genialidade de dez anos, as viagens a antunes e seu jacaré meia boca, a ilustrada novamente impressa...
enfim ou por fim, um ano rico em grandes momentos, e da família não falo, porque diz muito da vida inteira, é contínuo, aqui só o que o ano que já acabou trouxe de conquistas e de amigos, os novos e os de toda a vida. Obrigado.

24 dezembro 2011

a lista, ou, quem sabe, um desabafo...

o ano da graça de 2011 não deixará uma saudade entusiasmada, serei breve, então, nessa copiosa lista, que de resto, encerra do verbo virar a página, um ciclo de vida do bardo, que, já não é o mesmo, começarei pelos piores, a ordem não segue um propósito e apenas vem da memória:]
1. as lambanças do tombini e do mantega, de ministros e poderosos chefes de banco central pode-se esperar tudo, mas o arroubo de platitudes, lugares comuns e baboseiras ditas com ar de sabedoria e empáfia, com certeza foram o pior do pior nesses tempos de crise. Torço para que os dois comecem a ler discursos escritos por verdadeiros economistas ou para que sejam substituídos por alguém com inteligência mediana ou moderada noção de auto-crítica. Nesse item, caberia um subitem ao valor econõmico e seus articulistas, mas estão todos lá, na lista dos piores dos piores...
2. participar de bancas acadêmicas e observar injustiças visíveis porque um dos doutos da banca não conhecia a literatura, os termos, conceitos e desdobramentos da teoria em questão. Nesse item, a falta de objetividade na avaliação da produtividade também sempre me deprime...
3. a queda do falcão, não necessariamente pelo seu bom desempenho a frente do colorado, mas pela forma como foi conduzida, sinceramente, um ídolo merece respeito e ao não faze-lo a instituição mostra as suas leniências e incapacidades...
4 a corrupção, qualquer uma delas, a mais venal, a ideológica, assegura ao criminoso que rouba dinheiro público o escudo do partido e da agenda de um populista, no Brasil de 2011, vimos que a camada do pre sal não é tão profunda e que o que lá graça não é petróleo, mas sim a densa camada de lodaçal  e lama dos corruptos e seus padrinhos, todos desprezíveis, de consultores a palestrantes, de membros do supremo a juízes, vimos e acompanhamos, um festival de canastreiros e canalhices...
5. a formula 1, melhor seria dizer, a ex-formula 1 que virou algo inanimado, pitorescamente, estático, sem cor e malparado, um festival de falas nosense do galvão e uma piada pronta para com o rubinho, o idiota de plantão, quase nos acostumamos com os perdedores que ganham muito dinheiro, algo na linha perco porque sou inteligente e sei até onde não devo ir... O feio da coisa não é, por óbvio, perder, mas sim, fazer do não ganhar uma carreira..
6. programas de tv, sem comentários, faustão, pânico, fantástico, bem amigos, todos da ana braga, band esportes, abre o jogo, as repetições da globo news, esquenta, uma caricatura da classe média com cobertura de clichês deselegantes, aliás, todos são...novelas das sete e seis, o astro e todo o canal 3...
7. o rei zumbido, que além de não se manifestar como causa, trouxe uma falta eterna de paz e uma forma ou outra de variações indesejáveis, a surdez progressiva, as dores nas pernas e a vista cansada para variações longe e perto, completam o quadro das dores irreversíveis...
8. as interpretações da crise, o oportunismo e cinismo do krugman, o erro heterodoxo, a empafia ortodoxa, os movimentos contra o sistema financeiro, a ocupação e desocupação do iraque, dois erros e duas tragédias, o obama  e seu glamour retórico, os republicanos e suas diatribes anacrônicas, o design inteligente, a firula do neymar na porta do gol, os equívocos do muricy,  a Argentina dos kirchner e dos papeis surrupiados da livre imprensa livre, a greve do cpers, a petrobras e sua generosidade aliciadora, o bndes e suas escolhas, a venda do andrezinho para o botafogo, a saída do sobis, o celso roth e a conquista do corinthians, a queda do ceará, a falta de escrupulos do ronaldão, romário e juca kfhouri...
9. o excesso de atribuições a falta de tempo para jogar conversa fora e a eterna divisão do campo ideológico o mundo cada vez mais bipolar, um retrocesso sem sentido, a eterna falta de dinheiro para livros novos e a vida sem música no ouvido direito, minha declaração de imposto de renda, a vida sem esportes e o transito de porto alegre, a linha de passe do colorado...
10. por último o mec e seu haddad, erros, incompetência e descaso, enem e seus mistérios, a falta de critérios e o abandono do ensino básico, a falta de visão para além do orçamento...
por óbvio, não encerra, a lista uma verdade do dia, nem mesmo alude a tudo o que interessa, apenas descorre sobre o que veio à TONA, mas nada é inconsciente ou não sentido....

15 novembro 2011

frases e seus emblemas

"Devemos ter cuidado com ideólogos que aproveitam a crise européia para promover suas agendas" (Krugman, a essa altura sem auto-crítica) O imponderável deve rondar a cabeça de um Nobel, afinal o maior pregador e ideólogo dos tempos atuais, um insano anti-Wall street, mercados financeiros e qualquer coisa que não seja o novo keynesianismo messiânico, ousar vociferar algo nessa linha de raciocínio chega a soar falso ou é alguma espécie de narcisismo cego que impossibilita alguma vida inteligente ou alguma autocritica, Krugman realmente chegou ao fim do poço....

"Graças a Deus! quero distância dessa gente cultivada que promove bacanais com dinheiro de renuncia fiscal e frequenta os mesmos sarais da ilustríssima repórter. Não sou despachante, meu lance é literatura. (Marcelo Mirisola) Autor de livros em uma réplica a uma resenha desdenhosa cujo o foco é o suposto mal humor e destempero do autor e não a obra resenhada. Depois dessa resposta, passou a ser meu autor predileto do verão, lerei pelo menos um dos seus doze livros, obrigado!



vinte e quatro horas ou mais

vem de ser feriado na e para república dos progressos adiados e da ordem de força especial invadindo casas sem judicialização da cidadania, pois bem, que seja, feriado é, feriado não se discute, cumpre-se, mas, não satisfeitos, mudaram a data de outro feriado para engavetar ou colocar em data de conveniência, o dia 14/11/2011 como dia do funcionário público na república dos funcionários públicos, faz sentido, afinal. Só não precisávamos incluir na lista de atendidos por tamanha 'feriadança' as Universidades, que já nem sei se merecem o maiúsculo da forma, então, já fechamos às 22horas todos os santos dias, aos sábados, que não são santos, fechamos ao meio-dia, nos domingos, nunca fomos de funcionar...Assim, cuidamos da pesquisa, do conhecimento, da criação, das idéias, dos experimentos, dos laboratórios e dos computadores, desligamos vez por outra, todas os dias, desliga a sinapse, a conexão, fecha o livro, interrompe a gota do orvalho químico, o eletrodo no cerne do rato de laboratório, amanhã matamos outro, se tanto, afinal ninguém ou nada será salvo com nossas sabáticas dormidas ou descanso, não nos preocupemos, nada de muito criativo ou importante foi perdido com as nossas tabelas de horários para não funcionar, os nossos alunos já não estudam, nossos pesquisadores escrevem em seus laptop(s) e mandam tudo via internet, de suas casas na praia e de outras tantas casas, espalhadas por um raio de quilômetros de distância de quem paga os impostos, pouco importa, não vai faltar salários nas contas e festas nos finais de semanas e feriados,,,,

08 agosto 2011

leituras apressadas ou porque vamos sucumbir

o Merval leu algo, não sabe o que significa, não fez o dever de casa mínimo de consultar opiniões contrarias, sopesar, balancear, avaliar, assumir as consequências, algo normal, aliás para o jornalismo, afinal, informação, mesmo não revelando as fontes, nesse caso, a fonte é revelada e ainda é usada como aval de autoridade, teríam, se consigo retomar o fio, de se fiar na busca, olha ele, o fio, ai de novo, na verdade, na revelação da verdade. Não, o formador de opinião nao teve esse cuidado e vende como verdades de autoridades a tese da desindustrialização e da primarização, etc, no fundo, lá no fundo, é mais um nostálgico da guerra fria ou da  cepal, cujo os únicos manuais lidos foram as teses furtadistas ou de Inácio rangel, se tanto, sobre o brasil e a América Latina do prebisch, preso ao lugar comum, vocifera, e, ao repercutir mais um engodo, constrói castelos de engôdos que vão servir aos discursos da direita e da esquerda, ambas, todas, (mais um traço da nossa esquisitice), intervencionistas e estatizantes no que há de pior no ser humano, ditatoriais, repressivas e corruptas...

02 agosto 2011

a política industrial e a cobertura do JN, a intrigante trama.

o governo sem nome identificável e de uma triste senhora sem rumo, escolheu, a dedo, a melhor data para lançar a nova, novíssima seria mais original, afinal, convenhamos, politica industrial já é uma expressão velha e morta em ideias e originalidade, pois bem, com um discurso inflamado de defesa do emprego e de proteção da indústria nacional e de luta contra a guerra cambial (sic) o governo lançou mais um pacote intervencionista, protecionista e sem pé nem cabeça para, segundo lá eles, proteger o setor, etc. Não há o que dizer dessa peça e do triunfalismo primário do governo tampão que empurra com a barriga, enquanto aguarda a volta do messias, seria bater em tecla gasta apontar os equívocos, muitos e tantos que fazem corar a vida inteligente mais infame, não sei o que são e não vou tecer comentários sobre o que querem além de preservar o poder, deles próprios e dos comparsas, esses também nomináveis, assusta-me, contudo, a cobertura do jornal nacional sobre o episódio. A versão foi única e de salvação nacional e o único economista escutado foi  um desconhecido senhor, que, obviamente defende e aplaude como urgência, o rebu. Devo ser ignóbil e com baixa capacidade de entendimento, nem o Krugman lá dos democratas, aquele que só vocifera nos matutinos, seria tão crédulo e ingênuo com tamanho conjunto de platitudes, certamente, há algo de novo no jornalismo da nobre emissora, uma mudança pró intervenção no câmbio ou algo mais explicito e menos republicano que fez a globo editar tão viesadamente e sem ouvir um único sinal contrário, ou opinião diversa do lugar comum, a indústria, por sinal, em uníssono concorda, portanto, concordamos todos, parecer querer dizer o editorial do JN.   Oxalá seja só um erro de má formação jornalística aqueles 50 segundos, se tanto, de erros, frases tortas e de claudicantes subserviência a um política industrial em tudo e por tudo, absolutamente errada, desde o diagnóstico aos contornos do que propõe, até mesmo, na escolha da data do lançamento, a expectativa do calote dos eua é uma glória para governos intervencionistas e que a tudo e a todos querem engolir. Certamente a globo, nas suas entranhas deve ter pulado do muro, só nos resta falar na rede enquanto não sufocam a banda larga para todos.

19 junho 2011

hoje a mangueira, amanhã copacabana...

não consigo ficar animado com o uso do exército e com a inteligência estratégica das unidades pacificadoras, a coisa toda é meio estranha, uma invasão avisada com vistas grossas para a fuga em massa de traficantes, o silêncio obsequioso da imprensa, o medo da população local, e a fuga sem disparos dos bandidos, e o pior, o discurso do secretário de segurança que comemora o feito como histórico, vai mal a coisa toda, esses arranjos para inglês ver, melhor mesmo seria adotarmos o projeto monastério, mandaríamos a copa para os ingleses e tentaríamos resolver de fato nossos problemas, sem exércitos nas ruas, sem bandeiras nos mastros da caixa d´água, sem a sensação incomoda de jogar pra debaixo do tapete os erros todos, o país e a cidade do Rio de Janeiro atual não tem condições de arcar com as despesas de um evento esportivo dessas proporções, vamos lá, falta tudo e os caras ficam brincando de upps, como se a cena sem disparos do Beltrame fosse resolver a falta de saneamento básico ou a cruel realidade dos que tem que usar transporte ou saúde pública na ex-cidade maravilhosa.... Fico imaginando como será tratada a justa reivindicação salarial dos policiais quando eles perceberem que são o fiel da balança da possibilidade dos jogos...o Cabral não é sério o bastante para honestamente assumir a montanha de desafios que estão postos para o Brasil e que esses desafios dos jogos não são os nossos, melhor, não são os desafios que precisamos enfrentar e vencer, temos sim que fazer uma inclusão sem upp em todos os nossos morros e vilas, fazer valer o dinheiro público em obras e serviços de qualidade e eficientes o bastante para atender com qualidade a toda gente, copas e olimpíadas são projetos politiqueiros de oportunistas que invadem as casas alheias com migalhas e bolsa familias, para que fiquem quietos e pacificados, enquanto eles, os garbos politiquinhos,  autores da estupenda ideia olímpica, executam a sigilosa gastança... isso é fazer pilhéria das nossas humanas necessidades reais...não foi para isso que tentamos construir uma moeda, uma cidadania real, uma economia...

18 abril 2011

um recomeço...

 é um teste, mas o novo brinquedo da minha filha vai permitir ao velho bardo retomar seus achaques, poderia começar pela frustração com os exames de sangue, mas ai lembro-me ou apercebo-me do sus e do flagelo que é a saúde pública e resigno-me com a pequena incapacidade do meu plano de saúde para certos exames, outro tema, seria a renomada biografia do poeta pessoa e do cidadão pessoa, tomei uma aula com o meu filho mais velho que colocou por terra os poemas que tanto leio desde a adolescência, ninguém é normal, nem o meu portugûes, muito menos o poeta, uma filha me permite voltar a escrever o outro diz-me que nem os poetas são sublimes. Jarred e suas simetrias, ou seria melhor falar de assimetrias, desenvolve mais uma teoria canhestra para explicar, agora, o terceiro chimpanzé, que somos nós, se entendi direito o penis desproporcional dos humanos explicaria o sucesso da nossa empresa, algo bem questionável, a começar pela idéia de sucesso, bem, nao sei o que falo, melhor voltar os olhos para a matemática de jogos, essa sim, subiu muito em meu conceito, melhor diria, eu aumentei meu campo de visão e entendimento dos jogos ao decifrar alguns enigmas matemáticos e melhorar o  uso de notação mais rigora, extremamente recomendável, as sete-uplas de jogos dinâmicos ou as ameaças vazias de equilíbrios de nash por conta da não restrição dos conjuntos de informação (tenho que voltar a esse ponto) por exemplo. Matemática, alías, que é terapeutica para zumbidos no ouvido direito e que faz a festa dos prolongados fimdesemanas...

15 abril 2011

Bob Aumann

uma  entrevista instigante do velho para  o novo e vice versa.

13 abril 2011

Um exercício contra-factual (real ou do real)

Um belo texto, didático, inteligente e intelígivel sobre a  vale, mineradora privatizada, e, muito mais, sobre a construlção de uma linha de raciocinio impecável.

03 fevereiro 2011

Peço desculpas a minha mãe

Causas apontadas pelo vespertino:

1. Isonomia salarial nas Federais
2. Dedicação exclusiva
3. Burocracia
Eu acrscentaria:
4. Estabilidade irrestrita
5. Salário fixo
6. Produtividade não é avaliada
7. Doutrina estatizante e sem preocupação com eficiência alocativa
8. Minhas escolhas pessoais

29 janeiro 2011

Piauí no Estadão

Piauí, a última fronteira agrícola do Brasil

Autor(es): Renée Pereira
O Estado de S. Paulo - 23/01/2011
 
 
No comando de uma retroescavadeira recém-comprada, o fazendeiro Cornélio Sanders, dono de quase 50 mil hectares no sul do Piauí, brigava com a tecnologia da nova aquisição para remover uma pedra no meio de sua propriedade. Apesar de não conhecer bem os sistemas ultramodernos da máquina, o gaúcho, natural da cidade de Não-me-Toque, não quis perder tempo. Deixou o ambiente confortável do escritório para trás e partiu para o campo, naquela tarde quente e abafada de dezembro. Queria deixar tudo preparado para a chuva que prometia cair ainda naquela noite para, no dia seguinte, iniciar a plantação.
No Piauí, é assim. Bastam algumas nuvens escuras no céu para os agricultores começarem a correr na preparação de máquinas, sementes e terra. Com o calor intenso, a umidade do solo acaba rápido. Por isso, algumas horas após a chuva, eles precisam iniciar o plantio. Caso contrário, terão de esperar até a próxima tempestade e correr o risco de perder o tempo da safra. "Aqui o clima é peculiar. A janela para a operação é muito curta, comparada a outros locais", diz Gregory Sanders, de 31 anos, filho de Cornélio, que chegou a Uruçuí (maior produtor do Piauí) em 2001.
Ele conta que a ida do pai para o Piauí, depois de passar por Mato Grosso e Minas Gerais, foi uma decisão corajosa e arriscada. Afinal, o Estado vivia embalado pelo estigma de "terra pobre que nada produz". Hoje o mantra é outro. O Piauí virou a última fronteira agrícola do País, reduto de endinheirados adeptos da alta tecnologia, máquinas e aviões de última geração.
Um retrato disso foi mostrado em recente relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que pôs o Piauí na liderança dos Estados com maior crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008. A expansão foi de 8,8%, acima da média nacional de 5,2%. Boa parte do desempenho se deveu aos resultados positivos da agricultura, cuja participação na produção nacional quase dobrou - de 0,6% para 1,1%.
Ainda é pouco diante das grandes potências nacionais, como Mato Grosso e Goiás. Mas o agronegócio apenas começou a engatinhar no Piauí. Segundo cálculos dos produtores, só 12% do potencial do Estado - calculado em 3 milhões de hectares - foi explorado, a maioria com soja. Entre 2000 e 2009, a área plantada cresceu 593%, contra a média nacional de 59%. Detalhe: o preço da terra ainda é considerado uma pechincha na região, apesar da demanda elevada.
Enquanto no sul do País um hectare custa em torno de R$ 10 mil, no Piauí não passa de R$ 2 mil, comenta Ribamar Mateus, da empresa imobiliária JRM. "O pagamento pode ser dividido em três vezes num prazo de dois anos", diz o consultor, nascido em Uruçuí. Segundo ele, o preço da terra no sul do Piauí já foi bem mais barato, quase de graça. "Tem muita gente que comprou fazendas aqui pelo preço de uma carteira de cigarro (o hectare)", lembra.
De olho nesse potencial, vários investidores - muitos estrangeiros - estão desembarcando na região. Segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), nos últimos três anos, a venda de terras no Piauí para estrangeiros cresceu 138% (de 24.619 para 58.700 hectares) - quinto maior vendedor do País. O grupo argentino Los Grobo foi um dos primeiros a chegar por lá. A americana Bunge também demarcou território e construiu uma unidade de processamento de soja em Uruçuí. Agora quem está de olho nas terras piauienses são os chineses, que andam sondando oportunidades.
Brasileiros. Mas, apesar do interesse estrangeiro, são os brasileiros que estão desbravando o Piauí. A maioria tentou a sorte no Centro-Oeste antes de se aventurar por terras nordestinas. Um deles é o paranaense Altair Fianco, filho de agricultor familiar, natural de Pato Branco. Depois de uma breve passagem por São Gabriel do Oeste (MS), onde plantou soja em área arrendada, ele partiu para o Piauí. Em 1989, desembarcou em Uruçuí com a mulher e dois filhos. Comprou 9 mil hectares e montou sua fazenda de soja e milho.
Hoje Fianco tem 1.700 hectares de área plantada, mas a intenção é atingir 5 mil hectares nos próximos anos. "Procuro não me endividar. Prefiro fazer tudo aos poucos, de acordo com as minhas condições." O fazendeiro garante que a produtividade das terras do Piauí já não perde em nada para as plantações de Mato Grosso e Paraná. "Hoje consigo tirar 60 sacas de soja por hectare. No caso do milho, consegue-se até 150 sacas", comemora ele, que recebeu, em 2010, o título de cidadão piauiense.
A família Sanders chegou a Uruçuí quase uma década mais tarde para ser pioneira na plantação de algodão, sem deixar de lado outras culturas. Dos quase 50 mil hectares da Fazenda Progresso, 22.900 estão ocupados com soja, milho, algodão e eucalipto. Embora a soja ocupe uma fatia maior da propriedade, é o algodão que rende mais, diz Gregory, que hoje praticamente comanda a Fazenda Progresso, enquanto o pai dirige os negócios em Minas. Em 2005, inaugurou uma usina de beneficiamento de algodão, que abastece a indústria têxtil do Nordeste. A expectativa para os próximos anos é elevar a área plantada para 27 ou 28 mil hectares.
Um dos últimos a apostarem no Piauí foi a família Ioschpe. Em 2004, depois de ouvir maravilhas sobre o Estado, o empresário Ivoncy Ioschpe comprou 14 mil hectares na região. Três anos mais tarde, decidiu criar fazendas e contratou a Insolo, uma consultoria que desenvolvia tecnologia de alta precisão para o Cerrado. A parceria deu tão certo que, em 2008, a Insolo foi comprada pelos Ioschpes e se tornou a Insolo Agroindustrial, a maior investidora do Piauí.
Hoje a empresa tem 41 mil hectares de área plantada e produz 130 mil toneladas de grãos (soja, milho, arroz e sorgo). O objetivo é alcançar 120 mil hectares em quatro anos - 20 mil a cada ano. Isso significará produzir 400 mil toneladas de grãos. Até lá, serão investidos US$ 400 milhões, boa parte em tecnologia de alta precisão, diz o presidente da empresa, Salomão Ioschpe. "Estamos produzindo numa região com vocação para a agricultura em grande escala com uso intensivo de tecnologia. O Piauí tem tudo para se tornar a maior região para desenvolvimento de grãos no País."
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Região sofre com serviços precários

O Estado de S. Paulo - 23/01/2011
 
 
Além das estradas ruins e da falta de transporte ferroviário, sul do Piauí tem rede elétrica frágil e telecomunicações instáveis
A alta tecnologia das fazendas do Piauí é um contraste com a precária infraestrutura da região. Apesar de as principais rodovias terem sido recapeadas recentemente, os acessos às fazendas ainda são de terra batida, estreitas e esburacadas. Sem nenhuma ligação ferroviária - como ocorre em quase todas as grandes áreas produtoras de grãos do Brasil -, as milhões de toneladas produzidas na região saem da lavoura de caminhão.
No pico da safra, os enormes congestionamentos mais lembram as filas que se formam nos portos do Sul, garantem os produtores. "O Piauí é uma região difícil do ponto de vista de infraestrutura", afirma o presidente da Insolo, Salomão Ioschpe, que tem 41 mil hectares de terra plantada no Estado.
A esperança dos produtores é a construção da Ferrovia Transnordestina, que ligará o sertão do Piauí aos portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará. A estrada de ferro sairá da cidade de Eliseu Martins.
Mas não é apenas a infraestrutura logística que castiga os moradores do sul do Piauí. A rede elétrica é extremamente frágil e limitada. Basta chover alguns minutos para as cidades ficarem às escuras. Nas fazendas, a situação é ainda mais complicada. A maioria tem de recorrer aos geradores movidos a óleo diesel para não ficar refém das redes de distribuição.
"A gente só paga imposto e não tem benefício nenhum", afirma Luiz Quirino Peteck, dono de uma propriedade em Baixa Grande do Ribeira, segundo maior região produtora do Estado. Ele conta que em algumas épocas do ano chega a consumir 2 mil litros de diesel por dia (ou R$ 4 mil).
O produtor - que esperava um dia inteiro para fazer duas ligações para o Sul do País na única linha da cidade - hoje tem telefone fixo, celular e internet na fazenda. Isso não significa, porém, que funcionam todo o tempo.
Na Fazenda Progresso, os serviços funcionam um pouco melhor por causa da proximidade com o município de Uruçuí. Mas, como a propriedade é muito grande, em algumas áreas nem os rádios funcionam. Nesse caso, vale tudo para tentar se comunicar com a sede, que fica às margens da rodovia PI-247, a 30 km de Uruçuí. A saída é subir no local mais alto - no caso, os tratores e plantadeiras.
Avanços e retrocessos. Apesar das dificuldades, os moradores de Uruçuí - cidade de 20 mil habitantes visitada pela reportagem do Estado por ser a maior produtora de grãos do Piauí - reconhecem as mudanças trazidas pelo agronegócio. "Melhorou 90%. A cidade era muito atrasada. Hoje temos trabalho e podemos continuar por aqui", afirma Valdina Barbosa da Silva, que morou dez anos em Brasília e retornou à cidade natal em 2007.
Hoje ela trabalha numa financeira, no centro de Uruçuí. Valdina conta que a busca por crédito na loja tem crescido todo mês. O dinheiro do empréstimo é usado para reformar casas ou para comprar o veículo preferido dos uruçuienses, a moto. "Todo mundo tem moto, mas quase ninguém tem carteira", diz.
Uruçuí tem hoje a maior renda per capita do Estado, superando até a da capital Teresina. Mas, apesar dos avanços, a maioria decorrente de investimentos privados, muitos moradores reclamam que a cidade poderia estar numa posição mais privilegiada e com melhores condições de lazer para a população. Além de ter a maior renda per capita, o município tem o quarto Produto Interno Bruto (PIB) do Estado.
Mas, infelizmente, os anos de desmandos de políticos que comandaram a cidade não permitiram que a população fosse beneficiada. A prefeitura vive atolada em dívidas, já teve as contas bloqueadas pelo Ministério Público e não consegue fazer novos investimentos. Já o atual prefeito pouco conseguiu mudar a situação caótica das contas públicas. E na semana passada foi preso numa operação da Polícia Federal, ao lado de outros prefeitos do Piauí.

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Falta de qualificação obriga fazendeiros a ''importar'' mão de obra

O Estado de S. Paulo - 23/01/2011
 
 
Além da falta de infraestrutura, outro problema relatado pelos fazendeiros do sul do Piauí é a falta de mão de obra qualificada. Como as máquinas usadas na lavoura são equipadas com alta tecnologia, GPS, painéis eletrônicos e computador de bordo, os profissionais precisam ter algum conhecimento.
"Temos tido muita dificuldade para preencher as vagas, mesmo pagando 30% mais que a média do mercado", afirma Gregory Sanders, da Fazenda Progresso. Ele afirma que a falta de experiência dos operadores compromete a capacidade da máquina. "Um equipamento que poderia produzir 2x, acaba produzindo apenas 1x."
Uma das soluções tem sido "importar" profissionais de outras regiões. No Condomínio 2000, de Altair Fianco, há profissionais do Rio Grande do Sul, que têm alto conhecimento sobre o plantio de soja, com o é o caso de Clodovil Zimmerman, de 54 anos.
Antes de chegar ao Piauí, ele passou pelas fazendas de Mato Grosso do Sul e Goiás. Trabalha há quase 40 anos no agronegócio e é um exímio operador de uma máquina chamada uniport. Com o auxílio do GPS, ele percorre toda a lavoura, pulverizando as mudas de soja. A regra é ir e voltar com a máquina sem passar com as rodas em cima da plantação.
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15 janeiro 2011

oposição, sim!

não é fácil assumir que não se está a favor sempre, opor-se exige resignação e decoro, firmeza e paz, rumo e dúvidas, no mais das vezes, perde-se oportunidades, mas diante das circunstâncias, é grande e legitimo o papel que proponho assumir, sem rasgos verbais, estou contra a política fiscal e social, contra o desenvolvimentismo, o controle da mídia, as invasões, os desrespeitos aos direitos humanos nos países vizinhos apoiados que são pelos nossos apedeutas, vigiarei cada passo na política cambial e monentária e tudo que for feito para aumentar o nosso passivo que já assusta como tragédia, mas ao colocar-me na oposição sigo a trilha da sabedoria, nao a do revanhce ou vingança, oponho-me para que sabedores que ela, a oposição, existe, a situação reflita e reveja seu modelo inadequado e opressor, sem mais, calo-me, mas, atento, oponho-me.

14 dezembro 2010

derrotas....

o registro é desnecessãrio, mas a data não, perdemos feio, sem perdão ou desculpas, trememos, não jogamos o jogo, faltou liderança e convicção, e tudo o mais que sempre se diz nessas horas, foi algo mal planejado, algo sem sabor e sem coração, perdemos, não foi culpa de um ou de outro, foi nossa, se culpa é o que explica, o mais sensato mesmo é aplaudir os adversãrios, foram mai convicentes e lutaram a luta com mais querência, como deve ser, querendo ganhar, querendo a conquista, foram atrás de suas crenças e possibilidades, fizeram por merecer, essa é a realidade, nós não, nao foi a primeira vez na história, sempre que tememos ser diferentes e tentamos imitar o que precisamos superar, acabamos sendo a segunda melhor opçao, apenas, essa é a lição, perder é uma possibilidade real, perder sem sermos nós mesmos é uma certeza, uma inevitabilidade, se quisermos ganhar novamente teremos que assumir o que somos, fomos ou fizemos...

06 dezembro 2010

Fala, Pondé!

"Normalmente, os intelectuais das universidades ficam entre si, destruindo carreiras de colegas, fazendo política institucional comezinha, buscando cargos burocráticos na nomenclatura da universidade ou em partidos políticos afins, dizendo mentiras deslavadas a serviço da ideologia do partido (intelectuais orgânicos) ou de seu corporativismo." (Luiz Felipe Pondé, fsp, 06/12/2010)

04 dezembro 2010

como estourar bolhas de sabão

etéreas e ar-tificiais as bolhas são simples, dependem de água, sabão e sopro, produzem, no entanto, encanto e alegria e sempre são bem-vindas, querer furá-las ou evitá-las, quase sempre é coisa de gente mal humorada e sem graça, somente os chatos não gostam de bolhas, afinal, mesmo assim, para atender ao capricho dos chatos, vamos colocar em linhas a fórmula mais simples de eliminar ou estourar as bolhas, o primeiro e inequivoco passo, é abrir mão de qualquer vida criativa, deixe perecer a alegria e o sorriso, seja você mesmo, diria o presidente, ou vá se internar, esse sim, outro fura bolhas, mas nao vamos nos afastar do nosso foco, enfim, mesmo sendo tão fácil quanto invadir o complexo do alemao depois da fuga das armas e drogas pelos arquedutos institucionais, as bolhas, para serem furadas na medida certa, demandam método, como diria o outro bardo, é um ato insamo mas tem método, limpe a sua mente de toda felicidade, procure uma posição apropriada, posicione-se, é a outra dica fundamental, seja um burrocrata, é a melhor estratégia para o fulha bolhas, ou então governe um grande estado aliado do partido do tapume, o resto é (nunca sei se concordo com o resto ou com a soma da frente) destreza e alguma visão espacial dinâmica, em marcha lenta, muito lenta, é verdade, e alguma noção de ângulos, conveniências e linhas paralelas, a tal da visão geometrica, mais uma contribuição do ocidente, e aquelas forças que chamamos, erradamente, é verdade, de forças de atração, enfim, para estragar o prazer dos outros e o belo que há na fragilidade e sonhos que só bolhas possuem, basta o dedo indicador levemente apoiado pelo polegar e os demais comparsas do crime agachados, como a mídia, por exemplo, dai é só mirar e provocar o leve atrito, findo o ardil, falida a empresa, bolhas já não existem, outra alternativa, ainda mais cruel, é cortar o crédito para produção de água, sabão e sonhos. Sonhar alías é uma bolha, afinal sonhos são sempre bons, duram apenas alguns segundos e rompem-se com o abrir dos olhos e nos impulsionam para o céu.

27 novembro 2010

o morro, o estado e o cidadão comum

não, nao quero falar das balas, dos incêndios de ônibus, das upps, mesmo porque, prefiro ppps, não tenho a fé na inteligência policial e, na minha opinião, tropa de elite é apenas um bom filme tecnicamente bem construído, nao, nao sei o que fazer para conter a força das milicias ou dos traficantes, lamento por todas as vidas e suspeito que os aplausos para ação da polícia e do exército são precipitados ou uma reação constrangida movida pelo medo de aspirar uma paz sustentável, não, não sei o que pensar ou desenhar, as balas não são respostas  inócuas, reações sempre retornam em baldes de sangue, nesses e em outros casos, cabral falhou, é o que sei, mentiu e enganou, agora inventa um filminho linha b para mostrar o que desfaz, cenas cruas e não editadas mostram a fuga de supostos bandidos, deve ser isso que chamam de cidadania, somos todos culpados até prova em contrário, estado de direito em açao, dizem os juristas, enquanto isso, na avenida principal da vila a reporter de colete a prova de balas azul lê um bilhete que saiu de dentro de uma caixa de fósforos, (metafóra de um barril de polvporas?) apócrifos a letra morta e as balas perdidas, todos entoam palavras de paz, liberdade e civilidade, gritos de guerra contra o terror, e lá em cima, no mundo de verdade, gritos reais de dor e medo, o brasil continua tratando questoes de fundo com fogos de artificio, improviso e oportunismo, não há saude pública, escolas decentes para crianças do morro, saneamento, empregabilidade, opções de escolhas reais para individuos reais, em troca empurramos, de um morro para o outro, os filhos da pátria que não fazem parte das estatísticas oficiais e são tratados como párias, mas recebem bolsa familia e balas e as upps, ah, como esquece-las, tudo devidamente contabilizado na divida pública, o estado nao para de crescer, porém, emprego não há, apenas dividas, o rombo da previdência, a carga (mais bala, só bala resolve) tributária, morro abaixo, morro acima, não há saídas e se apertar, chamamos o bope, o exercíto e a mídia de colete azul a prova de balas, comparsas da mesma fraude...

19 novembro 2010

amanhã eu faço....

começaria assim a minha lista de coisas por fazer, sem receio de errar, a pilha cresceu e agora o melhor que posso fazer é adiar o adiável e tentar nao perder mais prazos, parece dividas, mas nao é, soa até desastroso assumir, mas ha uma pilha de coisas por ler, escrevinhar e arredondar....bem feito, resolver nao entendidos com excesso de trabalho e compromissos foi a minha opção , melhor, foi a minha escolha, dado o conjunto de opções, prometi que o fim do calendário político resolveria isso, agora, findo um, assola-me a lista do final do termo, bancas, pareceres, etc, é do hábito, diriam uns, mas essa prática já est[a virando lugar comum...

18 novembro 2010

Orientações

Ainda devo acrescentar outros nomes a essa lista, mas o que tenho em mãos é muito promissor:
  1. REFORMA ESTRUTURAL DA PREVIDÊNCIA: LIÇÕES BASEADAS EM EXPERIÊNCIAS LATINO-AMERICANAS - Caio Henrique Machado
  2. UNIFICAÇÃO MONETÁRIA NO MERCOSUL: UMA APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ÁREAS MONETÁRIAS ÓTIMAS UTILIZANDO A METODOLOGIA VAR ESTRUTURAL - Camila Bondar
  3. PADROES ESPACIAIS NA CRIMINALIDADO DO RS - Chantós Mariani

02 novembro 2010

high definition

nada de novo no cenário brasileiro, o presidente, melhor assim, (pelo menos não inventamos uma palavra nova), continua, mesmo sendo uma mulher  com educação formal em economia, não entendendo nada de câmbio e reservas, a primeira entrevista que mereceu até bis, mostra muito bem o discurso oco e a fala sem relevância, "mesmo porque temos reservas para...." só isso, essa impropriedade, que recebeu um entusiasmado de acordo do jornalista global, já é reveladora em si mesmo, não precisamos de mais delongas. Não satisfeita, no dia seguinte afirma que não vamos precisar de "saco de maldades", o que em linguagem de-cifrada (ouse não entender e verás), significa mais ou menos o seguinte (sotaque carregado e em voz alterada) " vem cá, minha filha, voçê acha que nós vamos queimar o nosso líder com um choque de gestão, seriedade e bom senso, maldades cometerei euzinha, ao mito o que é de mito, ao povo a nossa política social de inclusão, e aos intelctuais e militantes do passadismo o estatismo corporativista,  essa fórmula acabou de mostrar a sua força e com ela seguiremos vencendo." Em suma, suprasuma, o brasil continua caminhando para o abismo, agora enganados pelos formadores de opinião e com uma dose extra de perversidade, porque se algo não sair como planejado, somos nós, os nordestinos, que teremos que arcar com uma dose a maior de preconceito e discriminação. Os caras conseguiram, e riem às nossas custas, se cometessem o sincericidio tão detestado pelos marqueteiros, diriam no discurso pós sulfragio, "olha aqui, compramos o voto dos miseráveis e dos mais pobres e isso não custou nem 1% do que recebemos de nossas aplicações no BB e na Petrobras, enfim, aperfeiçoamos, com a ajuda deles, o coronelismo de estado, é o neoestatismo. Aliás, pergunto a voces, coronelismo sempre não foi de Estado?"

27 outubro 2010

preciso ajustar o tino

amanhã rumo para pelotas, mais um curso, mini-curso, ainda não tenho todo o roteiro, mas as três horas da estrada são mais do que suficientes para ajustar o tino. No fundo será um bom momento para ausências, a minha liberdade vigiada jã não suporta a arrogância dos que agora se locupletam (não deve ser essa a palavra mais adequada aqui, mas em respeito a minha sexta seguidora, vai ela mesmo) dos que arrastam o país para um beco sem saída de ódio e miséria, tudo em nome de idéias mortas e inócuas, li em algum lugar que os motes religiosos são induzidos por ataques epilépticos num cortex frontal, eis o que passa na política nacional, não é atoa que igreja, aborto e casa civil comungam do mesmo orfranatório, do mesmo credo, da mesma linha de reaciocínio. Depois disso, desse vendaval de bestanças pretendo o sono dos justos. Doarei, entrementes, todos os cds do Chico, digo o mesmo para seus livros, que papelão, uma omissão completa em fuga no caso do mensalão e uma palavra de apoio para um embuste, francamente. Sem rumo a nau, procura a sua quilha, sem nortes ou sul, apenas a viagem a trabalho rumo ao meu chui de dentro, sem dores nas costas dos ferros da academia, com uma porção de livros novos e uma poesia retificadora na mente, de  Borges o meu poema de dormir, uma noite escura aproxima-se dos livros, dos meus livros, já nao enxergo uma luz que ponha tento em meus sonhos...

22 outubro 2010

ah, a frança e seus concursos públicos...

"The effect of network connections is important in the sense that a substantial improvement of the publication record is needed to compensate for not being linked to the jury".
Fico imaginando como seria a replicalção desse estudo no Brasil.

20 outubro 2010

das intransigências e uma declaração de voto

não há como demove-los de suas trincheiras, a candidata e seu presidente, conseguiram dividir o país e colocar o prisma de nossas escolhas sob o crivo simplista do bem contra o mal, essa metafora batida a la bush, alem de empobrecer o debate coloca uns contra os outros e constrói o espaço para tentações totalitárias. Definitivametne, nao votarei em Dilmas, a nossa sensação é a de que ela, ao contrário do que acreditam alguns, não é de esquerda, nem de direita, mas que apenas trabalha para uma certa esquerda, militante, ativiista e franciscanamente ultrapassada e autoritária. Veremos a sequência das irracionalidades, o rio grande bem sabe disso, lá estarão os processos contra os criticos, a caça as bruxas, as vilânias todas, o controle "social" da imprensa, a mitigação das liberdades e a demonização das diferenças, dos diferentes, melhor dizendo. Portanto, será um erro tremendo a eventual eleição de Dilmas e seus propósitos. Sem alarde, como sempre, cumprirei o papel que me cabe, votar e torcer, sem agressões ou tacapes, mas com os olhos aflitos.

13 outubro 2010

carta aberta

eu, na minha infeliz escolha, percorro o país e venho por meio desta, e daquelas, pois não, confessar a minha vitimização e a minha não capacidade, ética, moral e conceitual, [por que nao? diriam os mais afoitos], de assumir, do verbo passado a limpo, a minha real posiçao em relação ao que quer que seja, então, você que pensou em votar em mim, tenha certeza, nunca assumierei o que disse, fiz ou pensei, não serei dono do meu nariz e durante a minha gestão, se gestão houver não será da minha larva, serei inócuo, inodoro e sem cor, blefarei, dissimularei, mas, em momento algum, assumirei quem sou ou fui ou serei, em tempo algum, em lugar algum, então, nao privatizarei, não aparalherarei, tampouco estatizarei, nao farei intervenções no câmbio ou na casa de penhores, não viajarei, não entregarei, não invadirei e nem decretarei, se eleito for, sorrupiarei a minha autoconfessada biografia em nome dos votos que me atribuem, serei fiel a infidelidade e das minhas idéias de inclusão, liberdades e afins serei depositário fiel da não congruência, minha fé será sagrada e pagã, libertina e pudibunda, será  assim até o final dos meus dias, eleitores de todas as paroquias e versnissages, nao esqueçam, não serei, não sou e nunca fui....

06 outubro 2010

Nobel e outros concertos (texto não revisado)

minha aposta para o nobel não obedece a um cálcuco efetivo ou a um conhecimento prévio da fronteira, disto dessa, tanto quanto é possível enxergar no escuro, minhas apostas, aqui seguem outro caminho, vem de tanto ler ou falar e do recorrente uso dos modelos e de concorrência imperfeita em áreas distintas da nobre e precária ciência econômica, sigo então na torcida pelo reconhecimento de Avinash Dixit pela academia sueca, nao que ele precise disso ou que eu saiba o tamanho da impossibilidade, apenas torço como quem ao votar sente-se bem, principalmente com o ato em si, e não, necessariamente com o resultado, outro tanto apostei no Krugman, por conta da nova geografia econõmica e suas bifurcações que pensando bem são derivadas com t indexado que  bem poderiam se dizer estocásticas de ordem um, se eu entendi algo daquela aventura, pois bem, errei nesse prognóstico por exatos cinco anos, mas se adiardes, ou tu nobre comissão do acaso,  a escolha de Dixit, imporá ao meu o erro um epsolon a mais, afinal foi o modelo de concorrência monopolística que encontrou o Romer no doutorado o Krugman na MIT(?) e os meus olhos na nova teoria do comércio e nos axiomas da incerteza, utilidade esperada, jogos e minas, sempre ela, afinal começou na rua da Bahia o trem todo, portanto, nada mais justo que valorizar os que escrevem, criam e produzem chaves para problemas já antigos, como domar as não linearidades ou como evitar Euller e sua incapacidade de remunerar o progresso tecnológico, depois do que dixit nos ensinou, tudo ficou ao alcance das mãos e dos olhos do escrevinhador, nada mais, suponho que só sei o começo da história e, claro, consigo ficar na torcida, sempre!!!!